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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Porque é que as pessoas não têm legendas? Porque é que os olhares, mesmo os mais claros e explícitos, não se traduzem em palavras, as palavras em música e a música em beijos? Porque é que os rubores na face não se aplacam com um sonho acordado? Porque raio viveremos presos às incertezas, aos temores, às dúvidas, se a vida não é mais que uma corda a todo o instante bamba? Que sentido faz guardar a angústia no peito como se duma recordação se tratasse? E quem disse que era racional racionalizar tudo? O que percebes tu de razões quando estremeces ao pensar que se acabaram os pretextos? Sai daí, estás nu... Larga as amarras. Porque falas dos sonhos e da magia quando encerras os sonhos na camuflagem pragmática de cada dia? E amanhã? Porque é que nos mentimos e boicotamos as felicidades? Porque não rir até fazer cócegas às almas que vivem por trás do umbigo? Canta um pouco... grita e chora, o único público és tu. Conhece-te! Sabes bem que não são justas as saudades antes das honestidades...

 

Porque é que estás sempre aqui e longe de ti?

Pode um grito conter todos os suspiros, desassossegos, todas as indignações, inquietações, desilusões, desamparadas expectativas?


 

Que vontade de gritar até me fazer ouvir, quero sair! As dores, para trás das costas; sonhos ruídos, substituídos, por outros mais coloridos.

 

Que enfado tamanho que corrói os dias, que desesperante espera por dia nenhum.

 

Olhares de empatia, pasmo, cansaço que arrepia.

 

Adivinha-me, consola-me, leva-me embora...