Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Mau argumento de sequela, este filme errou o público. Actores que não sabem fingir um sorriso, sequer tentam o beijo desinteressado. As legendas: desfasadas, com entrelinhas que decidimos ignorar em complacência. A banda sonora que apela à libertação e o céu que fica, pálido, sem surpresas.

Tenho as palavras coladas ao esterno, embargadas, secas e empasteladas, não fluem com a naturalidade de quem conversa no escuro e espanta o sono, com gosto, como gosto. Evidentemente, as emoções andam desalinhadas, não me querem sair em linha recta, arquivadas por intensidade e ordem cronológica. Saem em ondas espumosas, revoltadas, à revelia da ordem que tinha imposto a custo, arrastam consigo todos os oceanos onde me podia perder. Quando olho nos teus olhos, só silêncios à espreita, intenções não ditas, gestos que se arrependem a meio… Recuos. Nos meus, recantos de dor que sabes decifrar. Daquela dor tua... Tua porque a inventaste. O rol das tuas culpas só te convence a ti; sou eu quem não é perfeita o suficiente para cativar o teu tempo, sou eu quem não é forte o suficiente para me querer dar (apenas) a quem me quer bem. Tu, não mereces uma das minhas sílabas. Mas escrever-te-ei até te exorcizar. Porque são os silêncios escuros que me corroem os dias, que não sei encontrar-te na ponta dos meus dedos, onde te tive tão certo, te senti seguro de ti e tão feliz. 

00000.jpg


Quando tu apareceste 


Eu estava esquecida 

Nos perdidos e achados da vida 

Mas sentia-me bem 

Com a cabeça arrumada 

Não sentia falta de nada 

Avisei-te à partida 

Que a haver algo entre nós 

Era melhor ter cuidado 

Queria viver o presente 

Queria esquecer o passado 

Portanto não me acuses da dor 

Que dizes sentir agora 

Deixa-me só no meu canto 

A vida segue lá fora 

Quando tu apareceste 

Eu estava a sair 

Dos perdidos e achados da dor 

E sentia-me bem 

Com o corpo a descansar 

Dos altos e baixos do Amor 

Avisei-te à partida 

Que um caso entre nós 

Era sempre perigoso 

O meu passado recente 

Tinha sido doloroso 

Portanto não me acuses da dor 

Que dizes sentir agora 

Deixa-me só no meu canto 

A vida segue lá fora