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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

...o que me apetece, quando me apetece. Posso publicar aqui textos acabados de escrever e que estejam em plena sintonia com a realidade, posso publicar coisas que escrevi há semanas ou meses ou anos. Posso misturar quanta ficção desejar, posso retratar com a máxima fidelidade a minha realidade, ainda que ninguém a reconheça. Não esperem ler no Ventos e Aragens um diário da Ventania, porque nunca o foi. Nem tudo o que escrevo tem uma razão definida, destinatários reais ou linha-mestra de marca pessoal. Podem passar-se meses sem publicar uma palavra (como, aliás, já aconteceu), posso escrever dezenas de páginas por dia. Não preciso justificar nem dosear nem manter expectativas. Exponho tanto ou tão pouco quanto queira, ressalvando que a exposição pode mesmo estar a léguas de algum resquício de verdade. Desengane-se quem pensa conhecer-me por ler meia dúzia das muitas palavras que vou escrevendo. Felizmente sou bem mais profunda e complexa do que um caderno virtual de deposição de palavras, imagens e sons. ;)



Um dos melhores escritores do mundo, um dos melhores realizadores do mundo, uma sátira metafórica à Humanidade. Tudo juntinho, num batido... de leite alvíssimo. Não desiludiu, mas confesso que não arrebatou como desejava. Malditas expectativas, que insuflam, movidas às melhores premissas, e quando se chega ao destino nos fazem cruzar os braços à espera de algo mais. Ainda assim, não hesito em elogiar inequivocamente a mestria do Meirelles, presente em cada detalhe, em cada ângulo aparentemente fortuito; a sublime interpretação da Julianne Moore; a fidelidade para com o romance (que ganha, nas palavras de Saramago, uma dimensão para mim maior, mais profunda, crua, autêntica).

 

O ponto que marca a diferença (como ultimamente reparo em tantos vértices da minha vida) é a Paixão. Aquele sentimento extremado, de picos, que solta gritos ou lágrimas ou murros, que dá força para escalar montanhas quando as quedas já foram mais que muitas. Sobre O Fiel Jardineiro escrevi, em 2006: "Um filme arrebatador, tão belo que fere os olhos, tão perturbador que revolve as entranhas. Que fotografia, que extraordinários actores! O Meirelles é o melhor realizador de todos os tempos! Estou apaixonada por este filme, como raramente acontece." Lá está, a Paixão. Como já me tinha acontecido com a Cidade de Deus, um dos mais belos filmes de sempre. O Blindness não me apaixonou, sendo porém apaixonante (mais uma daquelas contradições inexplicáveis senão com a escusa de, também aqui, tratarmos de sentimentos e, esses, ninguém saber muito bem por onde começa a explicação).