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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

O meu ano correu francamente mal... Como se costuma dizer, quanto mais se sobe maior é a queda. Como boa cientista que sou, nada melhor que o belo do gráfico para ilustrar a situação (escalas e unidades omitidas por se tratar de parâmetros absolutamente subjectivos).






Pelo lado positivo, porque há SEMPRE um lado positivo... a tendência é de subida, só pode ser!


Aqui fica a previsão optimista e pouco realista para 2009:



 


 


 

Hoje fiz limpezas de memória. Das memórias electrónicas de registos que noutra altura me pareceram dignos de recordação e, de caminho, limpei também o disco rígido craniano. Aproveitei para revisitar momentos, dar-lhes um último aceno de despedida. Reparei no quão mimada me tornei. (Mal) habituada a beijos matinais temperados com palavras melosas, a mimos salpicados erraticamente pelos dias. Foram dias felizes, quase todos. Não importa se um dia acabou sem nexo, importa que foi verdade até esse dia. Foi amor, foi paixão também. Era um rio de leito morno e terno, cada abraço transbordava doçura, aquela saudade que doía no peito… E nele naveguei erraticamente, deliciada, feliz. Talvez não tanto pela pessoa que me olhava como pela reciprocidade do olhar.


Recordei com carinho, nostalgia até. Encontrei um recanto de mim que anseia pelo reencontro de dois sorrisos de mãos dadas, sussurros ternos à luz da lua. Romântica, idealista, talvez apenas carente. E sim, penso em ti, que eu (até) gosto de ti.


Talvez seja este o sentimento que hoje não sei assumir: É bom ter um abraço para onde rumar, é bom beijar e ser beijada, é confortante (porém, insuficiente) a companhia, antídoto ideal quando a solidão se torna oca e faz ecoar o silêncio da tua própria vida.


Diz-me, se souberes, se é isto que procuras aqui. Se não souberes vai descobrir e regressa depois, que doutro modo terei que te explicar porque não posso voltar a ser uma construção holográfica de mim própria em enredo de conto de fadas (e convenhamos que assim se perde metade do encanto, materializando em verbos as verdades). Por principesco que sejas, e suspeito que o és, eu sou apenas eu, sem aspirações a ser princesa. Sou quem sou, nada fácil, por sinal (assim reza a lenda); trago comigo bagagem, mágoas e cicatrizes, memórias das que não se consegue apagar; trago comigo descobertas que puseram todo um fantástico mundo a nú e trataram de enxotá-lo para outra galáxia. Pior, trago horizontes amplos, distantes, ambições; Trago certezas do que quero e forças para lutar.


Come what may… Diz ao que vens e o que pretendes de mim. Não te atrevas reclamar passados e futuros, tampouco a alma que deixei escapar-se por aí. Mas serás bem-vindo se vieres por bem. Ousas passar esta porta, sem mapa nem bússola, sem rede de segurança, no turning back?

Na altura, tenho de confessar, caíram dois ou três mitos pelas escadas abaixo. Cliché à parte, pensava realmente que não havia já pessoas assim. Não nego que equacionei até um ou outro beijo escondido, mas apenas nos meandros da imaginação ensonada, que à altura tinha uma venda no coração e correntes de cimento no desejo. A empatia foi natural, permaneceu, que há coisas que o tempo e a distância não conseguem perturbar.


Tem-me vindo a surpreender, de mansinho, como quem pede licença com os nós dos dedos a acordar as vidraças. Singelo. Inesperado. Como um poema a meio da manhã, um mimo, uma delicadeza na abordagem… Doce e honesto, conheço-lhe o passado e os sonhos.


Cabeça de vento, distraída, às vezes esqueço-me de olhar em volta, por ter o olhar fixo na Lua. Outras vezes duvido mesmo da minha própria existência dentro do tornado que fiz minha casa, minha identidade.


Só para que saibas, finalmente reparei que estás aí. Só não sei onde estou eu.

 Foste

eco das vontades amargas

porta de luz sem calma

palavra amiga, ansiosa, ansiada

rede que pesca às escuras

tiro certeiro que ecoa no peito

coragem de ousar dizer talvez

euforia na ausência, que queima
poesia de dois gumes como facas errantes

presença mágica de obra diurna

faísca melosa a querer beijar

sonho de hoje, de antes e sempre

 

És

promessa de vida, de luz, de ti

conto de fadas enrolado no tempo

momento que foge e que marca a saudade

memórias fechadas na palma da mão

sorrisos imaginados, embrulhados nos meus

poção de ternura que não embriaga

areia na concha da mão que te dei

vento presente que embala a distância

 

Serás

 

suspiro pelos beijos que nunca morrem

alvorada recorrente no fundo da alma

 

SEMPRE, Amor

 

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Eu às vezes consigo ser muito dramática. Hoje, ao ler à distância de alguns dias um e-mail para um Amigo (daqueles em frente a quem se podem desenrolar quilómetros de entranhas sem pudor), tive de rir à gargalhada.  Para não chorar ou porque as múltiplas e sucessivas tragicomédias da minha vida me ensinaram a tudo relativizar. Fica o excerto:





"(...) o coração como se tivesse sido atropelado por 7 camiões indianos, comido e cagado por uma vaca e novamente atropelado (depois da bosta já estar seca), tendo ficado espalmado, altura em que foi mastigado por outra vaca e regurgitado para o Ganges. Something like that."

A propósito do desafio, cá está uma das escolhas da Ventania, mais indecisa que o habitual porque as opções são infinitas. Poderá não ser uma obra-prima, mas soa a Amor: frágil, simples, leve, despretensiosa, inequívoca e irredutível. Soa a risadas a rebolar num campo de flores, na Primavera. Soa à descoberta da paz num abraço longo e soa a beijos ternos. Soa a cumplicidade, a sorrisos rasgados e a mãos dadas. Soa a namoro com as faces coradas, a banda sonora de comédia romântica natalícia. Soa-me bem. ;)






 


letra )

 

Tira-me do sério que as situações sentimentos momentos pensamentos medos receios alegrias simpatias ideias e ideais não sejam transcritos traduzidos repetidos exaustivamente por todas as palavras sinónimos significados possíveis inteligíveis descritíveis.


Dá-me nervoso miudinho tamanho burburinho de cochichos entredentes entrelinhas subentendidas diagnósticos mal percebidos julgamentos extemporâneos gaguejos hesitantes constantes declarações exclamações e mil questões intimidantes.


Resumir reduzir simplificar minimizar é no fundo dar lugar a cada qual interpretar como melhor lhe aprouver. Discordo repreendo rejeito este trejeito que as sentenças do meu modo são insistir e repetir e sublinhar e reforçar a negrito e maiúsculas garrafais cada sílaba marcada desenhada repisada não vá a mensagem sair ao lado deturpada enviesada equivocada mal parada enfeitiçada em orelha desassossegada distraída entupida desatenta iludida que só ouve o que quer.


 




As meias-palavras irritam-me. Mais do que palavra nenhuma. Caro Universo, faz o favor de elaborar, de usar quantas palavras conheças para te traduzires.


 


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