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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Nunca dormi melhor que no desconforto da parte de baixo daquele beliche, pequeno para um e minúsculo para dois, numa carruagem em movimento do comboio que atravessava um sonho antigo ao meio. Um mundo diferente, oposto, do lado de fora. Antes, tinham sido as estrelas e um silêncio bonito. A cabeça às voltas em tantas mudanças sem direcção. As pernas dele nas minhas, os pés ternos a mimarem os meus. Gosto dos pés dele. E das mãos, pragmáticas, ágeis, doces. As mãos subiam e desciam em carícias florais nos meus braços. Eu brincava tímida e pueril com as orelhas dele. Ele atreveu o beijo, o beijinho, a testar a emoção. Fui feliz.