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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Há alturas em que nada parece fazer sentido. Em que se procura uma, ao menos uma, explicação, para o tanto que se consegue encontrar fora do lugar.


Não é suposto perdoar biblicamente com a facilidade de quem engole analgésicos, porque não há ainda analgésicos para as dores de alma. Não é suposto essas dores cavarem um buraco tão fundo que não se consiga, eventualmente, tapar, ou esconder debaixo duma qualquer felicidade camuflada. Nem se espera que as palavras se desfoquem assim que as começamos a soltar, pois não?


Mais uma fuga, mais umas pazadas de terra. Terra que se afunda ou dissolve, deixo de a ver e de a cheirar. E cavar dá cabo das costas. Há dores que esperam a cada esquina, que aparecem de surra quando até se começava a esboçar um sorriso.


Mais um dia, um mês, sempre a fingir que não se sente falta de ter onde pousar a cabeça, a fingir que a cabeça está sempre erguida e livre. Não apetece confessar sintomas nem razões. Apetece só que esta ausência se cale um pouco, deixe respirar, permita reconhecer que é possível respirar sem doer.





Há demasiado tudo fora do lugar.