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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Custa-me a entender que a saudade seja um sentmento tão lusitano, que nem tradução directa tenha noutras línguas. Pois se é a saudade a faca mais afiada que separa o que faz falta e o que não faz. A saudade mói. E mata. Muito mais do que fazer falta, a saudade é o que mantém longe uma parte de ti, e não importa a distância física. A saudade rasga a coerência, cilindra completamente a razão.


 


A saudade é uma corrente presa aos tornozelos, não lhe podes fugir, ela persegue-te. A saudade incrusta-se na alma, a cada fôlego vai fazendo parte de ti, presente em tudo o que fazes e pensas e dizes.


 


A saudade é uma merda, só serve para te pôr infeliz.

Amar como te amei ninguém mais ama
De tanto que nem sei se vale a pena
Amar, e sempre amar a quem mais clama
O nosso desamor feito dilema
Dar e não saber se quem recebe
É cego ou não quer ver toda a saudade
Que existe, e que persiste e não percebe
O triste deste amor em fim de tarde
Ninguém mais do que tu foi tão verdade
Das coisas que nos dão razão à vida
Prisão que ontem foi de liberdade
E hoje se transforma em chaga viva
Amar como te amei ninguém mais ama
De tanto que nem sei se vale a pena
Manter nesta paixão acesa a chama
Ou apagar num sopro este dilema
Ninguém mais do que tu foi tão verdade
Das coisas que nos dão razão à vida
Prisão que ontem foi de liberdade
E hoje se transforma em chaga viva


 


Está frio cá dentro de mim. Os pássaros recolhem, as flores caíram, o branco toma conta do tempo. Do ontem, do amanhã e depois. Doem os ossos encolhidos, a pele áspera arde. A geada. Está escuro neste inverno de mim. Ainda cheira a lenha queimada, as brasas abandonadas persistem na memória e queimam...

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