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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

É bom ter cúmplices, longe da banalidade das palavras e dos rituais cansados, ter quem nos conheça um pouco sem os estereótipos cara-nome-morada, ser quem se é só porque se pode, sem expectativas a corresponder, sem cobranças nem juízos.
É muito bom.
Devia ser sempre assim.


 


A realidade devia continuar os sonhos, não castrá-los. É uma pena... 


Mas enquanto sonhar for possível, aproveitemos para ir sorrindo os sorrisos que a vida vai roubando.


 


Sair à rua com uma sede imensa
de te esqueçer
sentar-me num lugar com indiferença
por não te ver
e de repente sei que é isto que eu não quero
olhar à volta e saber que ainda te espero
sentir a sensação de quem não está no seu lugar
não quero lá estar
assim...


nha cretcheu
nha cretcheu...


voltar a casa com um sentimento
de solidão, 
fingir que estás no pensamento
sem razão
e de repente sei que é isto que não quero
voltar a casa e saber que ainda te espero
fazer de conta que já estou no meu lugar
mas não quero lá estar
assim...


nha cretcheu
nha cretcheu...

Consegui contigo, como nunca antes tinha conseguido, visualizar o futuro das imagens que me plantaste. Nós dois a correr mundo de mãos dadas e sorrisos ao alto, a chegada dos bebés que tanto me pedias, os nossos abraços cada vez mais estreitos, os sorrisos cada vez mais cúmplices, envelhecermos juntos no campo, na quietude que tanta falta nos faz. Visualizei netos a ouvirem embevecidos a nossa história, a mais linda de todas, passeios de bicicleta com aquele perfume do nosso rio, milhares de disparos de obturador a perpetuar o que foi nosso desde sempre, os passos gigantes nas promessas que nos fizémos.


Vi claramente todas as imagens.


E acreditei que seria assim. Tu fizeste-me acreditar. Tinhas a certeza, repetias. Era o nosso destino, que escolhemos de entre todos por ser o mais bonito, o mais certo, o único feito de luz.


 





Se já nem na minha cabeça podia confiar, se o nosso filme foi cortado e a bobine quebrou, que mais podia eu fazer?


No, you weren't for real. You should have told me.