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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

E quando conheces o teu coração e sabes que ele não cansa? Quando sabes que do mesmo modo que sempre arranja fôlego para amar mais um pedacinho, para perdoar, para aguentar o insustentável, o teu coração quando ama não deixa de amar, não te deixa esquecer?


Há corações assim. O luto dura, e dura, e dura, as memórias são corridas a pente fino e depois repetem e repetem e repetem. E deixa-se correr, na esperança que um dia passe a dor e o amor. E correm suspiros agarrados a lágrimas saídas lá do fundo, correm, correm. Tanto sal, tanto sal. A dor apega-se ao coração, anda sempre juntinha, como um nó que se usa ao peito, à espera que alguém tenha unhas para o desatar. E pesa. E quanto mais tempo passa mais pesa. A dor em estado líquido procura pretextos para se soltar sem assumir o nome que tem, procura uma cena dum livro, um filme lamechas, um silêncio às escondidas. E passam os meses e os anos e a dor está lá, onde ainda está o amor, empedernido e sólido e persistente. Como esqueces, quando deixas aproximar alguém do coração, que deita a mão ao nó, o afaga, te embala, te mostra o amor em cores novas e deliciosas, e acaba por fazer um nó maior e mais apertado em cima do outro? Se um coração sobrelotado já é tão confuso de gerir, como fazer quando precisas de fazer limpezas lá dentro e as portas e janelas estão todas fechadas a cadeado?


 


Como se desatam nós destes a não ser com navalhas?


 


Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está? 
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar. 
É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução. 
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. 
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. 
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Miguel Esteves Cardoso, in Último Volume

O vosso bocadinho do "em bom português" é um dos poucos programas realmente educativos da televisão nacional - os meus mais sinceros parabéns por isso. Mesmo agora com o novo "aborto" ortográfico (não é uma inevitabilidade, mas para o caso vamos fingir que sim), é importante continuar a ensinar (até porque há novas regras absurdas e se a maior parte da malta não vai lá quando é racional, assim então é o caos).


 


Mas, pá!... Ter erros ortográficos no "em bom português" é que não! Vamos lá a acordar e repetir todos juntos:


"Antes da pontuação NUNCA se coloca um espaço!" Boa?

Há tantas coisas curiosas em que tenho vindo a reparar…


 


Há as pessoas com quem sabemos que podemos contar porque já deram provas disso, porque inspiram confiança, porque estão lá sempre que precisamos, para quem estamos também sempre disponíveis. Podemos estar com essas pessoas com frequência ou não, não importa para o caso. Ligam-nos quando têm uma boa nova a partilhar, quando estão em party mood e querem que vamos também, quando se partilha uma insignificância qualquer. E o mesmo quando está tudo péssimo, quando se está em baixo, ou perante uma daquelas amarguras que a vida se vai lembrando de trazer, em maior ou menor quantidade e significância, para uns e para outros. Tudo óptimo, é assim que deve ser a amizade, para a saúde e a doença, nos momentos bons, maus e assim-assim. E depois há os outros. Os que nos conhecem. Os que estão connosco todos os dias e nunca perguntam nada de mais, só small talk, também não partilham nada demais. OK. Ou os que já não estão connosco há algum tempo. Conhecidos de rambóias, ou de trabalho, ou outra circunstância qualquer.


 


Imaginemos um cenário (real, qual é a dúvida?).


Tens andado ausente, por outros motivos, da semi-rambóia semanal a que costumavas juntar-te com o grupo de conhecidos lá do sítio. Uma destas pessoas pergunta-te há uns dois meses o que era feito de ti. Respondes que tens muito trabalho, pouco tempo, o que é a maior das verdades, etc. e tal. A pessoa diz “OK é uma chatice. Então ciao”. Passa-se mais um mesito e constatas que a mesma gaja pessoa vai fazer uma festa de ano novo numa casa de férias, para a qual convida a malta do costume. Constatas igualmente que não foste convidado. Não gostas muito mas não estás para te chatear com merdas dessas. A vida segue e por acaso começa a correr-te mal num determinado aspecto. Eis senão quando a pessoa que aparentemente não se lembrou que existias, passa a ter saudades de conversar contigo. Todos os dias. Quer saber de ti. Porque estás tão em baixo. O que se passou. E o porquê, e o porque não e a coisa da tia. Quer emprestar o ombro “amigo”, combinar cenas e, essencialmente, cuscar todo o ínfimo detalhe da tua vida. É curioso, não é?, como as pessoas que se esquecem de ti durante meses, de repente lembram-se de ti todos os dias.


 


As pessoas não valem um tostão furado.

De frente para a moldura, o branco enquadra a tua ausência. De onde nasce a incoerência da provocação, já te questionaste? Afastas como quem puxa, repeles como quem implora. De tanto esqueceres as palavras, o silêncio passou a dizer tudo. Que rota é a tua, se perdeste o farol, meu naufrágio? A deriva só premeia os bravos... Lembras-te de quando eras bravo? Erguias os braços até às estrelas, se lá me escondesse. Voavas para mim sob tempestades de granizo. Agora tens medo de qualquer corrente de ar... Até a moldura profanada na sombra diz mais que os teus olhos, que vi chorar, que vi amar. É bom ficar com evidências antes que o esquecimento varra as últimas penas, as últimas pétalas.


 

Sim, já cometi erros. Os suficientes. Alguns bem grandes. E já sofri com erros alheios.

De todas as vezes aprendi qualquer coisa, sobre mim, sobre outros ou sobre alguma coisa.

E também aprendi quando perdoei erros que me magoaram. Aprendi quando pedi perdão.

 

É que é preciso ter humildade para aprender. Para tentar correndo o risco de se falhar, para aceitar a derrota, para assumir que se erra. E é preciso ter humildade quando se perdoa também, porque perdoar é saber que toda a gente erra, e que nós ta,bém errámos e vamos tornar a errar.

Não perdoar é uma atitude arrogante. E não digo que no perdão esteja implícita uma mensagem permissiva de voltar a permitir que o mesmo erro ou a mesma pessoa nos torne a afectar. Mas digo que o perdão é uma tolerância que traz sabedoria e traz paz.

 

Por saber tudo isto, por já ter alguns calos da vida, já perdoei muitos erros. Alguns demoram muito tempo a processar até chegar lá.

Os mais difíceis de perdoar são os que eu cometi, talvez porque quase todos os dias sinto as consequências na pele.

E os erros que foram cometidos contra mim por conta de erros meus, por quem já eu havia perdoado tanto e tantas vezes... Tenho a capacidade de perdoar dentro de mim, porque sei que sou capaz. Só acho que pode demorar dois ou três milénios...


 


Reborn and shivering


Spat out on new terrain


Unsure, unconvincing


This faint and shaky hour


 


Day one, day one


Start over again


Step one, step one


I'm barely making sense


For now I'm faking it


'Til I'm pseudo-making it


From scratch, begin again


But this time I as I


And not as we


 


Gun-shy and quivering


Timid without a hand


Feign brave with steel intent


Little and hardly here


 


Chorus:


Day one, day one


Start over again


Step one, step one


With not much making sense


Just yet I'm faking it


'Til I'm pseudo-making it


From scratch, begin again


But this time I as I


And not as we


 


Eyes wet toward wide open fright,


If God is taking bets, I pray he wants to lose


 


Day one, day one


Start over again


Step one, step one


I'm barely making sense


Just yet I'm faking it


'Til I'm pseudo-making it


From scratch, begin again


But this time I as I


And not as we

My bluebird has broken wings, refuses to fly.


The wind is heavy and moist and lays with sorrow over the grass.


The wind also gets tired of holding wingless birds up in the air.


And as the bird is diving into an endless fall, the lonely wind fades and ends it all.


 


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