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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

 


 


 


O ideal para qualquer criança era ter um lar saudável, um pai e uma mãe, dois avôs e duas avós, todos com muito amor e respeito para dar, carinhosos, sensatos, pacientes, com conhecimentos de pedagogia, psicologia, medicina e já agora magia.


Mas não há famílias ideais, nunca houve. Nada na vida é ideal. Todas as famílias têm questões a resolver, não há pessoas perfeitas, e há muitas pessoas (infelizmente demasiadas) sem a mais pequena aptidão para ter filhos (nem sequer estou a falar das condições - higiene, segurança, estabilidade). Pais que abandonam, maltratam, vendem, molestam, torturam os próprios filhos, são chocantes e deixam-nos perplexos, mas não são raros. Se estas pessoas deviam ter filhos? Obviamente que não, diz a razão, obviamente que sim, diz o livre-arbítrio e a lei.


Famílias disfuncionais são ainda mais, e por múltiplos e variados motivos. Às vezes as consequências para os menores são devastadoras e estes são afastados da família.


 


De facto, há inúmeras crianças pelo mundo fora que nunca tiveram pais, uma família, um colo. Por outro lado, há imensas pessoas que não conseguem ter filhos, ou que conseguem mas querem adoptar, sejam quais forem os seus motivos. Algumas destas pessoas são sozinhas, outras vivem como casais. Pessoas de todas as cores, credos, nacionalidades e tamanhos. Umas são mais ricas, outras mais pobres. Pessoas todas diferentes, algumas que já têm família, e até outros filhos, outras que querem dar uma família a alguém. Alguns dos casais que querem adoptar são casados, outros não; alguns são casais heterossexuais, outros são casais homossexuais. O que é que isso interessa?! Os casais separam-se, divorciam-se, afastam-se, tornam a casar; as famílias abarcam filhos de casamentos anteriores e posteriores, parentes, irmãos, tios, primos... Porque há-de a lei privar tantas crianças de acederem a essa felicidade que é não estar sozinho no mundo?! Porque tem a lei de impedir que algo tão natural como constituir família esteja vedado a casais homossexuais? Alguém retira filhos às mães solteiras por não fornecerem uma figura paternal às crianças? As famílias monoparentais estão porventura condenadas a traumatizar as crianças? A alternativa que a lei e o estado fornecem é deixar as crianças crescer num ambiente institucionalizado de regras e sem figuras-modelo. É isto que queremos fomentar, uma sociedade ainda mais desumanizada?


 


Podia continuar por capítulos inteiros. Esta temática envolve questões tão importantes quão delicadas, e há muitas questões cuja resposta formal do estado português não entendo, de todo. Mas disto não me restam dúvidas:


 


 


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