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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem


 


 


I gave up on you a number of times. Each one, you stopped me. You made promises and begged me not to walk out the door. A few times, I was just so tired of the loneliness, of the emptyness, of the distance, that Ireally did walk out the door. And you came and get me later on. And again, the promises. I tried, so very hard, to believe you. I did for a while. Then I just kept waiting for a miracle. And the miracle never happened. I was so tired, so hopeless... I tried every way to make you stop me from giving up on you.


And then you gave up on me and opened the door.


 


Someday, when I'm strong enough, I'll write everything and call it a screenplay. A mad woman will play me and a shallow man will play you.


 


 

Regra geral. Tal como não repito viagens, regra geral.

 

Apoquenta-me constantemente a consciência da finitude, da perenidade, do tempo que só escoa num sentido. Preocupa-me não conseguir chegar a tudo quanto sonho (quem manda sonhar demais?), não ter tempo para concretizar. Arrelia-me pensar que estou a repetir um caminho conhecido, um parágrafo já saboreado. A segurança das rotinas faz-me espécie e por isso evito as evitáveis. Ir jantar aos mesmos restaurantes, ouvir playlists na mesma ordem, entrar sempre pela mesma porta, cria-me uma espécie de desassossego de estar a perder alguma coisa de novo que se passe do outro lado.

 

Igual com os livros, igual com os sítios. Reler o mesmo romance é tirar o lugar (ou o tempo, esse tirano) a outro que ainda não li. Voltar ao mesmo sítio, quando são tantos mais os que ficam por visitar.

 

Claro que há excepções que confirmam a regra. Sítios que foram visitados com pressa e ficou a sensação de que a experiência não ficou completa, ou que de outra perspectiva as sensações seriam tão distintas. A "alma de cientista" (não fui eu que disse) que me habita obriga-me a tirar a limpo as dúvidas, tenho de saber, e lá vou eu. A companhia (ou ausência dela) transforma uma viagem, isso está comprovadíssimo. Tal como entre ir em "excursão" (blhargh, ptui) é o oposto de ir numa aventura independente.

 

Os livros, por sua vez, assumem significados distintos consoante o ponto da vida em que nos encontramos, também não tenho dúvidas. Reler os livros que na adolescência nos marcaram e nos 'mudaram o mundo', em que nos sentimos espelhados ou chocados ou deslumbrados, ou que nos acompanharam em momentos particulares, em fases da vida mais ou menos viradas "para dentro", é uma experiência que não se repete, por forçosamente não se poder repetir.

 

 

 

E depois há as obras-primas. Há os autores geniais. Aqueles que, quanto mais lemos outros, quanto mais aprendemos, quanto mais sabemos apreciar, mais e mais gostamos, mais e mais admiramos. Aquelas palavras em que em cada esquina de página descobrimos uma nova verdade de bolso, uma reflexão mais certeira, um presságio mais afinado. Aqueles que nunca se esgotam. A literatura que faz parte do nosso íntimo e ao nosso ritmo, que se cola às sinapses e nela se canoniza. Os sublimes.

 

 

 

 

 

De onde se conclui que, para o Saramago, meia dúzia de Nobel não teriam sido demais. E que o Zé Luís caminha a passos largos para este destino.