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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Obrigada, Pedro.


Finalmente alguém, para mais um rapaz, confirma que eu não sou uma E.T. por achar que os amores do passado ficam melhor bem longe do presente. Quiseram fazer-me crer que não, que era uma tontice, que era perfeitamente aceitável conviver com fotografias das outras, com poemas e cartas para as outras, dentro de caixas guardadas no móvel da sala, à mão de semear, a respirar o mesmo ar que eu. Quiseram fazer-me de parva ou de tola por me sentir incomodada com as recordações, com o pijama preferido que tinha sido presente de outra, ou as chávenas de café presente doutra ainda, com o isqueiro gravado por uma terceira, com a t-shirt com dedicatória guardada durante 12 anos porque tinha sido escrita pelo primeiro amor, com os livros e caixinhas e conchinhas e tudo o resto.


 


As minhas recordações de outras vidas, algumas, também ficaram. Há uma caixa algures com molduras para que não tornei a olhar, há fotografias que guardo com carinho e que cuidei não fossem vistas por acidente, há uma caixa de chás a que tapei a imagem, há uma aliança que não tornei a usar. É uma questão de respeito, de clareza, de não deixar que restem raízes soltas no mesmo vaso que se rega.


São as pequenas coisas que fazem a diferença, toda a diferença.


 


Eu não sou louca. Ou pelo menos, não era.