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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Não escrevo porque dói escrever. Dói cada sílaba, que sai com esforço e dói o peso das memórias do melhor e do pior que as palavras trazem.

Como diria o Eugénio, "as palavras estão gastas". As palavras são ferros em brasa que queimam na carne a lucidez que ainda não quero enfrentar, são gotas insignificantes que se perdem se as lanço ao mar. As palavras doem-me.

Agora, de cada vez que estou na fila para o embarque, faço questão de olhar bem para os passageiros, só para ter a certeza de que o Romney não vai no meu vôo, não vá o tipo ter afrontamentos e abrir uma janela...


  • Contar carneiros - obviamente, não resultou;

  • Ler blogues - nem os mais entediantes me dão sono;

  • Fazer um curso online de francês - no fim do 4º capítulo percebo que não estou tão enferrujada quanto cria;

  • Ler manuais da máquina fotográfica - too geek to be bored with it;

  • fazer um post idiota para fingir que o blog não está às moscas...

Porque assim que chego e abro a caixa de correio caem-me 300 Kg de papel em cima e, believe it or not, o mais interessante da pilha era a factura da água.

 

Porque tenho 2 médicos a dizerem-me que a medicação que tomo é fraca demais (14 comprimidos diários e uma injecção quinzenal) e 2 médicas a dizerem que não podem aumentar a medicação porque já tomo drogas demais.

 

Porque depois de estar mais de uma hora numa Worten à espera que tratem dum último equipamento em exposição que pretendia comprar, o empregado desaparece enquanto eu (oportunamente) aproveito para fazer umas pesquisas nos laptops que têm em exposição e descubro o modelo acima do que ia comprar pelo mesmo preço numa loja concorrente.

 

Porque na minha língua materna as faltas de profissionalismo me parecem ainda mais gritantes.

 

Porque as plantas cresceram lindamente na minha ausência e no dia seguinte ao meu regresso começam a murchar...

 

Porque as pessoas em quem confio me desiludem mais do que os desconhecidos.