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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Mámen, you rule.


 


Sou feminista ou eu nunca entraria num lugar vedado a mulheres


 













 

Sobretudo se os começos são de algo que nos é particularmente querido. Para mim, hoje é dia de começar a dobrar. Por um lado, iniciou-se hoje um curso sobre algo que adoro e assim que vi que ia existir dei, mesmo de verdade, pulos de felicidade. O meu Homem, que é o mais amoroso de todos os homens, ofereceu-me a inscrição. E melhor ainda do que aprender, que é das sensações mais prazeirosas que se pode ter, é tirar uns dias para conhecer o mundo, deambular por aí: viajar é mesmo o que mais gosto de fazer, faça sol ou chuva (como parece que vai ser o caso). Portanto, hoje (às 18:00 em ponto, que saí do escritório tipo flecha) também começaram as primeiras mini-férias do ano.

Vou fazer as malas, yupiiii!

Não vi todos os filmes nomeados, mas fiquei muito contente com a vitória do Birdman. Adoro filmes inesperados e verdadeiramente artísticos. Também gostei imenso do Whistler, o Óscar de melhor actor secundário só podia ser do J.K. Simmons, absolutamente fenomenal. Tentei 4 vezes ver o Grand Budapest Hotel e não consegui terminar. Que tédio, senhores (as tentativas foram todas em voos intercontinentais, mas creio que não deve ter sido esse o mal)! Não me posso pronunciar sobre mais nenhum. Mas posso recomendar que vejam, se ainda não o fizeram, o belíssimo filme do Jon Stewart, Rosewater. E parem para admirar a fotografia, sublime.

O ponto alto do meu fim-de-semana não foi ver os óscares em directo (isso é para quem não tem de acordar às 6:09 para ir trabalhar, ou para quem não desfalece de sono por volta das 22:30 no sofá - I blame it on my thyroid). Não. Foi ir ao Martim Moniz depois de almoçar no Grande Palácio de Hong Kong, comprar uma série de goodies no supermercado Chen e assistir a um bocado dos festejos do ano novo chinês.

Kung Hei Fat Choi!
tira-me do sério! Sobretudo quando é muito bem mascarada com uma postura sobranceira de quem detém a totalidade da sabedoria e experiência e perfeccionismo e atenção ao detalhe.

Azar dos azares, quando as tarefas dessas personagens caem em mãos alheias, caem também os mitos. E ficam os nós para desembrulhar e as correcções para fazer.

Está frio cá dentro de mim. Os pássaros recolhem, as flores caíram, o branco toma conta do tempo. Do ontem, do amanhã e depois. Doem os ossos encolhidos, a pele áspera arde. A geada. Está escuro neste inverno de mim. Ainda cheira a lenha queimada, as brasas abandonadas persistem na memória e queimam...


 


Janeiro 2012

É tão mais fácil e imediato criticar, apontar falhas e imperfeições, sobretudo quando o alvo das críticas não está presente, ou está mesmo ali em frente no espelho, do que elogiar o bom trabalho, valorizar, dar os parabéns por uma boa prestação.


As pessoas estão mal habituadas (ou será habituadas ao mal?) e pouco se faz para quebrar o ciclo. E quando se faz, qual é a reacção? Lado A) Um quase comovente, de tão eufórico, agradecimento, por ser a primeira vez que se recebe um elogio ao francamente bom trabalho. Lado B) absoluto silêncio. 

Deixei de fazer fretes, estou mais respeitadora do meu tempo (que escasseia) e da minha energia. Estou mais feliz com a vida e comigo. De resto, não houve mudanças particularmente estruturantes. Continuo um bicho-do-mato e tão introvertida as can be. Ainda tenho esta mania de misturar línguas diferentes na mesma frase. Não tenho filhos, não tenho bichos, não tenho carro nem bicicleta. E horror a corridas e maratonas que tais. Gosto de alguns blogues (são poucos) mas acho que a blogosfera perdeu qualidades nos últimos tempos. Não sou melhor (nem pior) do que ninguém, mas ainda sou arrogante muitas vezes. Continuo a ser preconceituosa económica e politicamente. Não faço o que mais gostava de fazer, mas até gosto do meu trabalho (já não é o mesmo de há dois anos e picos). Sou, desde sempre, e cada vez com mais afinco, de paixões (ou serão amores?) tão distintas como cravadas na minha identidade. Não tenho uma vida perfeita e cor-de-rosa nem sou sempre estupidamente feliz. Não sou a pessoa tolerante e calma que gostava de ser, mas tenho melhorado alguma coisa. Não tenho metade da saúde que merecia ter, mas aprendi a viver com as minhas limitações e quase nunca me queixo. Já sofri horrores (horrores!) por desamor e ainda me lembro, mas estou a aprender a ser amada por quem merece o meu amor. Ainda gosto de aventuras e de manhãs e de mudanças e de comboios e de aviões. Não gosto de ricos (o tal preconceito) mas adorava ser rica só para fazer alguma justiça e ocupar o meu tempo quando e onde me apetecesse, só com as coisas que me fazem feliz. O que me faz feliz é viajar, aprender, fotografar e sorrir. E escrever, às vezes. Ainda.