Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Muito fácil, muito simples, válido para autocarro, metro, comboio, eléctrico, barco e tudo quanto seja transporte público com lugares sentados.


Sabem aquelas pessoas que, tendo vários lugares sentados disponíveis no transporte público, entram, chegam ao pé dos lugares, mas afinal preferem ficar em pé, no meio do caminho? Estas pessoas não fazem por mal, decerto, até podem achar que estão a ser simpáticos por deixar vago um (ou mais) lugar, só que ainda não perceberam que mais ninguém consegue aceder a esse lugar porque eles estão lá em frente, a impedir o acesso. E além disso, não estando a ocupar o lugar sentado vago só estão a ocupar um lugar em pé (ou seja, estão a ocupar o dobro do espaço), tornando aquela carruagem ainda mais apinhada.


Então, o truque é identificar estas alminhas perdidas e perguntar cordialmente: "O senhor não se vai sentar? Nesse caso permite-me que passe e me sente eu?" Não esquecer e agradecer com um sorriso genuíno (o sorriso tem um efeito pedagógico na memória das pessoas). Com um pouco de sorte, a criatura percebe que estava a empatar o caminho e se calhar vai evitar repetir a graça.



Se algum de vós é uma destas criaturas que ainda não entendeu que os grupos de pessoas em movimento se comportam de forma análoga à mecânica de fluidos, eu explico: os vossos corpos têm volume, tal como os pertences que transportam. Se não se querem sentar, encostem-se a um sítio que não o meio dos corredores de passagem (por onde escoam os outros passageiros, como se de um cano se tratasse); caso contrário, o volume ocupado impede que outras pessoas fluam, e que ocupem os lugares disponíveis. Ou seja, os "empatas" funcionam como um monte de papel higiénico que não anda nem deixa andar, entupindo o cano.


Simples de entender, certo?

Uma vez virou a orientação do monitor sem se dar conta e, como não conseguiu desfazer a coisa, pôs o monitor de lado para continuar a trabalhar.

Cravos vermelhos. 25 de Abril sempre. Fascismo nunca mais. A minha favorita de sempre e que tenho como lema de vida e pilar fundamental do meu sistema de crenças: o Povo Unido jamais será vencido.

 

Nasci no seio de uma família de fazedores de Abril. Da geração que cresceu na ditadura, com muitas dificuldades - dificuldades sérias, é preciso explicar, que a palavra se banalizou. De avós operários das fábricas, sem instrução, sem casa própria, que viviam em águas furtadas sem casa-de-banho, que tinham de fazer duas sardinhas e um ovo esticar para alimentarem três bocas. O 25 de Abril trouxe possibilidades inegáveis de uma vida melhor, a capacidade de ambicionar algo mais, direitos, participação cívica, desenvolvimento pessoal. Já não era necessário entrar à socapa nas salas onde se reuniam membros dos partidos políticos clandestinos, atrás da sede do clube de futebol local. Os meus avós ousaram então, só então, sonhar com uma casita alugada, paga do salário deles, com quartos e cozinha e casa-de-banho, até um quintal para poderem semear uns legumes. Os meus pais ousaram encerrar o ciclo: casar e constituir a sua própria família, sem a condenação inevitável da pobreza, sem ser necessário mandar os filhos trabalhar ainda pré-adolescentes para ajudar ao sustento da casa.

 

Eu, tendo nascido anos depois, sinto-me filha de Abril. Tudo o que sou deve-se àquele momento em que homens e mulheres valentes ousaram derrubar o sistema e entregar o destino do país às mãos do povo. 

 

O 25 de Abril é o dia mais bonito. O cravo vermelho é a flor que toca todos os corações. 11155032_10204008002743919_252136526884919777_o.jp25sempre.jpg

 

A Democracia está longe de ser perfeita e está, para mal de todos nós, desvirtuada. Ao 41º aniversário da Revolução dos Cravos as notícias dão-nos conta de mais um vil atentado à liberdade de imprensa pelo arco da governação das últimas décadas, mais um retrocesso nas portas que Abril abriu. Apelo aqui à memória da ditadura, na 1ª ou 3ª pessoas, para que não se ceda nem mais um milímetro dos direitos arduamente conquistados há quatro décadas (salário mínimo, direito à educação e saúde gratuitas, igualdade de géneros, direito à greve, a férias, Segurança Social, etc., etc., etc.), porque ainda há muito a conquistar para que esta sociedade seja realmente justa.

O cineasta português falecido em Abril, com 106 anos, deixou uma obra extensa e aplaudida a nível mundial (sobretudo por quem nunca aguentou um filme dele até ao fim). Convenhamos, goste-se ou não, a sua assinatura de marca passa pela pouca, poucochinha, vagarosa acção e cenas longas, muito longas e paradas. Tal e qual as filas na caixa do Pingo Doce. Sobretudo as que têm como protagonistas personagens da altura do Aniki Bobó.



Explico: acabei de assistir a uma cena digna de um filme de Manoel de Oliveira ao vivo e a cores, e uma cujo argumento vejo vezes sem conta, mudam só os personagens e os detalhes do cenário. Velhinhas com a maior calma do mundo, a contar todas as moedas que têm na carteira antes de entregar algumas para pagar as suas compras, que já foram registadas e aguardam lânguidamente no pequeno balcão da caixa do supermercado. Estas velhinhas frequentemente arrastam carrinhos e troleys de compras, só começam a arrumar os artigos quando já o cliente seguinte está a pagar. Curiosamente, estas velhinhas gostam de frequentar os super e hipermercados na hora de maior afluência. Se querem testemunhar com os vossos olhos estes fragmentos cinematográficos em jeito de ode ao Manoel de Oliveira, recomendo particularmente o Pingo Doce do Cais do Sodré, que é provavelmente o mais estreito e confuso de todas as lojas Pingo Doce (para quem não conhece, é uma experiência sociológica imperdível), sobretudo a partir das 19:00.

E as pessoas que dizem "*prestácções*" em vez de prestações? E as pessoas que dizem (sempre!) "*condónimos*" em vez de condóminos?

O meu alarme despertador consiste em boa música (a intenção é começar o dia com algum ritmo e boa disposição): o Frank Sinatra a cantar-me uma das minhas canções de sempre.


A actual é I've got you under my skin.


Até aí, tudo óptimo. O assustador é que, ultimamente, o senhor fica a cantar quase meia hora ali mesmo ao meu lado (o homem mete-o praticamente em cima da minha mona) e eu não acordo. Nem o suficiente para fazer snooze, nada, népia.


b0e9557a3841be2bdc20c75dba5560ad.jpg


 

Há mesmo casais que partilham tudo. Muito para além de casa comum, carro, conta bancária. Há casais que partilham até a conta de Facebook. Vocês também os conhecem, andam aí pelas redes sociais com nomes maravilhosos como "José Carla" ou "Vítor Sónia" ou "Mónica Paulo". E isso deixa-me com profundas questões filosóficas.

 

A privacidade, para começar, onde fica? Será que duas pessoas abdicam da sua individualidade, da sua identidade, e não lhes parece nem um pouco estranho? Acham mesmo que a partilha sem limites é sinónimo de amor e de cumplicidade? Para mim vai tudo culminar na perda de liberdade, de autonomia. Não vale tudo, por excelente que seja uma relação, tem de existir uma linha (mais flexível ou mais rígida) a partir do qual o outro deixa de ter de saber ou tem uma palavra a dizer. Isto também é respeito. Já para nao falar dos "amigos" na rede social que têm todo o direito de só pretender manter uma relação virtual com um dos elementos do casal, ou partilhar certos conteúdos com apenas um e, por arrasto, ter de o fazer com mais uma pessoa.

 

E quais as razões para nascerem estas aberrações de duas cabeças? Será para poupar alguma coisa - porque não sabem que as contas são gratuitas? Será que um dos elementos do casal insistiu muito para fundirem as contas pessoais com meio milhão de argumentos válidos, do tipo "é mais giro assim" ou... hmm...  (Não me ocorre rigorosamente nada!) Isso parece-me, claramente, que arrasta um certo grau de desconfiança ou necessidade de controlo da outra pessoa. E já devíamos todos saber que o ciúme desmedido e outros comportamentos obsessivos numa relação de casal são um caminho muito perigoso...

 

Não bastava a conversa de neoliberal barra patrão barra fascista mesmo (somos Charlies, não é?), como ainda a comparação mais nonsense desde um livro da Margarida Rebelo Pinto.

(Eu juro que tento, mas não consigo achar ponta por onde se lhe pegue, ao blog do moço.)

Esta foi a questão que alguém se propôs responder com substância científica e... conseguiu. Os cromos das universidades americanas de Standford e Cornell desenvolveram um algoritmo capaz de detectar um troll mesmo antes deste fazer 10 comentarios num site, diz a notícia do TeK Sapo. Esta é bem capaz de ser uma ideia milionária!



 

O meu instagram está cheio de meninas (muitas bloggers incluídas) de ar feliz e contente e a usar calções durante o dia (e nos últimos dias, também). Fui verificar ao IPMA, porque eu estive o dia todo com frio suficiente para jeans e t-shirt não serem suficientes. E não, não deve ser só efeito da minha tiróide preguiçosa, o tempo está mesmo fresco e com uns chuviscos na maior parte do país. Será que já todas trocaram o guarda-roupa de inverno pelo de verão, sem paragem pela meia-estação?


1804.PNG


 

Pág. 1/2