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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Toda a gente comenta, toda a gente tem uma opinião sobre um senhor que mudou de emprego (foi no final do contrato e ainda foi ganhar mais, queriam o quê?!), e o outro que ficou no desemprego e mais não sei o quê. Nem que seja para criticar ou gozar com alguma situação (pronto, com o bronco de serviço aqui em baixo), todos têm uma palavra a dizer, ninguém se abstém ou encolhe os ombros, quais Nunos Rogeiros a brotar do chão que nem cogumelos em Novembro.

 

O que eu gostava mesmo, mesmo, era de ouvir metade desta malta a ter metade das opiniões e teorias sobre a (des)governação do país e no dia das eleições vestir a camisola (uma qualquer, desde que fizesse ouvir a sua vontade e opinião) e ir votar com um décimo da vontade com que celebra as vitórias do seu clube desportivo.

Falo baixo, dizem-me. Acredito. Não suporto que estejam bem pertinho a quase gritar aos meus ouvidos. Não suporto que outras pessoas ouçam conversas que não lhes são destinadas. E recordo o que um grande e excelente professor que tive, que apenas narrava com o seu tom grave, mas baixo -  e quase monocórdico -, histórias deliciosas durante 55 minutos (as suas aulas deviam ter 90 minutos mas ele considerava anti-pedagógico e ao fim de menos de uma hora mandava-nos embora) e odiava ruídos de fundo, ensinou: só precisa de falar alto quem não tem nada importante a dizer; quando a mensagem é relevante, a audiência faz silêncio para que se oiça o narrador.