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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Há uma repórter da RTP, em directo, à porta do Hospital da Cruz Vermelha, onde Maria Barroso está internada, em coma. Chama a atenção para a outra dimensão que ganha o título de uma entrevista de Maria Barroso há algum tempo "valeu a pena ter vivido". A SIC também lá está e aposto que a TVI e os outros todos também.


As televisões e os jornais já andam a compilar a história de vida da senhora, noticiam ansiosos que o seu estado se agravou e já vão fazendo os resumos biográficos. Nas redes sociais vê-se notícias e fotos antigas recuperadas.


A besta do António Costa diz que "era uma mulher muito querida" de todos eles e que "foi uma mulher extraordinária". Era? Foi?! Não podem esperar que a senhora parta em paz para darem início ao elogio fúnebre?


Pode ser dos meus olhos, treinados para detectar cinismo, mas... O que eu vejo é uma cambada de abutres a rondar, o que eu leio nos títulos das notícias é "Maria Barroso ainda não morreu", e os abutres esperam, com capas e reportagens a postos, que a senhora faleça. E isto, não sendo chocante, mete um bocado de nojo.


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(foto retirada do grupo "Fascismo nunca mais") 


(Este post utiliza a figura dos abutres como metáfora, por se tratar de uma ave necrófaga, não devendo ser entendido como ofensa de qualquer tipo aos mesmos. Pelo contrário, escreve-vos uma admiradora dos mesmos. Sabiam disto?)

Não sou mãe, nunca estive grávida (que eu saiba) e também nunca tive a menor dúvida que interromper uma gravidez não deve, não pode, ser crime, nem para quem tem o feto dentro de si, nem para os profissionais qualificados que ajudam a terminar a gravidez com condições de higiene e de segurança.

 

Mas há um grupo de cidadãos, "Pelo direito a Nascer", liderados pela ex-deputada do PSD, Isilda Pegado, que propõe o fim da isenção de taxas moderadoras para as mulheres que optam por fazer uma IVG e que vai levar esta proposta ao Parlamento no próximo dia 3 de Julho.

 

São dois disparates de uma só vez. Se só o conceito de taxas moderadoras na saúde é um absurdo que serve principalmente como mais um factor diferenciador e que impede o acesso de quem menos tem aos cuidados básicos de saúde, a sua aplicação no caso da IVG, que é, por muitas mulheres, motivada precisamente pela falta de condições económicas para ter um filho, é claramente um desincentivo (usando um eufemismo) à mesma. Outra coisa não seria de esperar por parte direita conservadora e ressabiada pelos resultados do último referendo e a nova legislação. Mas, até para eles, obrigar a grávida a assinar uma ecografia para autorizar o procedimento é apenas um requinte de malvadez.

 

Que os eleitores não se esqueçam disto quando forem votar nas próximas legislativas!

 

 

 

Sobre o tema, partilho o texto da Pólo Norte, porque concordo em absoluto com o que diz, e porque tenho sempre um especial orgulho nas pessoas que já foram de direita e depois vêem (pelo menos um bocado) (d)a luz.

 

 

 

 

 

 

Já agora, fiquem com o link de uma página que reúne informação e pontos de vista sobre o aborto, bem como sobre a contracepção, legislação em vigor, etc.: www.aborto.com

 

 

 

*algures no blogue, talvez mais do que uma vez, a PN menciona que já foi militante do PSD