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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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E amanhã começa o ("meu querido") mês de Agosto, aquele em que meio (ou 80%) país pára, vai a banhos, come bolas de Berlim com açúcar e grãos de areia, gasta todo o subsídio no aluguer de um apartamento na Mantarrota ou, em sendo mais chiques, no Inatel e suas variantes. Ide de férias rumo ao Sul, caro assalariado! Vinde de férias no Mercedes alugado, caro imigrante!

Mais importante, não vos olvideis que hoje é o Dia do Orgasmo e comemorai. Recomendo (só hoje, que é dia de festa) dois a três a cada português - porque nós merecemos!

Não sou uma daquelas pessoas de pessoas. Não gosto de pessoas (generalizando e arredondando), porque sou introvertida e impaciente e impulsiva e outras coisas começadas por i (sim, idiota encabeça a lista de qualidades). Ou seja, nunca quis trabalhar com pessoas (saúde, acção social, tudo o que envolvesse atendimento ao público e lidar com muitas pessoas diferentes diariamente seria tortura, juro), não sou sociável, não é fácil dar-me a conhecer profundamente.

E depois vêm as excepções. As improbabilidades. E os laços nascidos entre gargalhadas e leituras intuitivas. 

A colega mais querida, a que me mandou os primeiros beijinhos, por telefone, naquela empresa (e eu nem sabia quem ela era) vai reformar-se. São décadas naquela empresa, com colegas-amigos da mesma geração, com estórias mil, confidências, uma vida! E é a mim que ela dá a notícia com os olhos (duas estrelinhas tão generosas) marejados dos suspiros saudosos em antecipação. Tenho tido sorte com as pessoas que deixo entrar cá dentro, pois tenho.

 

 

 

 

    • Quem fala de política sem medo de divergir da maioria.

 

    • Quem é fiel aos seus princípios e defende até ao fim aquilo em que acredita.

 

    • Quem trata bem os animais.

 

    • Quem sorri quando fala e ouve falar de viagens boas.

 

    • Quem leu pelo menos dez vezes mais livros do que teve namoros.

 

    • Homem com barba.



Che Guevara sexy barba comunismo política

 

 

 

Disclaimer: as minhas definições, a vocês (os três) que me lêem, estejam à vontade para discordar.

Calma, não é para destruir o gelado. Esta receita só destrói mesmo qualquer dieta. 


Se gosta de pão de banana, deste ainda vai gostar mais!


 


Pão de gelado


 


500 g de gelado cremoso do sabor que preferir


190 g de farinha com fermento (ou juntar 1 colher de chá de fermento em pó à farinha)


30 g de pepitas de chocolate (opcional)


 


Muito fácil de fazer, vejam aqui.



A nossa sugestão para transformar esta receita em algo saudável e bom: em vez de gelado, usar nicecream (gelado vegan, só com fruta congelada e triturada até atingir uma textura cremosa - faz-se tipicamente com banana, mas podem experimentar misturas e variações). Em vez de farinha de trigo, usar farinha de aveia ou trigo sarraceno. E em vez do chocolate, usar pepitas de cacau puro ou chocolate sem açúcar, ou pedaços pequenos de fruta ou de passas.

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça! 


Aplicações para smartphones (algumas exclusivas para iOS mas muitas também para Android) desenhadas a pensar nos casais!


 


Há de tudo, desde aplicações que funcionam como redes sociais privadas, como a Couple, a qualquer coisa que funciona como um walkie-talkie (HeyTell), outras que ajudam a organizar eventos, tarefas e memórias da vida em comum (Simply Us e Avocado), jogos marotos (Dirty Game - Hot Truth or Dare) e até uma app que ajuda a resolver as discussões do casal.



 


Em breve, review das apps Between e Couple.


 


Fonte

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Podia ser o final da história, como tantas outras noites. Mas não, o babe quis ser mauzinho e deixou a donzela a dormir no sofá até perto das 3 da manhã, quando ela acordou espontaneamente e foi a cambalear para a cama enquanto lhe chamava nomes entredentes.

Quase nove da manhã. Ela acordou com dores na coluna recauchutada e nas cruzes e em todo o lado, e nem sabe para onde se virar. Ele deu massagem e beijinhos? Não. Ele ronca.

Mentiraaaa, é só uma review. E eu posso mesmo jurar que ninguém me pagou para dizer isto e todos vão acreditar. Querem saber porquê?


Porque isto é publicidade, sim senhor. Mas má publicidade.


 


Eu até gosto dos produtos Dove, que gosto. E como sou uma jóia de moça, comprei o desodorizante abaixo para o meu Tímido, cheia de boas intenções, pensando que seria agradável como os cheirinhos femininos que uso, suavezinho como o gel duche, nessa onda.


Estava enganada! Esta porcaria cheia a uma mistura de insecticida com agriões e salsa! E deixa uma nuvem na casa-de-banho que me provoca ataques de tosse. 



 

Não há quem me dê mais "pica" conhecer, ou com quem goste mais de conversar, do que pessoas que viajaram, que viram sítios e pessoas e modos de vida e paisagens e formas de arte diferentes dos "nossos". Os viajantes (muito diferentes dos turistas de resorts e excursões) são, indubitavelmente, mais tolerantes, menos "judgemental", mais aventureiros, mais curiosos, mais focados no fundamental e menos apegados ao acessório. Eu não gosto de pessoas, mas gosto de pessoas com vida dentro.

Esta idade que tenho, não a sinto. Não se me impõe, não me limita nem me pesa. Não é muita, nem é pouca e não me importa. Quase sempre sinto que sinto como quando era adolescente. Tudo em demasia, tudo muito intenso, muito forte, porque é tudo muito verdade e não gosto de rodeios. Não sei se pareço muito menos, mas sei que quando olho para trás vejo muitas coisas, muitos dias bem vividos, não lamento nada do que fiz. E quando olho para a frente vejo muito mais, porque me parece que comecei ainda agora, que o universo é imenso e está sequioso de esperar que o encontre. E vou partindo, ao seu encontro, ora pelas latitudes fora, ora por mim dentro. O saco das memórias é desarrumado, já se sabe, sem a ordem que se gostava de encontrar quando se desenrolam novelos. Não perdi nada do que tinha aos 15 anos, parece-me que só ganhei. Sendo sempre a mesma, mudei. Mas não mudei muito. Hoje consigo disfarçar melhor a timidez e de vez em quando já me vejo mulher, mas continuo a ser mais miúda. Continuo a gostar das mesmas coisas, não troquei os ténis por sapatos de salto, continuo a gostar muito de rir com a alma toda. Mas foi só com esta idade que reparei que já sofri como gente grande, e a seguir descobri que queria ter o mundo todo nas mãos e que as dores (mesmo as físicas) são irrelevantes. Foi com esta idade que tomei decisões adiadas e que arrisquei. Foi com esta idade que passei a viver sozinha e a ter tempo para desfrutar da minha companhia. Foi com esta idade que abri os olhos e vi com clareza o que pretendo para mim. Foi com esta idade, mais dia menos dia, que fiz uma directa da discoteca para o trabalho. Foi com esta idade que descobri que o Amor acontece, não se faz. Foi com esta idade que afirmei sem pudores as minhas prioridades e que comecei a colocá-las por ordem na minha vida. Com esta idade saltei de pára-quedas, escrevi mais e melhor do que nas outras idades todas somadas, com esta idade fui seduzida. E foi só com esta idade que aprendi a chorar, a não trancar tudo num cinzento nó na garganta, e parece-me que ando a compensar os anos em que não derramava uma lágrima. Com esta idade percebi que a ideia da solidão até ao fim é assustadora, mas que não troco a minha solidão por companhias ocas e superficiais. Foi só com esta idade que me vi adormecer nos braços de quem amo desde sempre e, por um instante, antes de ceder ao sono, achei que a vida era perfeita.  
 

Estão a ficar umas pirosonas do piorio! Não todas, mas algumas, de um círculo laboral do passado. Não é muito mau estar a fazer um post sobre isto se lhes digo o mesmo na cara e olhos-nos-olhos, pois não? Olhem, se for, que se lixe, é a mais pura das verdades, e uma pessoa tem de desabafar. É que passei 10 minutos no livro das fronhas e ainda estou um bocadinho em choque, a interrogar-me como é que isto aconteceu, quem são estas pessoas e - o pior - será que alguma vez vou ficar assim?


Vejamos:



  • Estão loiras-platinadas-mesmo-muito-loiras-quase-suecas. Isto nos primeiros três dias após a coloração, depois começam a ver-se as raízes escuras e passados quinze dias baixa o look Buraca-Damaia-Cova da Moura. (Impossível não pensar naquela prima da minha colega de faculdade que se interrogava "porque é que estas raparigas loiras tão giras pintam as raízes de preto?")

  • Uma delas colocou mesmo extensões. A mise dá uma trabalheira e como tem de aguentar a semana toda, mete-se uns raibantes a fazer de bandolete, a ver se disfarça as raízes oleosas.

  • Vão a concertos do Tony Carreira. A Rihanna eu ainda tentei compreender, o Anselmo Ralph já foi demais, mas o Tony?! Se isto é assim agora, quando tiverem 40 anos vão vibrar com quem, o Marco Paulo e o Emanuel?

  • Fazem likes nos próprios posts. Em todos e cada um deles. E partilham citações da Chiado Editora, e dizem bom dia e boa noite todos os dias no FB, com imagens de animaizinhos ou poeminhas cheios de erros ortográficos.

  • São as rainhas das selfies. Quatro em cada cenário, sempre a fazer pose, num exercício narcísico contínuo, piores que as adolescentes. Há todo um esforço para parecer que as fotos são 'profissionais' (como em tiradas pelo fotógrafo que mete os noivos na montra numa montagem cheia de corações), mas depois têm os pés cortados ou um caixote de lixo ao fundo.

  • As produções das fatiotas às vezes fazem lembrar aquelas boutiques finas onde as irmãs Kátia Andresa, Ariana Cristina e Bianca Raquel compram os vestidos de folhos para os casamentos. Ele é racha, ele é decote, ele é justinho, ele é transparências. Tudo ao mesmo tempo.


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  • A maquilhagem também está sempre completa (para ficar bem nas selfies, pá!), laranja até ao pescoço. E unhaca de gel (juro que uma delas andava com uma unha de cada cor - "c'horror!").

  • E depois há o bling! Ah, os meus olhos!!! Na sandália, no pescoço, nos dois pulsos, nas orelhas, nos dedos. O statement necklace sentiu-se sozinho e chamou toooda a família. Todos a fazerem statements muito alto.

  • Vivem em apartamentos sem varanda, mas têm cadelas, iguais, a que põem laçarotes na "franja" (?) e casaquinhos no inverno.




  •  Last, but not least, os amantes/namorados que estas moças arranjaram... Elas são boas moças, que são, mas com o tino foi-se a auto-estima. Que os fulanos tenham troncos de seguranças de discoteca e falhas na dentição, que não saibam fazer uma conta de somar, que mostrem as correntes de ouro sobre os peitorais oleosos ou que mastiguem de boca aberta, gostos não se discutem. O que me amofina mais é que o seu Q.I. seja inversamente proporcional à capacidade de infidelidades ata/desata por mês. E que ainda assim possam ser um upgrade em relação aos anteriores.

Os coitadinhos, mesmo vivos, já me irritam solenemente. Irritam-me as pessoas que chamam os outros de coitadinhos, diminuindo-os, e ainda mais me iriam os coitadinhos profissionais, os que fomentam a imagem de coitadinhos e ainda acham que essa é uma boa maneira de obter algum ganho pessoal. Ai, coitadinho de mim, que trabalho tanto, que tenho tantas dificuldades, que tenho aqui uma dor. Em suma, tenham lá pena de mim, que sou *pequenino*.

 

E depois há a outra raça, dos que passam a ser coitadinhos porque morreram. Mesmo que, quando vivos, tivessem sido os maiores bandalhos, patifes, cabrões, filhos da puta. Mas se agora estão mortos, coitadinhos, deixá-los lá descansar em paz. Como se a morte fosse só por si castigo por todas as malfeitorias e apagasse as mesmas e suas consequências. "Então mas agora o que queres tu fazer, ir buscá-lo ao além para dizer-lhe umas verdades na cara"? Não é necessário, digo à mesma e se o mortos ouvirem, melhor.

 

 

 

Eu tenho uma confissão a fazer. Que só é confissão neste fórum, porque na minha "vida real" toda a gente sabe, há décadas, do que é que a casa gasta. O meu vício, o único, é uma paixão desmesurada, uma vocação inusitada, um chamamento. Viajar. É o que consegue dar-me ânimo se tudo o resto correr mal, alegria genuína, excitação, orgulho de estar viva e a aprender tantas coisas, restaura-me uma inocência pueril, inunda-me de ambições gigantes.


Se morresse agora, neste momento, levava fantásticas memórias de aventuras em muitos lugares, que guardo como se de amigos se tratasse, daqueles íntimos, com quem partilhámos alguma coisa profunda, mesmo que durante pouco tempo. E levava comigo uma angústia sufocante de não ter embarcado em mais aventuras, de não ter feito amigos entre outros sítios que me povoam os sonhos desde sempre.


O mundo é tão esmagadoramente grande e intenso, infinito, e tão pequenino. Do mundo que carrego comigo, não como um fardo, mas antes um tesouro fechado na palma da mão, o meu mundo, egoistamente só meu, faço biografia com mapa de memórias. Este mundinho infinito provoca-me, seduz-me. - caraças, que privilégio estar viva e ser testemunha de tanta e tão extraordinária beleza! Que bom, estar apaixonada pela vida.



 

É encontrar um revisor da CP educadíssimo, cordial, sorridente (e com um sorriso genuíno de quem está de bem com a vida) e, ainda por cima, giro nas horas.

Bem-haja, senhor da linha Rossio-Meleças!

(O sorriso é uma arma poderosa, que tantas vezes desarma e confunde. Eu sou das que gosto de desembainhá-la quando em vez em circunstâncias inesperadas, dá-me um gozo danado atarantar pessoas, nada a fazer. Tenho andado esquecida, imersa nas conversas com o meu alter ego. Mas o sr. Revisor agora lembrou-me de boa.)

Que merda de sociedade nojenta, preconceituosa, racista, xenófoba, iludida, alienada, equivocada, é esta, em que ler o Corão é considerado perigoso, em que é possível e aceite com naturalidade que se faça uma queixa por suspeitas de alguém estar pacificamente sentado a ler um livro electrónico, e que um cidadão seja detido, inquirido e tratado como um criminoso porque, repito, estava a ler um livro?!

 

Que nojo é este em que nos estamos a tornar? Ainda há uns meses eram todos Charlies, os mesmos Charlies que apontam e olham desconfiados para pessoas com outra cor de pele, ou com um traje diferente!

 

Não se conhece e não se compreende o que está escrito num livro e até se assume que é um outro livro - e se fosse? Por favor, alguém que me explique porque é que ler o Corão constitui algum tipo de ameaça! 

 

Eu li o Corão quando era adolescente, da mesma forma que li a Bíblia e os Versículos Satânicos do Rushdie, e o Evangelho Segundo Jesus Cristo do Saramago e O Capital de Marx, e muitas dezenas de outros, até policiais manhosos e os livros condensados das Selecções. E Torga, e Urbano Tavares Rodrigues, e Sartre, e Jorge Amado... E se me apetecer levar o Corão na próxima viagem de avião, isso é motivo para me mandarem prender e interrogar?

 

Nestas alturas, e digo isto com a maior sinceridade, fico grata por não ter filhos. Não estou preparada para trazer alguém a este mundo a quem tivesse de explicar estas idiossincrasias, nem a Humanidade merece ter grande futuro enquanto isto for tudo aceite como se não se passasse nada de absolutamente aberrante e perverso. É que este tipo de segregação também é terrorismo. Livros considerados proibidos e perigosos e subversivos eram outra coisa aqui há umas décadas. Caminhamos para lá novamente?

 

 

 

Tinha um ego tão grande, tão grande, que o melhor elogio que conseguia fazer era "afinal, você até é parecid@ comigo em algumas coisas". Só que não.

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