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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Ainda estamos, oficialmente, na silly season. Em Agosto o país está a banhos, as notícias nem chegam a ser parciais de tão tontas (há umas semanas vi um efeito, num jornal da noite, com as cabeças dos líderes dos principais partidos políticos dentro dum carro a dirigirem-se aos seus locais de férias - de onde me surge a exclamação "mas vão todos no mesmo carro?!"). Sendo que o povo português já não prima propriamente pela boa memória, tão pouco pela seriedade quando é chamado a botar cruz nos boletins de voto, esta silly season inquieta-me sobremaneira. Mesmo as poucas pessoas que ainda pensam, falam e debatem política, chegam aos seus dias de dolce fare niente de papo para o ar e a cabeça entra em modo de poupança de energia, em que a decisão mais crítica que deve fazer é se vai para a praia do costume ou se vai para a outra praia, se vai à vila almoçar um peixe grelhado ou se fica por ali e petisca qualquer coisa numa esplanada. (E estão no seu mais pleno e amplo direito, sobretudo após 11 meses de trabalho num emprego cansativo, mal pago, longe de casa, em que são feitas muitas horas extra não remuneradas, com medo de o perder e com ele o sustento da família, dos problemas de saúde agravados pela ansiedade e pelos cortes forçados nos cuidados médicos e até no tipo de alimentos.)

 

 

 

 

Mas é precisamente por isto que a silly season é tão perigosa. O neurónio com consciência crítica e política, a existir, vai de férias e, no regresso, já nem tem bem presentes as patifarias perpetradas durante todo um mandato, ou toda uma república. E depois ainda há a agravante do futebol, ópio do povo, com mais intrigas do que as novelas da TVI, o mercado dos jogadores, os treinadores "traidores", a pré-epoca e toda essa puta da loucura que tem zero interesse para a vida real e os problemas reais do país, mas consegue absorver energias e paixões de homens e mulheres que vivem daquela fogosidade, sofrem pelas suas cores, saem à rua em êxtase quando o seu clube ganha qualquer coisa, mas não têm qualquer interesse em ir votar, ou em conhecer aquilo em que votam.

 

Em suma, o português "médio" (é como o português suave mas sem nicotina) regressado de férias é bem capaz de se ter olvidado dos desabafos, argumentos e declarações convictas do "nunca mais voto nestes ladrões!". Pior, vem conformado e já diz "os outros ainda são piores, querem é encher os bolsos".

 

É verdade que amanhã já será Setembro e vai passar a falar-se da reentrée. Mas quanto ao que interessa, deu-se o reset "que lhes interessa". Em termos políticos, a silly season portuguesa dura 12 meses no ano. E enquanto não for exigida uma cultura política e social participativa, que é o pilar da Democracia, enquanto não se ensinar nas escolas, em cada casa, na comunicação social, que a política é feita por todos os cidadãos e que só não somos donos do nosso destino colectivo se não quisermos, então seja o (des)governo PS, PàF, PSD ou outra corja idêntica, temos exactamente o país que merecemos.

 

 

 


É verão. Os dias deviam ser, ou pelo menos parecer, mais longos e capazes de nos multiplicarem a vontade e a energia. Não sinto nada disso. Os dias são cada vez mais pequenos para lhes encaixar tudo o que quero fazer, nos intervalos do que tem mesmo de ser. Há o terrível desperdício da noite, que me embala como canto de sereia e me derruba as pálpebras exaustas. Num minuto estou cheia de planos para os minutos seguintes, começo um texto, uma pesquisa, um mimo (para ele, para outros ou para a alma - são a mesma exacta coisa), e no minuto seguinte já estou sob um transe profundo em que não oiço nada, não sinto nada, toda eu personagem dum sonho invariavelmente distante.


 

Blogues em serviços mínimos, greve de zelo. Não tarda vêm contar as aventuras e desventuras (calcula-se que pouco aventureiras, ambas), lamentar que se acabou o que era doce, fazer contas para o inicio do ano lectivo, resmungar sobre o tempo que arrefece e a noite que chega mais cedo, pensar em botas, botins e casacos, etc e tal. Eleições, quais eleições? Enquanto isso, eu vou fazendo pesquisas e planos para as "férias grandes" (2 semanas e já gozas, mas ó se as gozas!), curtindo os últimos dias de sossego no escritório, pondo trabalho importante em dia (que no resto do ano dedico-me sobretudo às urgências e miudezas), com a calma que deixo de ter fora do trabalho, que há tantas coisas por decidir e planear, ando num corrupio a comparar hotéis e a antecipar as viagens, e adoro.

Se sofrem, como eu, deste flagelo que é a pele oleosa, mas mesmo oleosa, partilham da minha dor. Deve ser uma minoria, mas garanto que há peles assim, cheia de brilhos incontroláveis, que não toleram cremes, no geral, e ainda por cima são bastante sensíveis. Eles podem ser cremes apenas hidratantes e hipoalergénicos, desenhados especificamente para peles oleosas, com efeito matificante e quase sempre caríssimos. Podem ser em formato gel para ser ainda menos agressivos. Podem ser linhas XPTO feitas para peles adolescentes com acne. Ou bases milagrosas aclamadas por meio mundo, supostamente perfeitas para peles muito oleosas. Não resultam. Comigo, não resultam. Só me dão uma sensação nada fresca e bastante peganhenta de quem tem a cara a escorrer nhanha.


E depois, o Verão. O calor e o Sol podem ser muito desejados por quase todos, mas para a minha pele são o desastre absoluto. Torna-se ainda mais fácil que num instante a zona T fique a brilhar como os biceps dos halterofilistas.


 


Há, contudo, boas notícias. Finalmente, após mais de 20 anos de experiências científicas exaustivas e muitos testes (sempre no mesmo animal - moi même), estou capaz de dizer “eureka! - encontrei a solução!”. Obviamente, é a minha solução, o que funciona comigo, é natural que não funcione da mesma maneira para o resto do mundo. Contudo, pela primeira vez na minha vidinha de blogger (e já lá vai mais de uma década, hein) vou partilhar as minhas "dicas de beleza". Não tornam ninguém mais belo (ohhhh!) mas pode ser que seja útil para alguma alminha gorduroooosaaaa necessitada que por aqui passe.


Vamos por partes, começando pelo princípio (que original!) e pelo mais importante: Lavar.


(Ah, e não, este post não é patrocinado! O que é pena.)



Lavar/Limpar


“Ai que os detergentes são tão agressivos, ai que a água seca a pele” e beca beca. Tretas. Não há leite, tónico ou água micelar (faz-me sempre pensar em sopa de cogumelos) que supere uma lavagem como deve ser e com a frescura da água. Pelo menos ao acordar e antes de dormir. A primeira coisa que faço quando chego a casa depois de um dia de trabalho é descalçar-me, a segunda é lavar a cara, com a ajuda de uma esponjinha ou escova própria para massajar e, em simultâneo, retirar o excesso de células mortas e sujidades. Há líquidos próprios para lavar as peles oleosas e alguns até são bons: dou-me muito bem com os da Bioderma, que são caros p’ra caraças – mas na Polónia são a metade do preço, quando lá fui trouxe 2 ou 3 embalagens para stock!


MAS... para mim a melhor solução é mesmo o bom do sabão offenbach artesanal (da cor do meu coração, ou seja, azul e branco ou ainda na variante rosa e branco). O sabão de Marselha também é muito bom, se for artesanal. Atenção que nem todos os sabões são seguros para usar na pele, sobretudo a mais sensível – quanto menos aditivos, perfumes e “extras” tiver, melhor. Eu comprava os do meu supermercado alemão favorito, mas descobri um sítio em que é ainda mais barato.


Sabonetes, há alguns também bastante bons para a (minha) pele: os de alcatrão vegetal e os sabonetes ayurvédicos. Destes últimos, os indianos Medimix (ali na imagem) são para lá de espectacular. Aquando da minha viagem à Índia, antes de me vir embora, agarrei no equivalente a 5 € e trouxe um saco deles, que ando a racionar desde então.


A esfoliação também faz parte integrante das minhas rotinas. Como tenho pele com tendências acneicas, são frequentes os odiosos pontos negros e brancos, e para prevenir e dar cabo deles o melhor é mesmo a bela acção mecânica. Além da escovinha que mencionei acima (a higiene da mesma tem de ser a mais cuidada possível!), esponjas e produtos com acção mais abrasiva (ou em versão low cost, açúcar) são essenciais. Cuidado para não esfoliarem demais, como me acontece por vezes, e acabarem com a pele magoada.


 


 

Estranha forma de vida esta, para mim era estranha, sem dramas, sem momentos de tudo ou nada, porque é sempre tudo. Tão natural, tão inesperado. Eu já dizia que não acreditava no Amor, bem vistas as coisas, punha-me a pensar e pensava, bem, que aquilo era tudo produto da psicologia vezes o instinto animal-social mais construções de castelos nas nuvens. Pois era.
Só que afinal ele existe, acredito sim, fizeste-me acreditar, sem eu querer. Não no que acreditava antes, noutra coisa, melhor, diferente, cheia de paz e, repito, de naturalidade. Tão natural como a nossa sede do pedaço que faltava, um do outro, encaixe perfeito.
Uma vida inteira. Pela frente e para trás; se me ponho a contar os anos, meses, dias, parece irreal, porque sempre estivemos juntos mas não sabíamos.
De mansinho, um furacão. Não faz sentido mas foi assim. Sabíamos que ia ser assim desde a primeira meia hora de conversa. Perfeito.

Meu Amor-perfeito. ❤

Venham mais 31, muitas vezes.



 

Deve ser um espírito perdido, ou um foco anormal de energia electromagnética (tenho umas teorias sobre isto), mas a verdade é que no outro dia, tínhamos nós acabado de entrar na cama e ouvimos um barulho eléctrico contínuo... Primeiro pensámos que fosse na rua, mas parecia mais próximo, ainda que abafado... Era a máquina de cortar cabelo que, guardada dentro de uma bolsa, e a bolsa dentro de uma caixa de plástico que está dentro do roupeiro do nosso quarto, decidiu ligar-se sozinha. Assim do nada. Juro.


Até pode ser um fantasminha, mas pelo menos parece ser um fantasminha janota e penteadinho. :-)



 

Este artigo não faz sentido nenhum.

 

AntiBlogue Que disparate! A D. Marisa Moura não percebe porque é que os boletins de voto não têm opções "não respondo", eu explico: a Democracia faz-se com a participação do povo. Com decisões, com opiniões, com vontades. Não se faz com ombros encolhidos nem com silêncio. Votar em branco, nulo, ou abster-se é exactamente a mesma coisa, leia-se desresponsabilização. É dizer "o que vocês decidirem, por mim está bem." Não é um protesto, nem sequer silencioso. É não votar. É não assumir a responsabilidade e não exercer o seu direito e dever. As eleições legislativas servem para eleger representantes dos cidadãos num Parlamento. Ora, os votos em branco, nulos e afins não se traduzem em qualquer representação. Faria sentido que o Parlamento tivesse cadeiras vazias na proporção dos "votos mudos"?! Quem é que (des)governava o país então?
As cabecinhas têm de ser usadas para pensar, não pode ser só para usar penteados e chapéus!

 

 

 

Os meses de verão são um prado ressequido por onde arde, impiedosa, a Silly Season, e isso nota-se sobretudo no mês de Agosto. Se faz parte da minoria de portugueses que, como nós, prefere não fazer férias em Agosto (ou não pode) e se vê perante o mesmo dilema de tentar fugir à estupidificação das massas sem saber bem como, nós estamos cá para ajudar, em 3 simples passos.

 

 

 

- Ignorar toda a programação televisiva. [Ou, vá, pode tentar ver as notícias, mas assim que começarem a falar do que almoça David Cameron no Algarve ou outra coisa de elevadíssimo interesse nacional, carregar no botão do OFF. Idem aspas para a rádio.]

 

Arranje um sítio para obter séries de TV. Não estamos, naturalmente, a incentivar a partilha ilegal de ficheiros em clientes de torrents, cruzes credo, jamais! Faça um empréstimo da sua biblioteca/videoteca local, peça a um amigo rico que compre os DVDs ou assim

 

- Recoste-se no sofá com um refresco na mão, ou durante o jantar, e carregue no play, para pôr-se a par de séries boas que lhe possam ter escapado e estar preparado para a rentrée com novas seasons. [Vai dar jeito, acredite, sobretudo se na noite eleitoral as profecias sondagens se concretizarem, porque as notícias daí em diante serão cada vez mais indigestas.]

 

 

 

Aproveitando o destaque do Sapo para fazer um update com algumas coisas que ficaram esquecidas, algumas séries que já toda a gente viu (ou não?)... O que recomenda este casal de geeks



    • 12 Monkeys - Pandemias e Máquinas do Tempo, em tempos idos foi um filme realizado por Terry Gilliam (Monty Python) e protagonizado por Bruce Willis.

 

    • Breaking Bad - do melhor que apareceu pelas TVs nos últimos anos, imperdível! O mesmo não se pode dizer do seu spin-off, Better Call Saul

 

    • Dexter - brilhante Michael C. Hall, brilhante argumento, cativa e faz-nos torcer pelo bad guy, para variar.

 

    • Downton Abbey - das melhores séries de época de sempre, com um retrato social excelente e muito atento a todos os pormenores, delicioso para quem conhece a história inglesa (e fascinante para toda a gente).

 

    • Extant - Halle Berry e colegas de elenco igualmente colunáveis numa teoria da conspiração futurista.

 

    • Fringe - série de culto cá em casa, com muita ciência e universos paralelos.

 

    • Hannibal - A fotografia da série é estupenda, mas o resto é fraquinho. Este Dr. Lecter não consegue, nem de perto nem de longe, suscitar a espécie de empatia aterrorizada que o Anthony Hopkins consegue, os diálogos são forçadérrimos e ninguém percebe o propósito do enredo. Dá, contudo, para matar saudades da Gillian Andersen

 

    • Homeland - Cheio de propaganda política e religiosa americana / ocidental (o que me irrita sobremaneira), mas depois tem uma Claire Danes brilhante no papel de louca genial, e nunca nada é aquilo que parece...

 

    • How to Get Away With Murder - Mais uma trama com o dedo de Shonda Rhimes e culpa a rodos para dar e vender. Viola Davis com momentos de genialidade!

 

    • Guerra dos Tronos - ainda haverá alguém que não viu ou está a ver?! Eu perco-me um bocado no meio de tantos personagens e histórias entrelaçadas (se calhar não devia escrever posts ao mesmo tempo que vejo TV, não é?), mas na verdade aquilo é mesmo bom.

 

    • Mr Robot - Geeks, Hackers e Activismo, mudar o mundo atrás de monitores de computador.

 

 

 

    • Orphan Black - Muitos clones e um desempenho exímio da actriz principal que se desdobra e desdobra e desdobra...

 

    • Scandal - Esqueçam lá a Anatomia de Grey, aqui é que a Shonda Rhimes se esmerou. Muita intriga política onde o bem e o mal não se distinguem facilemnte, e um romance que se torna enjoativo (aqui já há quem torça para a Mellie e o Fizz se reconciliarem e a protagonista Olivia ficar com o Jack).

 

    • Sense8 - genérico excelente, sobretudo para os maluquinhos das viagens (como a Anti-Social), e enredo em que a empatia é levada a todo um novo nível.

 

    • The Affair - Não é uma obra prima, mas prende pelo toquezinho de thriller e a sensualidade natural

 

    • The Following - a série tem um enredo apelativo o suficiente (seita de psicopatas serial killers) para manter a primeira season, depois disso vive quase exclusivamente do Kevin Bacon

 

    • Under the Dome - Terreola americana leva com uma espécie de "queijeira" - a que chamam redoma - em cima. A velha receita de isolar uma população e explorar o pior e o melhor da natureza humana em condições extremas.

 

    • Walking Dead - Apocalipse Zombie, baseada livremente numa Banda Desenhada iniciada em 2003. Os "zombinhos" têm uma infinidade de incongruências e excessos, mas gostamos da exploração da vertente distópica do enredo. (Alerta: aquela malta nunca se lava!)

 

    • Wayward Pines - Mais uma vez, a distopia, a adaptação a condições extremas e uma reflexão muito pungente sobre tudo o que damos por adquirido.



 

 

Discussões destas acontecem muitas vezes cá em casa. Como habitualmente, eu tenho razão e ele não.  Ele gosta de espetar copos nos separadores de pratos e preencher o tabuleiro superior com tupperwares ao molho. Claro que a lavagem sai uma bela bosta. 



 


Como fazer bem, de forma económica:


 


1 – Limpar os restos de comida, mas sem água (basta raspar e, se necessário, usar um guardanapo usado)


2 – Usar o programa adequado. Se não temos tachos com restos de comida ressequidos, não precisamos da pré-lavagem; se só temos copos e talheres, basta o programa mais curto. 


3 – A poupança de energia, água, detergente passa pela primeira regra dos 3 R: reduzir. Ou seja, ligar a máquina (como qualquer outra) só quando está cheia (e aqui volta a ser necessário ter em conta o 1º ponto, porque se ficarem resíduos grandes na loiça e tivermos de esperar 3 ou mais dias para ligar a máquina, esses resíduos vão ficar ressequidos e são muito mais difíceis de lavar).


4 – O ponto da discórdia: acomodar a loiça correctamente nos locais destinados a cada tipo de loiça. Pratos e copos bem colocados serão bem lavados. Se as peças ficarem dispostas ao monte e sem regras vai ficar qualquer coisa que não apanha água e não vai ficar lavada. Eu costumo organizar os talheres nas divisórias (garfos com garfos, facas com facas, etc.) porque fica mais rápido de arrumar na gaveta. Tentar não sobrepor objectos larcos em cima de outros, de forma a não obstruir o acesso da água.


5 – O que não lavar na máquina: loiças antigas e com pinturas ou frisos, peças de madeira ou de plástico fino (pode derreter e deformar).


6 – Usar detergentes específicos para máquina. Ultimamente tenho usado só pastilhas tudo-em-um, que mais cedo ou mais tarde surgem num supermercado com desconto de 50% (só compro nestas condições e, como posso fazer um pequeno stock na arrecadação, compro normalmente duas embalagens de cada vez).

Vamos imaginar uma realidade alternativa (ou nem tanto) em que houvesse pessoas que não saem de casa, não recebem visitas, não vêem notícias nem nada na televisão e a única coisa que lêem são blogs portugueses. Ou seja, o seu único contacto com o mundo "lá fora" são os ditos blogs. (Não aqueles de que gosto, vamos só criticar e desdenhar dos mais conhecidos e bem-sucedidos - que naturalmente também lemos e nos provocam dor de cotovelo q.b.)


Está imaginado? Digam lá se estão a ver o mesmo que eu...



 



Toda a gente é bonita. Toda a gente é magra. Toda a gente é do Benfica. Toda a gente tem sorrisos Pepsodent, dentes alinhados e muito brancos, e as senhoras estão todas depiladas a laser alexandrite. Todos os casais são hiper-mega-felizes, sempre, sem discussões nem arrufos nem tradições, nem palavrões. As crianças são todas lindas, andam sempre bem vestidas e nunca sujam as fatiotas cheias de pinta e cetim e rendas.  Todos os empregos são fantásticos, interessantes e bem remunerados. E com horários espectaculares, muito flexíveis, até dá para escrever e ler os blogues todos do pedaço. As casas estão sempre imaculadamente limpas, arrumadas e bem decoradas. Nunca ninguém tem uma caganeira diarreia (só mental). Toda a gente é desportista, toda a gente corre maratonas, toda a gente vai ao ginásio e tem um PT (já se sabe, chama-se Pedro). As vidas são excitantes e bonitas. Toda a gente estreia roupas e sapatos todos os dias. Que são fotografados por profissionais ou com um iPhone em frente ao espelho. Toda a gente come muito sushi e bebe muito gin. Toda a gente vai ao Mercado da Ribeira e ao Mercado de Algés e ao Mercado de Campo de Ourique (não se percebe porque falam tão pouco no Bom Sucesso, muito mais giro). Lêem imenso, recomendam todos os livros que lêem porque são todos óptimos (mas as lombadas nunca ficam com aquele vinco do uso). Os animais são lindos e bem comportados e tão espertos, nunca têm parasitas. Toda a gente adora os protectores solares Piz Buin, e bebe Água do Luso, e come as mesmas bolachas e iogurtes. Toda a gente usa o verbo piscinar aos fins-de-semana de verão (nos fins-de-semana de Inverno vai-se ao melhor brunch da cidade encher o bandulho). Toda a gente tem óculos de sol da moda, e tem toalhas e almofadas de praia 100% portuguesas, e vai a spas da Odisseias em casal - que são, claro!, o melhor do mundo. As pessoas ficam muito cansadas do seu ritmo de trabalho e precisam muitas vezes de relaxar ao sol, a dois, sem as crias. Ninguém faz publicidade, há é coincidências do catano e gostos muito parecidos. Vai-se imensas vezes jantar e almoçar fora (alguma vez se viu um blogger falar de arear panelas ou queimar o arroz?), mas se houver festa lá em casa o pronto-a-comer do Pingo Doce safa tudo. As maquilhagens são, obviamente, perfeitas e feitas só com produtos de marcas caras, idem aspas para mani e pedicures.


Talvez seja por eu ser do contra, mas... irrealista às pazadas e uma beca enfadonho, não?! 

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