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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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É verão. Os dias deviam ser, ou pelo menos parecer, mais longos e capazes de nos multiplicarem a vontade e a energia. Não sinto nada disso. Os dias são cada vez mais pequenos para lhes encaixar tudo o que quero fazer, nos intervalos do que tem mesmo de ser. Há o terrível desperdício da noite, que me embala como canto de sereia e me derruba as pálpebras exaustas. Num minuto estou cheia de planos para os minutos seguintes, começo um texto, uma pesquisa, um mimo (para ele, para outros ou para a alma - são a mesma exacta coisa), e no minuto seguinte já estou sob um transe profundo em que não oiço nada, não sinto nada, toda eu personagem dum sonho invariavelmente distante.