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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Aqui há tempos, não foi agora, mas hoje é ainda mais nítido. Dantes, a altura da reuniões de avaliação dava-me cabo dos nervos. Era eu a defender o chefe perante os outros índios, era eu a defender os índios perante o chefe, era a esquecer-me que dissesse o que dissesse, quem mandava naquela merda toda havia de nos tramar, fazer um manguito ao prémio que devia ser uma cenoura em frente ao nariz e era mais um castelo em cima duma nuvem (como se as parcas centenas de euros lhes saíssem das carteiras, caraças!), e ainda de baixar administrativamente 2 valores à avaliação que o nosso chefe fazia. A não ser que se fosse família ou amigo de algum administrador, caso em que a notinha se via inflacionada. Ficava desgastada, de orgulho ferido, exausta e sem a mais pequena motivação para entrar no antro (acreditam que o passo desacelerava, involuntariamente, em directa proporção da proximidade da porta?). Agora? Agora tenho violentos ataques de riso no gabinete da chefia (depois de questionar como é possível que tudo seja deturpável sem aviso prévio, mesmo o que está acordado e firmado entre as partes), mas diz que faz bem aos abdominais. A matemática criativa dá cabo de mim e a imaginação de uma aula de matemática com queijinhos aos senhores dos RH (para lhes ensinar sobre intervalos e equitatividade) abriu-me o apetite. Bom, ganhei uma receita de mousse de avelã, não foi uma perda total.

As fashionistas e trend-setters hão-de ficar horrorizadas com as minhas escolhas (e nem precisam de ver as coxas da coxa!), mas eu sou uma miúda low-profile, simples e prática e, basicamente, com o mesmo estilo de roupa desde a minha fase neo-gótica-comuna-punk na adolescência.

 

E sou gaja. Logo, nunca tenho nada para vestir, por muito que o roupeiro não feche de cheio que está. E ainda sou pobretanas. Ou tenho mais onde gastar o ordenado que em trapos (viagens, estou a piscar-vos o olho!).

 

Ergo...

 

A Primark é uma perdição para mim*. Cumpre quase todos os requisitos para me agradar, só falta ter o espaço só para mim, loja online e uma loja física na margem certa (diz que será lá para meados de 2016) para ser perfeita.

 

Tem de tudo, de todas as gamas ao alcance da minha carteira (desde o tão-barato-quase-descartável até ao deves-ter-a-mania-que-és-a-gama-alta-da-Zara), tem acessórios giros, e calçado, e uns jeans que gosto de vestir. Eram baratos, 10€, e depois ainda baixaram de preço. E eu gosto tanto que compro o mesmo modelo em quase todas as cores, e... - o drama, o horror! - compro vários pares iguais e da mesma cor.

 


*sem publicidade paga ou "parcerias". Infelizmente. (Já mencionei que não tenho nada para vestir?)

 

 

Para quem tem de sair de casa cedo e chega a casa tarde, o horário de Inverno é uma seca. Significa sair de noite e voltar a entrar de noite. O dia parece render ainda menos, parece que só vamos a casa dormir e "à pressa".


Na verdade, a hora presente ou de Inverno é a que coincide com a hora solar, no Verão é que adiantamos os relógios para maximizar a luz solar (daylight saving time). Ah, e quem teve esta ideia NÃO foi Benjamin Franklin, mas sim um entomologista neo-zelandês, George Hudson, com o intuito de maximizar a utilização da luz solar e também poupar energia.


Já agora, sabem qual o melhor sítio para certar a hora de relógios e aparelhos electrónicos? É no Observatório Astronómico de Lisboa (podem seguir o link e olhar para o canto superior direito do écran).


Chegou mais uma edição da Restaurant Week (em Lisboa e no Porto em simultâneo). Nós, pobretanas com gostos de ricos, não desperdiçamos a oportunidade de comer bem por 20 euritos cada. Fãs que somos do Volver de Carne y Alma do Chef Chakall, aproveitámos desta vez para experimentar o Blend Bairro Alto, o restaurante do Ricardo Quaresma, liderado pelo Chef António Amorim e ao qual o Chakall, infelizmente, só dá o nome.


A não repetir. E a comida nem era má.


Começou a chuviscar enquanto já andávamos pelo Bairro, pelo que fomos direitos ao restaurante, uns dez minutos antes da hora da reserva. Reserva essa que eu tinha feito em nome do Tímido, mas que algures no sistema de reservas ou no restaurante perdeu o primeiro nome do homem - ficou com o segundo nome e o apelido, aparentemente. Não importa, lá entrámos, com os casacos e malas e guarda-chuvas - não há local visível para os guardar, by the way, e também ninguém se voluntariou para os guardar num local mais cómodo do que encostado entre a mesa e a parede. Também não interessa.


O espaço é agradável, simples, não muito grande e o forno branco ao fundo, na cozinha, domina a atenção de quem entra. À direita, na entrada, está a mesa de mistura, porque mais tarde o espaço transforma-se num bar com DJ a animar as hostes.


Pouco depois de nos sentarmos é-nos entregue uma pequena carta de bebidas, em que notámos a ausência de mais do que duas escolhas de vinhos a copo (um branco e um tinto, salvo erro, a 6,5€). Ouvimos uma empregada a perguntar a outra se sabia o que era o menú Restaurant Week, e esta questinou-nos se sabíamos qual seria a ementa. Eu disse que tinha uma ideia, mas já não me recordava exactamente. Igual ao litro, em nenhum ponto do jantar alguém apresentou os pratos, explicou os ingredientes, nada. 


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Pedimos um refrigerante (3€) para ele e uma água de 0,5 L. A água (2€), provavelmente da torneira, é servida numa garrafa de vidro com o logotipo Blend.


O couvert consistia numa pequena taça com azeite e balsâmico no fundo e um pequeno recipiente com pedaços de 3 ou 4 pães diferentes, que não chegámos a terminar porque pouco tempo depois de chegar a entrada a empregada de mesa chega-se perto, diz apenas "com licença" e retira-o. E que falta que fazia um pedacito de pão para rapar a tacinha de esparregado, em ardósia, sobre uma outra tábua de ardósia, como durante todo o jantar, e que não dá jeito nenhum para comer com garfo!


O tataki de atum veio salvar a situação, porque estava realmente muito bom, no ponto, sem cozinhar demasiado o peixe (ou então sou eu que, como sou absolutamente fanática do atum fresco, sabe-me sempre divinalmente), bem como a palha de alho fracês, bem salgada e suculenta. Já o esparregado não se distinguia do de compra, daquele congelado. Serviu para suavizar os aromas fortes do atum e alho francês, e só.


Terminada a entrada, lá se vai a ardósia e nós ficamos sem saber bem o que fazer aos talheres, ali em cima do cartão (pois, não há toalha de pano, só um cartão cinzento, qual barraca de fast food), o que incomoda as pessoas mais picuinhas e a atirar para o obsessivo-compulsivas (presente!).


Chega o prato principal: risotto de pato com redução de laranja, numa tigela de ardósia ladeada por sal grosso e pedacinhos de cebola frita desidratada (fez lembrar uma que costumo comprar em caixas de plástico no Ikea). O risotto estava bastante bom, adocicado da laranja, cremoso e gordo, com lascas de pato em cima. Pena ser pouco: pouco pato e o tamanho da dose simplesmente insuficiente. Fazia falta algo mais ácido para desenjoar, uma salada ou um legume verde.


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Outra empregada, mais polida que a primeira, pergunta se a comida estava do nosso agrado, anuímos, deseja que o doce também seja do nosso agrado. E é aqui que a pior surpresa da noite veio terminar o jantar. Reserva-se e paga-se um menú de 20€ para cada pessoa e, chegada a hora da sobremesa, colocam dois pratos, duas colheres, e entre os dois uma única sobremesa. Mousse de chocolate crocante, que é uma base demasiado espessa de bolacha com uma rodela de mousse demasiado seca para o meu gosto pessoal, de chocolate amargo e com um pouco de sal por cima. No lado vago da ardósia ficam umas migalhas da bolacha, mais sal e - pareceu-me - amendoim torrado. Digo pareceu-me porque, ainda estávamos a compôr-nos do choque de termos de dividir uma sobremesa e lá vem a empregada de mesa do início, "com licença", e lá se vai a arsósia com as nossas migalhas e/ou amendoim (eram migalhas mas eram nossaaaas!!!). Incompreensível! Havia mesas vagas (mesmo a nosso lado, a mesa dupla nunca foi ocupada enquanto lá estivémos), mas parecia claramente que nos estavam a despachar. Assim sendo, fizemos-lhes a vontade, nem pedimos cafés, pagámos e saímos, a interrogar-nos onde podíamos ir jantar a seguir. Vá lá que tínhamos lanchado tarde, porque se tivéssemos poupado o apetite teríamos mesmo saído com fome do restaurante.


Só porque fiquei na dúvida se o menú teria ou não a indicação de haver uma sobremesa a partilhar por cada dois é que não fiz uma reclamação escrita (das que eu gosto tanto!). Arrependi-me. Quando a empregada menos carrancuda repetiu a pergunta se as sobremesas estavam do nosso agrado ainda retorqui "A sobremesA", mas a reacção não deu lugar a mais questões. Um outro empregado que apresentou a conta (com simpatia e à-vontade) ainda perguntou se estava tudo bem, e eu disse que sim mas continuava a preferir o Volver. Explicou que o conceito era diferente (bastante, confirma-se) e que o Chef Chakall aqui era apenas um consultor, ia lá de vez em quando ver se estava tudo bem... Realmente, não há termo de comparação. O Volver dá mil a zero ao Blend, seja no espaço, na simpatia do atendimento, na variedade da carta, na atenção aos detalhes e, sobretudo, na comida.


Chegados a casa confirmo que no menu da Restaurant Week não existe qualquer menção à partilha de uma sobremesa (pelo contrário, a indicação é de que o menu inclui Entrada + Prato + Sobremesa) e questiono directamente a organização (cuja resposta ainda não nos chegou), bem como o restaurante, através do seu facebook. Pergunto: se o número de convivas fosse ímpar, quantas sobremesas teriam servido? O restaurante responde com meias palavras e aparente surpresa por mais ninguém ter reclamado. Really?!


A surpresa, meus caros, é minha, e tão grande quanto a certeza: a mim não me enganam mais!


 


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Tenho-me divertido à brava com o bluff que o António Costa pôs toda a gente a jogar. Divirto-me, sem ansiedades de maior, porque acredito que não passa disso mesmo, bluff, com o único propósito de:

 

a) se correr demasiado bem (era preciso que o Cavaco deixasse de ser quem é, ou nascesse outra vez) chegar a ser primeiro-ministro - não acredito por um minuto;

 

b) ficar legitimado para o que vem a seguir e tentar não perder o que falta do eleitorado. [Infelizmente, algures pelo caminho ganhei este cinismo que me impede de sonhar a cores com o (tão assustador para alguns) "governo de esquerda". Não vai acontecer.]

 

E mesmo que o PS e os partidos da verdadeira esquerda (porque não basta ter o socialismo no nome) chegassem a um entendimento, seria ainda um governo centrista - na melhor das hipóteses, e porque puxado por duas rédeas para a esquerda. Convenhamos, sempre que o PS tem sido governo, em matérias sociais como o trabalho, saúde e educação, teve posturas tão ou mais à direita que os governos PSD ou PSD+CDS.

 

A CDU esteve à altura do momento e teve uma atitude exemplar, quanto ao zelo pelos melhores interesses do país e quanto à inteligência necessária para lidar com esta questão. Está disponível para deixar passar uma proposta de orçamento que tenha em conta os pontos fulcrais para as protecção dos direitos dos trabalhadores e não exige qualquer cargo nos ministérios (novamente, bem, porque nem a CDU quer "tacho", nem seria coerente com o discurso em relação às propostas mais neoliberais do PS e ainda deixa o espaço necessário à oposição que fará falta em todos os pontos sem o "consenso" da esquerda). Ou seja, pagou para ver e subiu a parada.

 

O Bloco, talvez por ainda estar a viver uma espécie de euforia pós eleições, esperou (por um lado, para ver a reacção de comunistas e verdes, por outro, para poder ter a última palavra) e surfou a onda. Catarina Martins colocou toda a sua teatralidade nas primeiras declarações após a primeira reunião com o PS e exagerou ao dizer que o governo de Passos e Portas havia acabado. As precipitações podem ter aquele efeito do discurso do Rui Tavares pouco depois das 20:00 de dia 4, que em pouco tempo de virou contra ele, transformando-se num - como se chama na minha terra - grande melão.

 

Costa está a fazer-se de difícil com a coligação (e a conseguir exactamente o que quer), Passos já começou o discurso choramingão do costume: "aquele menino não quer brincar comigo".

 

A minha aposta no que vai acontecer: como Costa tem a bola, mas quem tem o campo e as balizas são os meninos queques (PàF), lá chegarão, com enorme sacrifício de parte a parte, a um acordo de amigos. O jogo será arbitrado pela esquerda séria e a sério, espera-se um festival de cartões e até uma ou outra expulsão. As claques vão andar exaltadas e são expectáveis distúrbios de alguma violência verbal (mas não mais do que isso). Na 2ª parte (logo após as eleições presidenciais de Janeiro), é possível que as tendências de jogo mudem...

 

E nós a gostar de ver...

Tenho tanto sobre o que escrever, quarenta mil assuntos, todos urgentes, prementes, em súplica para se darem ao mundo pequenino. Só vinte dedos mas patas anteriores e, o que é verdadeiramente trágico, tantas obrigações morosas quanto a opacidade do sono que impacienta e imobiliza.

Em grande parte, devido ao Rodrigues dos Santos, que é uma besta.


Não é uma besta por causa da gaffe (se é que foi foi gaffe, porque se foi uma das graçolas profundamente ignorantes, só reforça a sua condição de besta).


Eu acho-o uma besta desde que numa cerimónia da entrega do prémio Nobel da Fisiologia, a criatura insiste em dizer é repetir incessantemente, dióxido de carbono, quando o que estava em causa era o monóxido de carbono, escrito em rodapé e por todo o lado, CO, dito em inglês pelos jornalistas de quem JRS estaria a fazer a tradução simultânea, amplamente escrito em todas as notícias sobre o assunto. Só um oxigénio que a criatura decidiu duplicar.


A péssima literatura que produz (já ouvi amigos escritores dizerem que consta entre as más línguas que quem produz são uns escritores fantasma contratados para o efeito, mas aos boatos não se deve dar grande importância) não ajuda a descolar a imagem. E o pior mesmo foi a palhaçada de reportagens feitas na Grécia, de dar vómitos com a falta de isenção e fabricação de opiniões. Do pior que o jornalismo pode ter.


 


Entretanto, o jornal i compilou uma série de polémicas da criatura. (Desculpem a estranho espaçamento da peça, o i também está fraco em termos de revisores e editores, já se sabe.)


 


(Um abraço ao brilhante professor Quintanilha, de quem sou fã há quase 20 anos, desde uma palestra tão rica de ciência como de humanismo, que me ficou na memória.)

Por uma qualquer razão, seguramente de natureza kármica (em jeito de punição por terríveis malfeitorias que terei perpetrado numa encarnação anterior), na segunda-feira vi-me na companhia de três dos directores da empresa onde passo eternidades a tentar endireitar o que nasceu torto. Isto logo pela fresquinha, à volta duma mesa de refeição que se pretendia informal - tanto esforço colocado nos pacotinhos quase vazios de compal, tão pouco sucesso.


Ora, logo no rescaldo das eleições, em que uma pessoa fica doente dos nervos (pois não há como não), dormiu pouco porque ficou a fazer zapping entre os comentadores da TV e a aguardar resultados mais concretos (talvez apenas para poder dormir com a certeza de que Marinho Pinto não poria os pés na casa da democracia), e desertinha de ter alguém com quem desabafar impropérios e barafustar contra o sentido de voto da maioria minoritária.


Em vez disso, o que encontra? Pérolas de sabedoria de pessoas que, creio que de forma similar aos senhores ministros, não fazem uma puta de uma ideia do que se passa no mundo real, mas pensam que são donos e senhores da razão, lá do alto das suas gravatas italianas e carros de alta cilindrada com emissões dúbias de gases de estufa.



Um deles, que chegou atrasado porque o trânsito estava mau, achava que até era bom sinal, mais pessoas a andar de carro era um sinal de confiança e tal. Eu tentei, sem revirar muito os olhos, explicar que era início do mês, as aulas já recomeçaram e estavam a cair as primeiras chuvas, que fazem os popós deslizar como no gelo e provocam toques e acidentes. Caras de ponto de interrogação e voltam a falar do tempo e do futebol, pois claro - nem havia nenhum tema mais importante a comentar.


Depois o big boss torna a falar da "retoma", e enquanto alguém se queixa dos transportes públicos, dita a verdade que (des)conhece, do alto do seu super-ego (sabem aquelas pessoas que quando falam decretam coisas, de tão plena e honestamente convencidos que estão de serem os detentores das verdades absolutas? Isso.). Ficámos então todos a saber que os nossos transportes públicos "nem são nada maus". São é pouco utilizados pelas "pessoas" (esse conceito vago, lato e sobretudo distante). "Não são nada caros" (para quem tem ordenado de CEO, acredito que não) e "até são eficientes". A última vez que o senhor em questão usou transportes públicos, não sabemos, ora, carro da empresa tem há mais de duas décadas, classe executiva da TAP não conta, é fazer as contas, como diria o outro.


Vou passar a ter esta verdade de bolso à mão quando estiver, mensalmente, a pagar cerca de 12% do salário mínimo nacional pelo passe (tenho sorte, o L12 basta-me), quando os comboios se atrasarem, quando o metro estiver tão à pinha que tenho de escolher entre o submeter as minhas articulações inflamadas e doridas à massagem espalmatória a 360 graus, qual surround sound, ou o deixar passar aquele metro e ficar uma hora inteirinha no cais a aguardar o barco seguinte ao que deixei fugir.


Juro que não se trata apenas do preconceito que tenho para com "os ricos"; é mais que isso. É isso aliado aos anticorpos que já tenho (muitas vacinas, meus caros...) contra o discurso snob, duma altivez cavaquista, de quem tem convicções profundas sobre realidades de que não se conhece sequer a casca, muito menos o cheiro e o que custa no lombo.


... Mazé trabalhar, ó!

Esta manhã, enquanto nos vestíamos.


 


(Eu) - Xiii, há que tempos que não conseguia meter-me nestas calças!


 


(Ele) - Ai é, amor, estás a engordar?


 


(olhar fulminante enquanto constato que para ele dá igual que eu fique mais ou menos obesa)


 


(Ele) - A emagrecer, eu queria dizer emagrecer. Mas olha lá, as calças devem estar apertadíssimas, não?


 


A dúvida é: mato-o com porrada ou com veneno na sopa?

Queria comentar mais amiúde os resultados eleitorais, mas de cada vez que escrevo uma frase depois de "grande resultado do Bloco e da Esquerda", fico com náuseas. Portanto, falarei só da abstenção.

 

A abstenção é a maior inimiga da democracia. Os valores são absurdos. São trágicos. Cerca de 43,1% dos eleitores abdicam do seu maior poder quanto a determinar o rumo do país.

 

9.375.466 eleitores portugueses inscritos (dos quais votaram 5.333.888). Não votaram 4.041.578 eleitores, sensivelmente o dobro do que o número de votos na coligação PàF, a opção mais votada!

 

Algo me diz que este valor está longe do real; não retirando importância à enormidade do valor da abstenção, era mesmo capaz de apostar que há qualquer coisa como um milhão de mortos nas listas, pelo menos. E limpar os cadernos eleitorais, hein?

 

Ao longo do dia, muitas pessoas nas redes sociais partilhavam que nunca haviam visto as mesas de voto com filas tão grandes. Eu não notei grande diferença, na Freguesia onde voto (e votei na maior parte dos meus anos de eleitora) há sempre fila. Não me lembro de em alguma eleição não ter de esperar. Verdade que não estive presente em todas, porque houve o ano em que o Cavaco marcou as eleições autárquicas para as minhas férias (que eu tive de marcar antes de haver data para as eleições e tive em atenção a data que se dizia ser a mais provável para ir a votos). Na altura, o cidadão comum não podia votar se estivesse ausente ou distante da freguesia em que está recenseado. Só se fosse atleta ausente em representação da Selecção Nacional, militar, hospitalizado ou presidiário, era possível aceder ao voto antecipado. Se estivesse acamado de forma súbita ou imprevisível, se estivesse fora em trabalho, ou lazer, não interessa, perdia o direito a votar. A lei eleitoral parece que já mexeu qualquer coisa e já não é bem assim. Afinal, apesar de tanto foguete lençado porque aparentemente a abstenção teria diminuído muito discretamente, não diminuiu coisa nenhuma.

 

Quanto aos emigrantes, não é fácil votarem, devido a uma carga burocrática irrealista. Recordo-me de umas amigas que viviam numa grande cidade alemã enquanto faziam o doutoramento e era mais fácil voarem para Portugal na altura das eleições do que conseguirem votar na Alemanha (e ainda assim teriam de deslocar-se a Berlim).

 

Estas coisas fazem-me comichão no neurónio. Em pleno século XXI, na Era da Comunicação, que sentido faz que o voto ainda se processe com cadernos eleitorais de papel e com estas limitações geográficas? Não seria bastante fácil permitir o voto em qualquer secção, com controle electrónico? Recordo-me de, há uns anos, terem sido testadas umas cabines de voto electrónicas. O que aconteceu a esse projecto?... Se se quer realmente combater a abstenção (duvido, dizem os estudos que quando desce a abstenção, ganha a esquerda), esse seria um belo começo.

 

A seguir, o próximo governo, se for minimamente sério, deveria dedicar-se a combater o problema na sua origem e a atacá-lo de frente. Se fosse eu a mandar podiam ter a certeza que o voto seria obrigatório. Mas também tornado bastante mais acessível e facilitado.

 

Ficam algumas dicas. Vão-se lá entreter agora a contar deputados e a esperar pelas contagens da emigração. Eu ficarei a sonhar com um acordo sério entre os partidos de esquerda para umas próximas eleições menos más.