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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

A propósito da COP - 21 (Conferência do Clima), tema que me é particularmente caro e, em boa verdade, não pode deixar ninguém indiferente (desenganem-se os cépticos, toca mesmo a todos, queiram ou não), pus-me outra vez a imaginar quão diferente poderia ser o mundo hoje e nas próximas décadas se, em vez do burgesso George W. Bush, tivesse sido Al Gore o presidente eleito (como deveria, já que teve a maior parte dos votos).



A quem não viu, peço por favor que veja o documentário Uma Verdade Inconveniente. Chamem os filhos, os pais, os amigos, toda a gente deve ver este filme, informar-se sobre os aspectos que lhe causar dúvidas, ter noção da dimensão do problema e da parte que está ao alcance de cada um de nós (todos, sem excepção!) para tentar minimizar o já inevitável estrago. Questionem, pressionem, incomodem, e sobretudo pensem bem como querem definir o futuro global do planeta e dos seres vivos que dele dependem.


Está nas nossas mãos!



 


Al Gore sou e tuuuu, Al Gore sou eu e tuuuu,


Vamos salvar a Terra, o nosso pelaneta, o pelaneta azuuul.

Eu era (e sou) de esquerda (esquerda a sério), e a favor de uma PGA no acesso ao ensino superior. Não nos moldes da famigerada PGA tal como existia, limitada a questões de Português e História, mas uma PGA com questões essenciais de Português, Matemática, Ciências da Vida, História e actualidade. Considerei uma PGA útil e necessária enquanto aluna do Ensino Secundário, enquanto aluna do ensino superior e enquanto professora do ensino superior. Não acho (sem grandes certezas, porque estou distante da realidade do ensino básico) que os exames nacionais do 4º ano sejam úteis e muito menos necessários, mas acho que a avaliação é necessária e tem de ser encarada com toda a naturalidade.

 

A propóstito deste post do sempre acutilante País do Burro.

Pouca vergonha: Dias antes das eleições, a coligação PàF nomeia cerca de uma centena de dirigentes (boys) para funções públicas e faz publicar as mesmas em D.R. entre dias 5 e 23 de Outubro.

 

versus

 

Sem vergonha: No dia da indigitação de António Costa como novo Primeiro-ministro, a coligação ainda em funções de gestão (por poucas horas) nomeia boys para jobs.

 

 

Já sabeis que aqui em casa somos pelintras, vulgo classe média, e temos mais onde gastar o salário que em coisas supérfluas. Bem, o homem perdeu a cabeça e comprou um telefone esperto pelo mesmo preço a que eu já vi carros. Mas foi seguramente com os rendimentos das suas contas nas Ilhas Caimão ou algo do género. Adiante. Isto tudo para dizer que eu gostava de ter uma Bimby para deixar de ser bimba, mas achar o preço absolutamente obsceno. Por mais de mil euros, só se também fosse ao supermercado sozinha, descascasse fruta e legumes e pusesse a mesa.


Posto isto, ando há largos meses a namorar as alternativas low cost (mais ou menos). A Yämmi é bem mais baratinha, mas 350 paus ainda me davam para uma semana fora num sítio catita. Pensei, há tempos, em ir a correr aproveitar um daqueles descontos da Worten de x (acho que eram 20) % em tudo. Claro que os senhores da Sonae pensam que são mais espertos que o resto do mundo e, sendo a Yämmi de venda exclusiva na Worten e no Continente, deu-se o milagre de no dia em questão - vejam lá a pontaria - a Yämmi estar esgotada na Worten. Claro. Curioso que logo ao lado no Continente estivessem umas dezenas empilhadas e uma senhora a fazer demonstrações e tudo. Sem qualquer desconto, está claro. Fiquei fula e decidi que ia esquecer a ideia até que o preço caísse para metade.


Agora está a menos de metade: até ao final do ano, custa 150€, valor que pode ser usado integralmente como desconto se em 2016 se quiser trocar pelo novo modelo que sairá na altura. O preço do novo modelo ainda não foi divulgado, claro.



O problema agora é: e onde páram as máquinas a 150€? Vou ao Continente, dizem "ah, já houve mas já vendemos todas esta manhã". Na Worten, nem cheiro delas. E online, isto: "temporariamente indisponível". Sendo que o preço maravilha é válido até ao final do ano, vou tentando a minha sorte, mas desconfiada... Será que alguém por aí consegue testemunhar que isto é real e não mais uma golpada da Sonae?


Entretanto vão surgindo outros modelos de robots de cozinha equivalentes (no Lidl e Aldi por cerca de 200€, no Pingo Doce por cerca de 400€) e estou a ponderar se não devia mesmo avançar, até porque tenho confiança nos electrodomésticos do Lidl (até agora tenho tido boas experiências, até computadores ja comprei lá). Dilemas, dilemas...


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Pequenino no pior sentido, e mesquinho. E, infelizmente, racista, de um racismo passivo tolerado e aceite e legitimado pela comunicação social.

 

Como é possível este título do Público? A notícia é a senhora ser negra?! Ou melhor, ser uma senhora e ainda por cima negra?!

 

Permitam-me que considere ofensivo e primariamente nojento. Alguém lá no Público devia olhar para o relógio e ver que estamos no século XXI, e ver além do daltonismo tendencioso e ignóbil.

 

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Uma moira pessoa (eu) está fora, em trabalho. Uma pessoa liga para o esposo, cheia de saudadinhas e mimo para dar - e receber. O estronço esposo não ouve. Nem à primeira, nem à segunda, nem à terceira. Acorda para a vida quando a pessoa está a jantar com colega de trabalho, fala-se sem grandes intimidades nem cutxi cutxi porque colega está presente (e porque bater no Cavaco é a prioridade). Final de conversa:


Pessoa (eu) - "A gente já fala mais, quando chegar ao hotel ligo-te."


Estronço esposo - "Ah, eu a seguir vou ver os zombies, portanto não me incomodes."



(Ainda ponderei alterar-lhe a password do WiFi, mas sou um coração mole...)

A política do medo instalou-se por todo o lado. A comunicação social tornou-se ainda mais perversa e vale tudo para vender, vale o título gerador de conflito e de pânico, vale adiantar factos não confirmados, vale desinformar em vez do que devia ser a sua missão primeira, o oposto disso.
Vale a mentira.

A mentira é sempre a pior política, a meu ver. A nível individual, seja nas relações pessoais ou laborais, sigo desde sempre a minha regra da verdade acima de tudo. Traz dissabores, sim. É difícil de gerir, por vezes. Tem de se usar de diplomacia extra para dizer algumas verdades mais penosas (de dizer ou de ouvir). Mas vale a pena, porque não há nada que magoe mais do que a mentira. E é uma ofensa, seja por colocar aquele a quem é dita a mentira num patamar intelectual ou emocional inferior, no mínimo fraco. Ou acham que nunca irás descobrir a mentira, ou que não és capaz de lidar bem com a verdade.

A mentira é, ponto assente e repetidamente comprovado, o modo de viver das classes políticas mais fortes, porque é através dela que chegam ao poder. A mentira vale os votos dos mais distraídos, crédulos, ignorantes, interesseiros e cínicos. O interesse comum e público é cilindrado em prol de alguns interesses pessoais e materiais. É por esse motivo que a educação e a ciência são inimigos do despotismo encapotado, esse sim temível e mortífero e devastador.

Como é que nos habituámos a viver assim, a ser (des)governados assim, e sem muito fazer para trazer a verdade ao de cima?! Vivemos realmente num mundo fabricado, numa matriz para consumo imediato e superficial.

 

Até quando iremos tolerar esta deriva no nevoeiro?

A Carolina admite, tem medo. 

 

Não sinto o mesmo.

 

Posso dizer-vos que já se tornou quase uma anedota cá em casa e entre as pessoas mais próximas, sempre que vou para algum lado, parece suceder-se uma desgraça em grande escala pouco depois. Quase me apanhando de raspão. Desde atentados terroristas (nunca me vou esquecer que as imagens que foram divulgadas dos atentados em Mumbai, na estação de comboios Victoria Station, tinham um plano da cadeira onde estive sentada na cafetaria, dias antes), golpes de estado (Tailândia), explosões violentas, aviões a cair, sismos, you name it. Costumo dizer, como uma graçola, que a CIA deve andar a vigiar-me há anos, mas que sou absolutamente inocente (e sou!).

 

Não tem graça. Claro que já me cruzou o pensamento umas dúzias de vezes "e se (...)?". E se eu estivesse naquele avião, e se eu estivesse ali naquele dia, e se fosse comigo? Seria hipócrita dizer o contrário. Mas isso muda alguma coisa do que faça? Não. Claro que há riscos que podemos, e devemos, evitar. Mas só se vive uma vez, até prova em contrário. E todos morremos. E é quase sempre imprevisível o quando e o como. E não temos grande controlo sobre o curso das coisas.

 

 

 

 

Não tenho medo. A verdade é essa. Pode acontecer qualquer coisa, em qualquer canto do mundo. Tudo é um risco. Deixar de viajar seria uma morte lenta. O que não admito, jamais, é deixar de ir onde posso e quero por medo de qualquer coisa. Seria como deixar de viver, por ter medo de morrer

O estado de emergência que Hollande quer prolongar por 3 meses e as imagens de uma multidão em fuga quando se ouviram sons confundidos com tiros (afinal foi o metro a passar normalmente uma lâmpada de um candeeiro público a estourar) na Praça da República provam bem que o clima vivido em Paris é ainda de medo e pânico. Compreensivelmente. E é precisamente esse o objectivo dos terroristas. Vamos ceder, Europa?

 

Para mim, o ideal seria haver condições de segurança para recuperar o Bataclan tão depressa quanto possível e fazer uma enorme festa a celebrar a Libertade, mostrando que não conseguem intimidar-nos! Infelizmente, não creio que se consiga esquecer o medo tão cedo.

 

 

Depois, o medo tem um outro lado, muito pernicioso e que, a continuar a escalar, há-de ser o fim da Europa e o início (oficial) da III Guerra Mundial.

 

Não vão faltar aproveitamentos políticos por parte da extrema-direita, e por parte dos ignorantes que acham que os refugiados da Síria são menos humanos e menos merecedores de viver em paz com as suas famílias do que os europeus. A distinção entre o "eles" e o "nós". Os "nossos" primeiro e blablabla (o chorrilho nojento de barbaridades que todos já conhecemos). (Curioso que o primeiro terrorista identificado até é luso-descendente e outros são belgas.)

 

Podia parafrasear o Diogo Faro (Sensivelmente Idiota). E, além disso, citar, ipsis verbis, o meu amigo Bruno Carvalho:

 

"Só para lembrar que é dos responsáveis pelo banho de sangue em Paris que fogem os refugiados que abandonam a Síria, o Curdistão, o Iraque e a Líbia. Hoje, foi em Paris. Ontem, foi em Beirute, onde mais de 40 muçulmanos foram assassinados pelo terrorismo do Estado Islâmico. Em Beirute, morreram árabes. Em Paris, morreram europeus. Todos vítimas dos mesmos carrascos. Não se esqueçam disso quando, amanhã, começar a campanha xenófoba nas televisões, rádios e jornais."

 

 

 

 

O que me choca mesmo é que haja pessoas que desconhecem os processos democráticos a ponto de genuinamente acharem que o que ser passou dia 10 na Assembleia é uma "aberração", "palhaçada" e outros mimos que ouvi e li por aí. Mal informadas, seguramente, mas diligentes o suficiente para propagarem as suas verdades de bolso como se fossem a voz da razão.

 

Não é demais repetir até à exaustão que as eleições legislativas elegem representantes do povo no Parlamento, ou seja, deputados. Não determinam as cores do governo e muito menos que o que quer que seja sujeito a votação na AR seja aprovado, nomeadamente o presidente da Assembleia, os orçamentos, os programas de governo e quaisquer iniciativas legislativas. Chama-se democracia.

 

 

Também me chateiam os pessimistas que não acreditam que isto vá resultar. Até podem estar certos, mas não ouviram dizer que pelo sonho é que vamos? Vamos esperar para ver antes de ditar sentenças de morte, sim? Eu sei que a mudança assusta muita gente, até alguns dos que votaram à esquerda, mas quando as coisas não estão bem (e só os patrões podem achar que as coisas estavam bem sob a desgovernação ultra-neo-liberal da coligação, não me lixem!) não vai melhorar sem essa mudança.

 

Chamem-me idealista e utópica à vontade, mas mesmo com todas as reservas em relação ao PS e ao António Costa, o que se passou ontem fica para a história, e pode bem ser o início de uma união à esquerda que eu anseio há décadas, assim o espero.

 

E sim, comovi-me quando li "o governo caiu", quando abracei o meu amor, quando cheguei ao Rossio e a cidade me cheirou a esperança nova, e ainda agora enquanto escrevo estas linhas. Comovi-me porque já não me lembrava de ter orgulho neste país e pela primeira vez em muitos, muitos anos, tenho alguma esperança da vida dos portugueses melhorar um pouco, de não ser obrigada a emigrar para criar uma família em condições.

 

Mesmo que tudo corra mal, agora sabemos que é possível. Já não é só um desejo, uma conjectura, uma hipótese etérea. É real.

Momento histórico na nossa jovem e imatura democracia, mas convenhamos que nada mais do que um processo simples e comum nas democracias mais sólidas. Não estou a rebentar de felicidade como vejo alguns amigos do Bloco, ansiosos e talvez ingénuos. O próximo governo (e contando com alguma inteligência de Cavaco, o que não é garantido, bem pelo contrário - não me espantaria nada que ainda tentar forçar um governo de iniciativa presidencial, com elenco do centrão no seu pior) não será de esquerda. Lamento, genuinamente mas, a ser, será apenas um governo PS com controle da esquerda. Esquerda essa que esteve realmente bem em todo o processo, engolindo alguns sapos em prol da libertação do país do neoliberalismo radical. Foram "apenas" algumas arestas do programa PS que a esquerda conseguiu alterar, mas que arestas! Muito bem, fico realmente orgulhosa e ainda mais convicta de que o caminho é uma junção de forças entre BE, PCP, Os Verdes, o Livre, o Mas e, se o PCTP-MRPP voltar a ter gente capaz e racional na sua liderança, também.

 

Adiante, que esse é um post que tenho em rascunho desde antes da campanha eleitoral e falaremos disso mais tarde. Do que tenho pena é que a esquerda não se tenha querido comprometer e realmente envolver na governação. Compreendo, perfeitamente até, que seja um cinto de segurança, não para proteger votos como tenho lido por aí, mas porque o comportamento errático dos anteriores governos PS não nos deixaram propriamente descansados. É uma desconfiança legítima, infelizmente, mas não basta ter socialismo no nome como garante de políticas socialistas. Seria um risco enorme, é facto, mas o meu idealismo ainda acredita que seria mais proveitoso para o país se estivesse nas mãos de pessoas competentes de esquerda a possibilidade de realmente reformar profundamente áreas críticas, e quanto mais cedo melhor. Enfim, resta aguardar com confiança que seja feito o melhor que se conseguir. E regozijemos, o pior (des)governo de sempre em Portugal vai, finalmente, cair. De quatro.

Eu e uma pessoa da minha equipa estivemos dois dias fora do escritório, em reuniões com uns parceiros (a resolver merdas que outros criaram e me largaram na mão).

 

No dia seguinte, de regresso ao escritório: "Olá, olha quem voltou. Então, divertiram-se?"

 

Divertiram-se?! Como assim, divertiram-se? Acaso estivemos em alguma festa ou evento, ou em passeio, ou de férias? Acho muita piada a estes comentários. Tanta, que nem os digno com respostas.