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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Por ti já perdi a timidez

Transgredi

Uma ou outra vez

Mesmo alguns lamentos líquidos verti

Podíamos ser uma canção

Balada melódica e insana

Dois loucos às cabeçadas

De vidas avessas

Mãos entrançadas

Tão pouco tocadas

Algumas promessas

Beijos magros

Abraços tão fundos

Estilhaços e farpas

Na fronteira dos mundos

Coração de ventania

Não sabe aterrar

Ergue os dedos de mansinho

Feitos só para te abraçar

Devagarinho, sem amachucar

Teu coração de papel em chamas

Em cada subtileza um nó que afasta

Se não sabes se amas, não amas

Em cada deixa à deriva uma tristeza gasta.

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Saúde das Pessoas Trans, Autodeterminação e Respeito – Medicina sem Preconceito | MANIFESTO 2018

Passados 7 anos da implementação da lei que criou o procedimento de mudança de sexo e nome próprio no registo civil, foi aprovada, em Parlamento, uma lei que garante a autodeterminação de género legal. Porém, com o veto do Presidente da República, tememos que estas garantias não nos sejam dadas num futuro próximo. Continuamos a marchar para que a autodeterminação seja um direito consagrado para todas as pessoas. Para que as pessoas intersexo vejam os seus corpos protegidos. Para que todas as pessoas tenham direito à autonomia do seu corpo.

Yo tuve un hermano - Julio Cortázar
 

(Al Che Guevara)

No nos vimos nunca
pero no importaba.
Yo tuve un hermano
que iba por los montes
mientras yo dormía.
Lo quise a mi modo,
le tomé su voz
libre como el agua,
caminé de a ratos
cerca de su sombra.
 
No nos vimos nunca
pero no importaba,
mi hermano despierto
mientras yo dormía,
mi hermano mostrándome
detrás de la noche
su estrella elegida.
 

 

Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

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É-me difícil escrever ou falar sobre este assunto. Não lido lá muito bem com a morte, mas tendo ideias claras sobre a soberania das decisões de cada um sobre a própria vida, lido pior com a aceitação da decisão legítima de uma morte "prematura". Porque é que é tão fácil validar a decisão em caso de doenças terminais e sofimento físico, mas tão complexa a aceitação da mesma decisão face a um sofrimento emocional, muitas vezes ligado a doenças psiquiátricas? A resposta ronda a possibilidade de recuperação, cura, melhoria, talvez, mas provavelmente radica inteiramente numa desvalorização injusta (tão injusta!) das doenças mentais e do sofrimento não palpável. 

Há dores que não se exteriorizam. Há doenças que não se vêem. Há sorrisos gloriosos em pessoas massacradas com dor, com percepções tão erradas de si próprias que lhes parece que a sua vida não vale nada. É desesperante essa dor, esse sentimento de invalidez permanente, de uma sentença perpétua de angústia insuportável. É desesperante o sentimento de impotência perante uma pessoa que nos diz que quer morrer. 

As pessoas não são, nem têm de ser, fortalezas o tempo todo. Ninguém é. Mesmo as pessoas que parecem ser, que aparentam estar sempre bem ou ter uma vida perfeita, que parecem felizes, podem estar a travar batalhas gigantes sem que ninguém se aperceba. Por favor, perguntem aos vossos amigos se estão bem; oiçam; não julguem. Se estão deprimidos e já tiveram ideias suicidas, por favor falem com alguém, com um profissional ou um amigo de confiança.

 

Linhas de ajuda e apoio ao suicídio em Portugal

Caso tenha pensamentos suicidas ou conheça alguém que revela sinais de alarme, fale com o médico assistente. Se sentir que os impulsos estão fora de controlo, ligue 112.

Outros contactos:

SOS Voz Amiga
Lisboa (atendimento das 16 às 24h)

21 354 45 45
91 280 26 69
96 352 46 60

SOS Telefone Amigo
Coimbra
239 72 10 10

SOS Estudante
Coimbra
808 200 204

Escutar - Voz de Apoio
Gaia
22 550 60 70

Telefone da Amizade
Porto
22 832 35 35

A Nossa Âncora
Sintra
219 105 750
219 105 755

Departamento de Psiquiatria de Braga
Braga
253 676 055

Brochura do INEM

Aos treze anos da sua morte, qualquer homenagem continua a ser pequena perante a pureza magnífica da sua obra poética.

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No teu rosto começa a madrugada.
luz abrindo,
de rosa em rosa,
transparente e molhada.

Melodia
distante mas segura;
irrompendo da terra,
quente, redonda, madura.

Mar imenso,
praia deserta, horizontal e calma.
Sabor agreste.
Rosto da minha alma.

http://www.estudioraposa.com/poetas/eugenio_andrade_retrato.mp3

 

As massas aplaudem, em êxtase colectivo, mãos cheias de nada. Embalagens bonitas, imaculadas na forma, limpas e ternas, a apelar ao sentimentalismo de veludos redondos, unânimes, consensuais, que a toda a gente cai bem. Eu tenho cá dentro esta maldição do descontentamento, de ansiar pelo que arranha, pelo que irrita, pelo que dói na alma e inquieta. A constatação de factos conhecidos não é estimulante, nem estética nem simbolicamente. O que choca, faz pensar, antagoniza, isso sim, tem o condão de ensinar, de contrapôr, de incomodar, dar náuseas, repulsa. As perguntas sem resposta fácil, os avessos de cada estória, são esses os talentos que me fazem vibrar.

Vôos serenos não ficam na memória. Dêem-me caminhos tortos em terrenos escarpados, lava a sangrar das profundezas, rugidos fora de contexto. Raiva de espumar pela boca, faíscas, suor, chapadões. Sabores picantes e ventos cortantes. Rejeito as emoções almofadadas, suavizadas com açúcar e glacé. 

Dêem-me amor sem filtros, sem capas, amor de tudo ou nada, de gritos e uivos pela noite dentro, dêem-me abraços em brasas, palavras que mordem, beijos mortais.

Desafia-me se me queres ver por dentro. Dá-me só o que sai do âmago de ti, das tripas retorcidas, do que é feio e que sufoca, a tua verdade de entranhas que em mim é poesia.

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