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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

 

Cold bones
Yeah, that's my love
She hides away like a ghost
Does she know that we bleed the same?
Don't wanna cry but I break that way

Cold sheets
But where's my love?
I am searching high 
I'm searching low in the night
Does she know that we bleed the same?
Don't wanna cry but I break that way

Did she run away?
Did she run away? I don't know
If she ran away, If she ran away
Come back home
Just come home

 
I got a fear, oh in my blood
She was carried up into the clouds, high above
If you bled, I bleed the same
If you're scared I'm on my way

Did you run away?
Did you run away? I don't need to know
If you ran away
If you ran away, come back home
Just come home

 

No outro dia estava particularmente triste e desencantada com a vida em geral e desactivei a página, o perfil, coloquei o blogue privado. Quase ninguém notou, quem notou achou que o tinha bloqueado (haja paciência). Encontro-me numa fase complicada em termos pessoais e a questionar uma série de opções, nomeadamente em relação ao que escrevo. Às vezes tenho vontade de fechar portas e fazer um interregno ou mandar tudo às urtigas. Outras vezes tenho vontade de acabar com o anonimato e passar a assinar tudo com o meu nome real (não, não é Sofia), mas sei (porque já o fiz antes) que uma liberdade não compensa a castração do outro lado e se o vier a fazer deve ser insanidade temporária, que sei bem que ter um nome real faz com que acresçam as expectativas e as responsabilidades, e aqui prefiro ser moderadamente inconsequente. Aqui posso carpir dores e usar o coração estilhaçado para procurar sentido nas palavras sem ter que fazer um esforço extra para contornar questões incómodas e privadas, posso dizer tudo sem ser castigada pelo excesso de sinceridade.

Não está fácil de gerir e é possível que isto fique meio morto por uns tempos. Achei que não devia só desaparecer, fazer ghosting mesmo num blogue é feio e há por aí pessoas de quem gosto muito, mesmo sem as conhecer a 3D (não interessa mesmo nadinha) e me merecem uma explicação. Aqui está ela. Não morri, não fui raptada por aliens, ando só triste e com oscilações de humor que pode ser melhor manter à parte deste universo. Até já!

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O silêncio, deixa-me ileso
E que importância tem?
Se assim, tu vês em mim
Alguém melhor que alguém
Sei que minto, pois o que sinto
Não é diferente de ti
Não cedo, este segredo
É frágil e é meu

Eu não sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que às vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar

Quem te disse coisas tristes
Não era igual a mim
Sim, eu sei, que choro
Mas eu posso, querer diferente pra ti

Eu não sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que às vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar
E não me perguntes nada
Eu não sei dizer...

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Febril, acordava em sobressalto, suada, ideias em ebulição confusa entre os sonhos carregados a carvão negro e o despertar para a escuridão de realidades que doíam com eco, nódoas negras subcutâneas. As palavras dele passavam em rodapé incessantemente, a comprimirem-lhe o peito como um corpete castrador. Sufoco, sim, por não poderem os olhos e as mãos conversarem em paz, sem risco de mal entendidos sem nexo. Por não conseguir curar, com os beijos milagrosos que sempre prometia, as mazelas antigas que lhe roubaram pedaços. A culpa de provocar culpa num peito culpado que ofendia por estar longe. Ofegava e dava murros no ar, raiva a jorrar de pequenez, de impotência amarga. Fechava os olhos com força e tentava apagar aquelas letras da memória. Sentia-se um ponto de  interrogação desnorteado, entre a razão e a angústia, entre o amor que lhe tinha e a raiva de não conseguir ser melhor. A música que devia devolver a calma e o sono era impossível, todas desaguavam numa memória passada, ou pior, futura, com o perfume dele. Suspirava e gritava para dentro, para ontem, nuvens surdas não obedecem a ordens. Tinha sede. O sorriso dele plantado no pensamento, erva daninha imune a pesticidas e tesouradas, sempre a despontar em cada esquina, matreiro como a tentação. Bebia sofregamente da torneira, como cadela amarrada num descampado, como se pudesse afogar as inquietações que a consumiam. Os lábios fendidos ardiam, pingavam os olhos, o coração lembrava-se de disparar, ou de pausar em cansaço, errático, desaustinado. A imagem da cara maltratada no espelho meteu-lhe medo. E se a vida toda, a partir daquele instante, fosse assim? Se aquela luta interna e eterna entre o querer e não poder ter se resumisse a décadas dobradas de angústia, de silêncios e de olhos inchados de ausências? As pernas tremiam, os joelhos ameaçavam fraquejar. De repente tinha frio, todos os pêlos eriçados, abstraídos dos chamamentos das cigarras que lá fora confirmavam o verão aos mais cépticos. Voltou a enrolar-se num casulo de lençóis e colchas, débil, prostrada. Não havia injecção, remédio ou mezinha que a pudessem poupar àquela enfermidade. A vacina falhara. Habituada a dores agudas, no esqueleto e na alma, inconformada com o diagnóstico, procurou no sol que nascia um remédio, um tranquilizante, um soporífero que anestesiasse o vendaval. Maleita crónica, anunciava o reflexo provocador do rio, como se ela desconhecesse os sintomas destas maldições em forma de gente que lhe troca todas as voltas, vira do avesso, desassossega e faz falta como o ar. Será para sempre então, aceitou. 

“Odeio gostar de ti”, confessou-lhe uma vez. Ele nunca fez ideia do quanto.

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Do pó das estrelas tecia sedas, com sonhos carpidos as tingia. Tosquiou o mar uma vez ou outra, gostava da aspereza do sal nos cabelos. Dedicava-se a cada uma das suas obras com minúcia, paciência e brio. Pegava em restos desirmanados de sonhos surreais e misturava com argúcia cores que chocariam os olhos de quem as pudesse ver, unindo cada costura com toda a raiva de volúpias cegas condensada no matraquear mecânico da agulha na chapa, taca taca taca taca. Tinha mãos geladas de fada, delicadas e enfeitiçadas com talentos surreais. Finalizava cada um dos mantos com finos bordados de pratas cavernosas, dourados ostensivamente ociosos, lágrimas nacaradas de virgens, gritos sibilados de monstros feitos de fumos imateriais e medos pastosos, arrepiantes. Com um sorriso líquido de orgulho, cumpria satisfeita o seu dever e, todas as noites, do alto da torre do castelo lunar, estendia pesadelos enredados um a um sobre as alegrias mundanas, ceifando cruelmente ambições e sonhos, mirrando esperanças e reduzindo cada alma à sua penitência.

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Nasceu-me a liberdade
Onde tinha encerrado a dor
Um rio atravessou-me a meio
Comportas abertas
de espanto, talvez amor
Teus olhos naufragados
Tomaram conta de mim
Fui teu farol, bússola e mar
Foste-me cravos, poesia, motim
Num terminal de chegadas
Na tarde baça em que pari
Fatalidade ancorada
Bolsos vazios, sem regresso
Nem promessas nem metáforas
Mudou o ano, virou o jogo
Poemas mortos, secos, gastos
Papel borrado, desperdício
Jogada a um canto, no lixo
Carta anónima, profana, rasgada
Sem resposta ou lugar, sem nada

 

You're never with me
you're never near me
What time is it?
What time?
Whose time is this?
Give yourself a chance to breathe
I'll give you the room you need

You're never here
You're never near here
What day is this?
What day?

 

Whose day is this?
Put me in your supermarket list
I'm here, I'm real, it's true, I do exist

Today you may feel a little sleepy
Maybe the morning is too soon
I guess I'll have to borrow
One of your sunny afternoons
But afternoons they never come
There's nothing left for me to borrow

I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow

You're wasting me
You're breaking, you're wasting me
Can this be love?
Is this?
Whose love is this? What is wrong with you?
I don't know
No place in you for me
And me, I need you so

And if you want to be by yourself
No one disturbing, that's alright
I guess I'll have to borrow
A little of yourself tonight
But tonight it never comes
There's nothing left for me to borrow

I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow

It may seem a little hollow
But I'll try again tomorrow

There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow

 

Eu não quero ser
Eu não quero pedir
Mas estou a perder
E não sei que fazer mais

O que eu era desapareceu
E quando falo parece, parece
Que não sou mais eu

Tento encontrar-me, desenrascar-me
Já faço a cama
Ando ocupada a tentar fugir de ti
Mas mais longe é mais perto
Mais difícil fazer o correcto, o que está certo

Por isso

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar…
Mas a seguir peço para voltar

Para mim nunca foi um jogo
Foi apenas um retrato
Onde ficávamos bem os dois
Onde as dúvidas são para depois
Gosto mesmo de ti
Mas tu nunca estás
Nunca estás aqui

Por isso

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar
Mas a seguir peço para voltar

É que eu gosto mesmo de ti
Eu gosto mesmo de ti

Tento encontrar-me, desenrascar-me
Mas quanto mais longe, mais perto de ti
O que eu era desapareceu
A culpa persegue-me, eu não sou mais eu

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar
Cedo o meu lugar

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar
Mas a seguir peço para voltar

É que eu gosto mesmo de ti
Eu gosto mesmo de ti