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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Uma vez, ele dissera-lhe "escreves bem, deveras". Como se com um espanto de estreia. E o que sabe ele senão do labirinto solitário que habita aquela cabeça? Uma outra vez, chamara-lhe "linda". Por engano, certamente, na escuridão em que se soltam as pálpebras e o pensamento ainda reside no sonho. Uma vez, embrulhara doçuras ácidas num coração. Não era o dele, seguramente, pois nem gelava nem pesava o peso de chumbo em remorsos de ausências.


Gostava da maneira como fotografava a natureza. Achou-a uma excelente conversadora. Viu-lhe potencial para uma bela amizade. Contava-lhe segredos. Tirava dúvidas. Desabafava erros passados e excitações. Era a sua companhia preferida. Quis seduzi-la. Sentiu-se intrigado e enlouquecido. Ria muito e sorria de verdade. Ponderou propostas indizíveis. Não soube respostas. Teve medo e nunca recuou. Magoou-a. Repetiu. Pediu desculpa. Insistiu. Cedeu a todas as tentações. Assumiu o que procurava.


 


Foram mal entendidos, ilusões. Cada beijo uma mentira. Cada convite, a solidão. De mãos dadas, o egoísmo. Apenas momentos. Muitos, durante bastante tempo para haver equívoco.