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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

No outro dia perguntei-lhe quando é que ele teve a certeza. Porque sabia que ele sempre foi dono e senhor dessa certeza, porque ele nunca hesitou por um segundo, porque ele se atirou de cabeça (e ainda bem que o fez), porque da maneira como me deu aquele primeiro beijo, com tanta serenidade, como se fizéssemos parte um do outro há mil anos, porque as raízes de nós estão tão entrelaçadas sem que as tenhamos visto nascer. Como se sempre tivessem estado aqui, incógnitas, e de repente se tivessem tornado óbvias. A resposta dele veio confirmar o que eu já sabia. A certeza, de alguma forma, sempre esteve lá. E cá.


Que estória bonita a nossa, cheia de sinais, de magia. Um dia sou capaz de contá-la.


 


 



 


 

Nem sempre há palavras. Nem sempre se traduz em verbo aquele conforto que se quer ofertar, aquela quentura que reside entre dois braços enrolados. Queria dizer-te este abraço e não soube como. Queria dizer-te de modo quente, sólido, suave, como uma constância, como uma certeza. Queria dar-te o mesmo que te dou quando deixo o nariz divagar na tua barba, com aquela doçura provocadora com que te afago o pescoço. Queria ser eloquente como naqueles beijos intermináveis em slow motion em que nos damos sem nunca deixarmos de ser o antes e o depois. Queria ter o dom de dizer-te as coisas belas que me dizes quando um sorriso se abre, quando as reticências convidam. Nem sempre há palavras. Tenho de esperar que saibas ler-me o olhar.


 


 



 

Assim que uma pessoa toma consciência da pele em que vive, na de pessoa, começa a ver o padrão da vida como ela é. Ris, dás um tombo, choras, lambes as feridas. Tornas a rir, tornas a tombar, tornas a chorar e a lamber as feridas. Eventualmente, alguns de nós ganham calo e deixam de entornar lágrimas com cada queda. Outros de nós, eventualmente, ganham medo de cair e deixam-se estar no chão, a chorar, sem lamber devidamente as feridas e sem ousar tornar a rir. E vai-se vivendo, o ciclo vai-se repetindo na sua essência. Uns mais permeáveis à esperança, outros alicerçados na Fé, outros mais derrotistas, num infinito leque de variações de tons sempre com a mesma cor. Que isto é igual para todos, digam lá o que disserem os que invejam outros, e é bem possível que as regras kármicas da Humanidade sejam tão inevitáveis como as leis físicas (que ainda assim conhecem excepções). Tornamo-nos um bocadinho cães de Pavlov e de cada vez que temos vontade de rir até o evitamos, desconfiados, que o mais certo é estar para breve um trambolhão e nunca bem se sabe a dureza do solo ou se se põe mal um cotovelo que nos desgrace de vez. É o cinismo que vem com a idade, dizem. Que sempre o pobre desconfia quando a esmola é grande.


Às tantas dás por ti a rir todos os dias, e agora que pensas nisso, já nem sabes bem quando e onde foi o último trambolhão. Começas a travar, que vais por aí fora como se fosses dono do destino e sabes que podes dar por ti com um camião em cima não tarda. Páras. Olhas para todos os lados à procura dos indícios – que eles têm de estar por aí. Um terreno de areias movediças, um buraco escondido, um precipício não anunciado.  Não vês nada, não ouves nada, só uma danada duma segurança que de certeza quer apanhar-te em falso. Começas a esperar um terramoto a qualquer momento, de cara fechada, vais reforçando o teu bunker pessoal.  E eu, que não sei do futuro nem de lições de moral, mas acho que só há um remédio para combater os medos, que é enfrentá-los, puxo-te pelos cabelos. Agarro em ti e empurro-te do precipício abaixo, para veres que não cais, porque te estou a agarrar. E não vou largar. Nunca.


 


 


Deram as mãos e deixaram-se ficar por debaixo da forte chuva que caía. Deram as mãos com tanta força que fizeram feridas que a água que caía do céu prontamente lambeu. Deram as mãos como se estivesse para se aproximar uma tempestade que os pudesse levar dali. Que lhes arrancasse todos os órgãos dos seus frágeis corpos... e as mãos. Porque mais do que o beijo que deixaram de dar, eram as mãos, unidas de forma cerrada, que os mantinham num só. Era um laço, um nó. Era toda a força que tinham e mais outra que pediram emprestada, que albergavam naquela parte do corpo. Mais do que agarrar, apertar, erguer um troféu, aquele nó estava carregado de medo, angústia. E tudo o que não diziam, deixavam para as mãos dizerem. Deram as mãos e ali se deixaram ficar. Por debaixo da forte chuva que caía.


 


Advogada do Diabo, 09-10-2010

Tudo parece novo, quase oiço o papel de embrulho a rasgar imediatamente antes de cada frase, de cada beijo, de cada vez que as mãos se tocam. Não, as palavras não estão gastas, Eugénio. Apenas já foram ditas vezes sem conta. E de cada vez que és tu a dizê-las, abre-se uma exclamação espantada dentro de mim. Na voz deslizam notas de mel e verdade, e isso é arrepiantemente inédito. Os dedos quentes que me seguram sussurram promessas secretas sempre renovadas.




E poderia ser uma boa altura para vos deixar um dos meus poemas preferidos, mas não é. Ainda não é. É preciso, para já, que chova mais, muito mais, é preciso que me sinta encharcada até aos ossos, de cabelos a pingar, é preciso um beijo (ou mil) à chuva, é preciso que, da chuva ou dos beijos, sinta arrepios pela espinha, que o calor não se dilua, é preciso dançar com as gotas e sacudir as asas.


So let it rain.


 












"come take my hand, we can walk to the light"



lyrics )

 


 

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
...
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Certas palavras podem dizer muitas coisas;
Certos olhares podem valer mais do que mil palavras;
Certos momentos nos fazem esquecer que existe um mundo lá fora;
Certos gestos, parecem sinais guiando-nos pelo caminho;
Certos toques parecem estremecer todo nosso coração;
Certos detalhes nos dão certeza de que existem pessoas especiais,
Assim como você, que deixarão belas lembranças para todo o sempre.




 




 


 


Chega de Saudade

Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Há qualquer coisa nos primeiros beijos que nunca se esquece. A emoção, a surpresa, a interrogação...


 


É que os beijos falam, dizem coisas que as palavras não podem, dizem ao que vêm e as promessas que trazem. Acho mesmo que os primeiros beijos retratam aquilo em que as relações se tornam...


 


O meu primeiro beijo dos primeiros beijos foi sôfrego de tanta ansiedade, foi diferente do que havia imaginado, não foi doce e mágico e puro e tímido. Mas foi o primeiro e jamais o esquecerei. Uns anos depois chegou o primeiro beijo terno e carinhoso e quase escondido, de surpresa, como se quer. O mais cinematográfico dos meus primeiros beijos foi num hospital, cheio de paixão e encanto e analgesia, e marcou um amor cúmplice muito bonito, um amor que também terminou com um beijo de despedida. E o meu favorito dos primeiros beijos foi na bochecha (imagine-se!), às escuras, com tanta ternura e carinhos na ponta dos dedos que só não pareceu mais irreal porque o cenário era do mais insólito que há memória. E recordo os que se lhe seguiram, recordo o que eles diziam e o que tentavam calar. E já não sei onde meti as memórias do último, talvez de tanto desejar que não o tivesse sido.


 


E depois há os beijos que ficaram por trocar, e esses dizem estórias de mil e uma noites que mais vale calar.


 




Se abriria a porta?


Abrir uma porta não significa apenas deixar alguém entrar. Significa que se está pronto para sair e explorar sítios novos, lá fora e cá dentro. Dentro de mim. A ti deixava-te entrar, como deixei sempre, tu entraste mal viste uma brecha, sem perguntar se podias. E eu não te expulsei. Achei até que entraste com tanta avidez que querias mesmo cá estar, e ficar. Entraste de rompante, impuseste a tua voz no meio dos meus sonhos e agarraste-me pela cintura. Deste-me a mão, levaste-me portas fora e portas dentro com rodopios, com esses sorrisos que me desfazem por dentro, com carinho e cumplicidade, possuíste-me, com força, com o que se parecia com mais do que paixão movida a desejo. E um dia saíste sem te despedires, deixaste a porta aberta e eu fiquei, parada, a ver-te longe, agarrada ao espanto do vazio e à solidão da dor. Chegaste a voltar, envergonhado e a medo, quase que a pedir desculpa por não teres resolvido as dúvidas que persistem como ferrugem num prego velho. E com mais amor que medo te voltei a abrir a porta. Agora, que não sei de ti, não sei o que pensar ou onde deixei o coração, decidi manter a porta aberta. Porque tenho todos os motivos para a trancar e vedar a pessoas como tu. Mas repara, está vedada aos outros. A minha porta convida-me a sair, mas eu não vou longe. Não quero ir sem ti. Se soubesse como encontrar-te ia até ao fim do mundo buscar-te, salvar-te. Quando quiseres ser salvo, a minha porta está aberta para ti. E só a fecho quando vieres com mais do que a paixão movida a desejo.


 


Se viesses fazia-te um chá. Mostrava-te o quadro que quero pintar. Se viesses perfumava a casa toda com aroma de maçãs verdes e dava-te um abraço para te receber. Se viesses verias os meus olhos a brilhar, e sorrias a confirmar todas as certezas. Se viesses dava-te aquela romã, adoçada. Far-te-ia uma festa na cara e no cabelo. Se viesses eu ria muito e tu também. O tom de voz estaria mais elevado e agudo e o sol brilharia com mais força, até de noite. Se viesses mostrava-te a lua a reflectir no rio e as copas das árvores prateadas. Se viesses ficava contigo na varanda, a combater o teu frio. Dava-te a mão e o resto, pela alma fora.


Se viesses, eu ia gostar e tu quererias ficar.


Quando vieres, não vou deixar que te vás.


 




 Estou com problemas de expressão. Ora porque me faltam as palavras, ora porque sobram as tantas coisas que queria dizer-te. É que as palavras são pequenas, são poucas e indignas do que te quero dizer. Queria dizê-lo com olhares e sorrisos pendurados ao peito, queria que os lesses com avidez e te lambuzasses em cada sílaba. Nem todas doces, algumas mais amargas, como o tempero que nos traz de volta ao inverno, que te permite comparar as realidades que tens e os sonhos que podem ser teus, nossos.

A incerteza move-me, sabes que adoro aquela adrenalina da descoberta pela descoberta, a dúvida e as possibilidades exponenciais que me significam sonhos sem rédeas. Pesadelos e dores, também tenho encontrado. Mas não me queixo senão quando a escuridão não me permite ver mais além. E tu és a luz. Iluminas e arrepias, calor doce e pura ventania.

Queria dizer-te que sei. E que estou dentro de ti. Que quando te sentes a perder o fio condutor, sou eu. Que quando a lógica impera, também sou eu. E que quando sentes a minha falta, não sentes apenas a falta da companheira de aventuras. Queria que fosses tu a reconhecer a capacidade que tens de fazer alguém feliz. Queria que te entregasses ao sabor dessa maré que tens dentro, que pousasses esses remos obstinados. Os planos antigos que traçaste eram bonitos, eu sei. Aconteceu como não devia. Faz as pazes com o passado, com os erros e as razões. Começa de novo, planos novos, que nunca poderão ser iguais... mas serão planos onde cabes tu por inteiro, onde nenhuma dimensão tem de ser vergada. Onde possa caber todo um mundo além do teu.

Queria dizer-te que gostava que me desses flores. Que cometesses uma daquelas loucuras anunciadas, tão tuas. Que me convidasses para um passeio. Queria contar-te da vontade que tenho de te oferecer presentes de Natal todos os dias, de levar-te sumo de laranja à cama e de nunca mais ter saudades tuas.

Queria que pudesses apagar algumas palavras, que as quisesses retirar para sempre. Queria que pedisses desculpa.

Queria dizer-te para perderes esse medo. Queria ensinar-te a amar de novo, melhor. Queria mostrar-te o que me comove no nascer do sol e queria aprender todos os teus risos e olhares. Queria caminhar lado a lado contigo, de dedos entrançados nos teus.

Sei que te encontras nas minhas palavras, sei que a perturbação também chega a esse lado. Queria dizer-te para não resistires... Para arriscares. Para experimentares. Queria que, se no futuro houvesse lugar para arrependimentos, que os houvesse pelo momento em que valeu a pena e não pela ausência duma estória.

Queria dizer-te que há dias em que um beijo vale tudo. E que há beijos que me dão vontade de chorar.

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A mozzarela de búfala explodiu no frigorífico. O dentista mais fofinho (até hoje) diz para não abrir tanto a boca (e chama-me querida, faz festinhas e dá beijinhos, mais os sorrisos na moldura barbuda e os olhares intelectuais quando lhe respondo com palavreado científico). Mal sabe ele dos excessos da mente que nem chegam a sair boca fora, ninguém os quer ouvir. Trambolhão que me deixou com severas dificuldades em subir e descer escadas.


Pensamentos nas ausências do passado e do futuro. Quão frágeis somos, de corpo e de alma. Lá fora, a chuva. Vontade de fazer disparates que podem custar caro, mas a vontade está cá, a espicaçar, a provocar. Não tenho medo da chuva. Molha, mas nem tanto. Ah, mas ajuda a escorregar. Os disparates não eram necessariamente para fazer à chuva. Podia ser em frente da lareira. Ou no fim do mundo, ou na lua, desde que com ele.


A psicoterapeuta admite que concorda comigo, mas ainda insiste que devia ir à procura do que não quero encontrar. As fotos ficaram bem mais giras do que imaginei. Sem vontade dos doces natalícios, excepção feita a uma ou outra azevia de grão (com pouca canela). A avó do falecido faz umas azevias como eu gosto, inundadas de canela e limão. Afinal sempre tenho ainda transtornos com a separação.


Litradas de chá quentinho.





Mas o que fazia falta era um tubinho de Hirudoid. Ai...


 


*não se espera nada mais, e ainda nem toquei no moscatel.

 


A música que toca quando te vejo

O modo como rimos juntos

Doer no peito cada dor tua, mesmo as que me magoam mais a mim

Sentir que conhecer-te foi das maiores dádivas que o Universo me podia ter dado

Rever o teu sorriso nos poemas do Eugénio

Guardar cada abraço como um tesouro

Colocar todos os males do mundo em “pause” quando a tua mão procura a minha

Partilhar aventuras contigo que mais ninguém partilharia

O código do meu cadeado ser a tua data de nascimento

Os lírios, tristes, de cada beijo

A ternura com que te ajeito o cabelo

Dar-te impulsos para voar em vez de te querer prender

Acordar a sorrir porque estavas a meu lado

Desde o dia em que te conheci, seres um “brilhozinho nos olhos”

Ter-te dito, com o mesmo espanto com que o assumi, quando descobri que a Paixão por ti havia marcado a minha existência

Passares a mão na minha anca e dizeres “assim deixas-me maluco”

Sonhar que o inimaginável é possível, contigo

Atirar-me dum avião contigo

Chorar à tua frente, chorar contigo e por ti

Despir-me à tua frente

Ser-te sempre honesta e verdadeira

Equacionar-te para pai dos meus filhos

O inegável carinho

Partilhar a minha escova de dentes contigo

Ter pedido que te dessem a ti a oportunidade que também te pedi

Ser acordada pelo teu desejo

Fazer um test-drive contigo

Ver filmes indianos contigo

Fazer Amor contigo

Falar contigo de tudo, como se fosse só comigo

Dar beijinhos nas tuas feridas para que sarem mais depressa

Massajar-te os pés

Ter escrito sobre ti num dos jornais mais lidos no país

Adorar o teu rabo, as tuas bochechas e as rugas nos cantos dos olhos

Pedir-te, de coração aberto, uma oportunidade de provar o quão felizes podemos ser juntos

Comermos gelados juntos em três continentes diferentes

Dedicar-te uma música na rádio

Fazer uma aposta no euromilhões por ti, e a chave ser premiada

Tu gostas de doces, eu sou doce e chamo-te docinho

Ter sido tomada por tua namorada ou esposa mais que algumas vezes

Gostarmos das mesmas coisas

Termos o mesmo sentido de humor

Apoiares-me em todas as aventuras tresloucadas, e vice-versa

Defender-te quando um amigo tem vontade de te partir a boca para me defender a mim

Terem-nos desejado "a happy married life"

Dares-me à boca a tua comida para eu provar

Ser a primeira pessoa a quem recorres quando precisas dum favor ou dum ombro

Vermos a Via Láctea e estrelas cadentes de mãos dadas, deitados nas dunas

Amar-te incondicionalmente até que o Sol deixe de nascer

 


 


 


Motivos para te esquecer, sei-os de cor. São mais que muitos. Repito-os todos os dias, sempre que o pensamento resvala para ti. Percorro na memória tudo o que me disseste, cada uma das palavras mais cruéis que se pode ouvir. E oiço a voz da razão, da lógica, de cada amigo que me ampara e aconselha. E sei que consigo, nunca duvidei. Não são as forças que me falham, não é a razão, nem a ausência de esperança, que essa vais destruindo até só faltar um último pedacinho.

Culpar-te, por insistires, por não me deixares morrer em paz na tua vida, por me procurares, depois de eu dizer não mil vezes. Culpar-te, por seres assim, surreal, ideal, perturbado, como eu gosto. Maldizer o dia em que ouvi o teu nome e cada um dos mil acasos que te trouxeram a mim. Não adianta e eu sei que não. Hoje, não. Por muito que o amor seja o sentimento mais forte do mundo, por muito que eu desse tudo, tudo, por ti. Não posso convencer-te que me amas. Nem quero.

 

Era um embrulho pequeno, sem caber no bolso dum casaco. Rectangular, papel e laço branco. Para comemorar. Ou lamentar. Porque sim, havia algo deveras importante, mas nunca saberás, não por mim nos próximos 20 anos, pelo menos. Mandei o embrulho fora, perfeitinho, sequer o amachuquei antes. Directo para o contentor. Como devia fazer contigo.