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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Os ingleses elaboraram um Guia de Estereótipos, a preparar os Jogos Olímpicos de 2012, e os espanhóis espremeram-lhe o sumo no El País.


Sobre os tugas, dizem: "Los portugueses, en cambio, se manejan bien en inglés y si algo les molesta es ser considerados una rama de España. Son nostálgicos, tolerantes, acostumbrados a enfrentarse a otras culturas y es difícil ofenderles. No son muy calurosos y expresivos "pero si te dan los buenos días es porque lo sienten de verdad". Para ellos las apariencias son importantes y les gusta vestir bien. Su sociedad está muy jerarquizada y respetan la autoridad, pero eso significa también que esperan que les traten con respeto."


 


Ler o artigo completo aqui.

Acabei de ouvir e ver, no Diário da Manhã da TVI, uma repórter em directo do Gerês (Sofia Fernandes de seu nome, creio) dizer que aquela "é a única área protegida do país", e ainda que o Parque Peneda-Gerês "é o único Parque Natural do país". A isto se chama desinformação, ou simplesmente ignorância. O que a jovem quereria dizer, se soubesse as enormidades que disse, é que o Parque Nacional Peneda-Gerês é o único Parque Nacional do nosso país.


Sr. Director de Informação da TVI, empreste um mapa para a menina estudar...


 




Ditaram as circunstâncias da vida (nada de trágico nem dramático) que tivesse, numa semana, recebido em casa as visitas de quase todos os Grandes Amigos (excepção aos que moram longe, aos muito distraídos e anónimos perfeitamente identificados*). Que é também em certas circunstâncias que se tiram dúvidas, se as houvesse, de quem se preocupa connosco (coincide certeiramente com quem nos gosta), quem queremos ter por perto na intimidade (com tudo o que ela acarreta, com a exposição de fraquezas, com tudo o que é dito com e sem palavras, com os limites, com as defesas que despimos) e quem dispensamos sem sentir falta por aí além.


Calhou cruzarem-se estas visitas, extensões da família porque assim os considero, com os progenitores desta vossa humilde serva. Em resultado, depois de saírem, comentário (em tom de orgulho e confirmação) do Pai para a Mãe: "Epá, os amigos da Ventania** são bué da fixes!". :) E o orgulho é todo meu, porque sim, são mesmo muito especiais, os melhores do mundo e arredores. Conhecem-me tão bem, e mesmo assim não arredam pé. Merecem o universo todo sem lado lunar. Porque são os meus, mas muito mais que isso, porque são os que admiro e respeito, em quem confio mais do que na minha sombra, são os meus pilares, são os melhores exemplos para os filhos que não sei se um dia terei.


 


Obrigada, vida, por me brindares com esta dádiva incomparável.


 





 


* muito haveria para dizer, mas não me apetece, nem sei se me vai tornar a apetecer anytime soon...


** substituir por nome real, já que este blog e respectivo alter-ego ainda vão sendo segredo na "vida real"

Mais que memórias, porque a história tende, tragicamente, a repetir os seus erros. O que é passado tem de ser presente, explica-o (não o justificando) e pode bem tornar a ser presente num futuro mais ou menos próximo.


Este ano, nas minhas férias, tive uma vez mais o privilégio de ser atordoada. Parece que é algo que procuro repetidamente, choques de realidade fora da zona de conforto, mas isso são outros quinhentos. Dizia, fui atordoada. Nós na garganta, incontáveis. Olhos marejados, silêncios sufocantes, socos no estômago. Passei por locais devastados por uma guerra relativamente recente e que já tiveram tempo de se recompor em grande parte. E, ainda assim, é devastador. Arranca-nos pedaços da alma ver capitais com marcas de bombardeamentos e rajadas de metralhadora por todos os lados. Edifícios magníficos destruídos, prédios residenciais com enormes buracos ou marca deles. E aldeias pequenas com destruição presente como se tivessem sido atingidas há duas semanas. E, observando com atenção, muitas pessoas a quem faltam membros, com cicatrizes, com queimaduras. Marcas visíveis duma guerra, que como todas, foi incompreensível, foi brutal, foi o expoente da vertente mais cruel e abominável da espécie humana. E eu saúdo o povo que não se resigna ao esquecimento, e traz vivas as memórias, por um lado, das suas desgraças, e por outro, da sua admirável capacidade de regeneração, reconstrução, tolerância. Vi fotografias, e vi com os meus olhos, as marcas, a imensa sensação de perda e impotência. Começamos a pensar nas estórias por detrás da história; a tentar imaginar uma mãe que está na cozinha a preparar uma refeição quando o quarto onde brincam os filhos desaparece num estrondo; Nos soldados mutilados, nas valas comuns, na fome, nas famílias separadas.


 


Noutro canto do mundo, há 65 anos, uma catástrofe atroz, sob a capa da II GG, foi lançada na vida de pessoas. Não foram soldados, não foram números. Nem inocentes nem culpados, nem anjos nem demónios. Pessoas, como todas, com vidas, com problemas, com amores, com famílias, com crimes. Com tudo, e tudo se transformou numa tragédia, num sofrimento prolongado, propagado por gerações. Há fotografias inéditas, que todos devemos ver, ver como nunca vimos, para que saibamos sem dúvida que não queremos voltar a ver. Hiroshima e Nagasaki, 1945, by Bernard Hoffman.


 




Bem, eu vinha aqui dizer uma qualquer coisa hiper-interessante e pungente e espirituosa e engraçada e profunda. Mas como os Sapinhos me destacaram (yupiii) vou calar a boca para não afugentar ninguém. Hoje. Amanhã logo se vê.


 


SERENATA


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo


 


 




 


Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.


 


 




 


NÃO: JÁ NÃO FALO DE TI
Não: já não falo de ti, já não sei de saudades.
Feche-se o coração como um livro, cheio de imagens,
de palavras adormecidas, em altas prateleiras,
até que o pó desfaça o pobre desespero sem força,
que um dia, pode ser, parece tão terrível.

A aranha dorme em sua teia, lá fora, entre a roseira e o muro.
Resplandecem os azulejos - e tudo quanto posso ver.
O resto é imaginado, e não coincide, e é temerário
cismar. Talvez se as pálpebras pudessem
inventar outros sonhos, não de vida...

Ah! rompem-se na noite ardentes violas,
pelo ar e pelo frio subitamente roçadas.
Por onde pascerão, nestes céus invioláveis,
nossas perguntas com suas crinas de séculos arrastando-se...
Não só de amor a noite transborda mas de terríveis
crueldades, loucuras, de homicídios mais verdadeiros.

Os homens de sangue estão nas esquinas resfolegando,
e os homens da lei sonolentos movem letras
sobre imensos papéis que eles mesmos não entendem...
Ah! que rosto amaríamos ver inclinar-se na aérea varanda?
Nem os santos podem mais nada. Talvez os anjos abstratos
da álgebra e da geometria.


 


 




 


 


(porque hoje me apeteceu poesia para confortar qualquer coisa de crú cá dentro, ou para dizer o que outros dizem melhor.)

Farta de estar na cama. Calor. Paciência zero. Virar dói, não mexer dói, levantar dói, deitar dói, sentar dói muito,  espirrar dói, tossir dói. O que dói mais é não conseguir escrever. Porra. Não nasci para estar quieta e reclusa...

O cansaço hoje é benvindo. Demasiado torpe para pensar, para escrever, para dar sentido às sílabas desconexas que se impõem quando fecho os olhos, e logo a seguir eles se abrem como um reflexo, para não se darem por vencidos. Mas serão, porque o bendito cansaço eventualmente vai-me ganhando, e eventualmente desistirei de obedecer aos reflexos, desistirei das lutas vãs, eventualmente o corpo vai render-se ao clamor por descanso, por paz, por fim.


I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥ I LOVE YOU ♥


 


Yesterday, today, every day. Have I told you lately (that ♥ I LOVE YOU ♥)?


 


Cansada estou eu. Ao longo do dia lembro-me de tantas coisas sobre as quais escrever (sempre que não posso, claro) e quando chego à frente do coisinho (vulgo laptop) já num m'alembra de nada. Deve ser da idade, que não perdoa (putana!). Assim por alto, acho que era:


- sobre a falta que fazem os teletransportadores;


- as garças e o Eládio Clímaco na tv do alfa pendular;


- moda e saltos altos;


- os caramelos que me aparecem no facebook;


- precisar desesperadamente de férias e de dormir;


- que quem anda à chuva molha-se e quem mete as mãos no fogo queima-se;


- a capacidade de síntese pode sacrificar a clareza.


 



(publicidade criativa by Pólo Norte)


 


(Mais umas linhas e encontrava o fio à meada, mas vou adormecer em 3... 2... 1... zzzz)

Deixa-me ser tua namorada por um dia. Assim como que à experiência. Tirávamos as dúvidas e eu podia morrer em paz, tendo sido feliz mesmo que só por um dia. Só pedia um dia. Um dia que ia querer esticar ao infinito para lhe caber tudo o que quero fazer contigo, tudo o que quero dar-te. E dava-te os meus dias, todos, inteiros, e as minhas noites com lua e estrelas. Ama-me um dia. Um que seja. Pausa a vida que te afasta de mim, esquece tudo o que já aconteceu e dá-me um dos teus dias. Como se eu fosse novidade. Deixa-te amar por um dia. Tenho mais beijos que minutos, mais sorrisos que palavras. Só um dia. Acordamos juntos e chamamos o sol para as nossas mãos. Não precisas de bagagem nem relógio, traz só o coração limpo e dois braços abertos. Deixa-me fazer dum dia o primeiro nosso dia. Todo nosso, de verdade. Mesmo que a seguir tornes a partir sem olhar para trás. Queria um dia. Um dia em que não tivesse de chamar por ti com todas as energias que já não tenho. Um dia de ti.


Eu - Lembras-te do C.?


Amiga - Esse estúpido! Era um bocado parvo, não era? Que idiota! Grande pancada, esse cretino! Não perdeste nada...


Eu - Fizémos as pazes.


Amiga - [silêncio]


Eu - [...]


Amiga - Quando se encontram outra vez? Devias ir ter com ele.


 


 


Eu - Lembras-te do C.?


Amigo - Sim. O que se passou?


Eu - Fizémos as pazes.


Amigo - Boa, fico feliz!


Eu - :)

Dia de Páscoa. Acordei com a cabeça fora da almofada, da cama e do sítio (what else is new?). A janela ficou aberta e nos primeiros momentos não percebo se ainda não anoiteceu ou se é o Sol a querer nascer. Constato que o malfadado tornozelo ainda dói de causas desconhecidas e ainda me faz coxear. Planos da bela caminhada matinal, a levar com vento e o perfume do Tejo na venta(nia), furados. Torradas e leite colorido com café. Leituras. Escritas. Limpezas e tarefas domésticas que deixam o Palácio a cheirar a fresco e lavadinho. Sol a franzir-me os olhos. Adoro a vista da minha varanda, conto os barcos e oiço os bons dias de aves pouco raras que me rodeiam. Penso onde poderia estar melhor. Mas sorrio e sei que estou bem. Comigo.

A vida que sonhei está-me vedada. Os sonhos mudam, dir-me-ão. Verdade. Cumpri sonhos, alguns, para a seguir rejeitá-los com convicção. Mas cumpri. Este sonho maior que o sentimento está riscado sem ter tido a oportunidade de se fazer valer. Talvez tenha sonhado muito alto. Caí. Ainda caio, a ver o chão lá longe. Acordem-me quando chegar aí abaixo.