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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

I once had a really really sweet boyfriend. Whenever we were in his car, he always drove holding my left hand in his right hand, never letting go. He liked that I was near, he was surprised and delighted at my every word. He stared at me like I was a miracle. That guy really loved me, I know that for sure.


 


I think I miss being loved like that. Maybe I'll never be loved again...


 


Li algures no blogomundo que as mulheres perdoam mas não esquecem. E identifico-me plenamente com a afirmação. Não guardo rancores. É por isso que digo logo, sem sequer pensar (o que é errado) tudo o que me vai na alma. E fica dito, não fica nada a remoer e a azedar cá dentro. E como tenho a sensibilidade emocional duma florzinha de estufa, magoo-me com mais frequência do que devia. Tenho a "pele rija" e aguento, mas dói. E quando dói, digo: "Olha, isto doeu-me. Não morri, mas sangrei." E sangro, até sair o veneno. Pode demorar mais ou menos, depende da profundidade da mazela. E recuso-me a fingir que já sarei se ainda sinto picadas. Mas eventualmente, deixa de doer. Lambo as feridas (frequentemente, com ajuda de outros, dos meus, que mas lambem também) e ganho crosta. É o perdão. A cicatriz fica, que a pele emocional (como a outra, aliás), é muito sensível e tudo lhe deixa memórias marcadas. E eu gosto, como gosto de cicatrizes, porque cada cicatriz me ensina alguma coisa. Com todas elas eu aprendo, com cada uma fico a saber que aquela ferida, profunda ou nem tanto, não me derrubou. E a ferida fica fechada, fica perdoad@ @ ofensor(@). Não fica esquecido o golpe, porque isso seria a negação de tudo o que me conheço. Talvez não volte a expor aquele pedaço de pele às unhas de quem já ali arranhou, porque é assim que funciono, salvo as excepções que me desnorteiam (que as há).

 

Não odeio ninguém. Não creio que alguma vez tenha odiado. Raiva, injustiça, ira, sim, essas assolam-me quando em vez. Ódio, não. Neste momento, tenho a aura branca e pura e a cheirar a limpo.

 

Estão perdoadas todas as ofensas, mesmo as maiores, mesmo os boicotes e as traições de confiança, os abusos, as injustiças. Ide em paz. Perdoo-te.

 

 

 

 

 

No outro dia um desconhecido enviou-me um beijo. Soube bem.


No outro dia um desconhecido ofereceu-me papoilas. Sorri.


No outro dia um desconhecido deu-me o elogio que mais precisava de ouvir. Gostei.


No outro dia um desconhecido deu-me avelãs. Aceitei.


No outro dia um desconhecido meteu conversa comigo. Apaixonei-me.


No outro dia um desconhecido fez planos comigo. Fui feliz.


No outro dia um desconhecido flirtou comigo. Corei.


No outro dia um desconhecido fez música só para mim. Cantei.


 


Começo a pensar que o mal surge só quando os conheço...


Eu - Lembras-te do C.?


Amiga - Esse estúpido! Era um bocado parvo, não era? Que idiota! Grande pancada, esse cretino! Não perdeste nada...


Eu - Fizémos as pazes.


Amiga - [silêncio]


Eu - [...]


Amiga - Quando se encontram outra vez? Devias ir ter com ele.


 


 


Eu - Lembras-te do C.?


Amigo - Sim. O que se passou?


Eu - Fizémos as pazes.


Amigo - Boa, fico feliz!


Eu - :)

Quero um homem que não tenha medo. Que não tenha medo de se dar, de arriscar, de ser magoado, das consequências e dos erros. Quero um Homem com H grande, mais que um miúdo. Quero que não tenha pudores em entregar-se às emoções, que não seja mesquinho e não considere que abandonar uma ideia é negar-se a si próprio. Quero um homem que me acorde a meio da noite com beijos de desejo e que se enebrie no perfume dos meus cabelos. Quero um homem que não tenha receio de falhar e que queira sempre mais e melhor. Quero um homem que me cante à janela e me escreva poemas para me conquistar, que me diga sempre toda a verdade que lhe dita o coração e a alma. Quero um homem que saiba ler os meus olhos mas não se assuste com as minhas palavras. Quero que tenha palavras iguais às minhas e as coloque todas a uso. Quero um homem que me fotografe à socapa e me deixe bilhetes pela casa. Quero um homem artista, que encontre beleza onde os outros não a vislumbram. Quero um homem muito inteligente, que resolva equações de cabeça e que me dê enigmas para decifrar. Quero um homem poeta, bem resolvido consigo e com o passado, ansioso de abrir as asas e voar. Quero uma companhia para tardes de cinema, que goste de pipocas salgadas e de mãos dadas no escuro. Quero um homem que procure as minhas mãos com as dele enquanto dorme. E que goste de mãos dadas de dia, de abraços e beijos no meio da estrada, que se apaixone de cada vez que eu lhe salte para as cavalitas ou faça um ataque de cócegas. Quero um companheiro para todas as viagens, que oiça música nos carris de ferro e com quem possa partilhar silêncios. Quero um homem despreocupado, independente e rebelde, quero um homem com mau feitio, opinativo e determinado. Quero um homem sem fé mas com esperança, que veja nas improbabilidades oportunidades de magia. Quero um homem que adore perder-se em mercados e nos aromas das frutas frescas, que ande descalço na relva e me escreva o nome na areia. Quero um homem culto e honesto, bondoso e sensível. Quero um homem que cheire a lavado e que se arrepie quando lhe roçar os dentes na barba. Quero que me olhe com uma expressão de adoração, paixão, tesão. Quero um homem que saiba beijar como eu gosto, com doçuras, que saiba tocar-me a pele com a ponta dos dedos. Quero um homem que não me faça promessas, que me descubra tesouros e me abrace com força. Quero que partilhe o sono, os sonhos e pesadelos comigo. Quero um homem para rir em gargalhadas inconvenientes e com quem chorar a tristeza. Quero um homem sem dúvidas e que veja para lá do óbvio. Quero um homem educado e gentil, instruído e criativo. Quero um homem que me surpreenda. Que me vende os olhos e que me dê a provar à boca a comida dele. Quero um homem que me proteja sempre com a verdade. Quero um homem que me respeite, que me coloque acima de todas as coisas e que tenha orgulho em mim. Quero um homem com estrelas no fundo dos olhos. Quero que me dê flores só quando o momento não seja de comemoração, quero que se esqueça das datas mas que recorde todos os momentos. Quero um homem que nunca fique comigo contrariado. Quero que compreenda que às vezes, preciso de estar sem ele e que não o amo menos por isso. Quero um homem fiel a mim e sobetudo, a si próprio. Quero um homem que não diga “talvez” se sabe que a resposta é “não”. Quero um homem despenteado, das ideias. Quero um homem sem planos para amanhã, um companheiro de aventuras e traquinices. Quero um homem que me ame desalmadamente, com toda a alma, até que a alma doa se não me tem.

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Gosto de gelados no inverno e de chás quentes no verão. Gosto de fazer rabo-de-cavalo e totós. Gosto de dar beijinhos. Gosto de usar lenços ao pescoço. Gosto de fotografias a preto-e-branco. Gosto do Algarve quando chove e da Serra da Estrela sob um Sol abrasador. Gosto de aventuras grandes e pequenas. Gosto de pessoas genuínas e transparentes. Gosto de surpresas. Gosto de negro total. Gosto de aprender e de ensinar. Gosto de botas e de sapatos de plástico. Gosto de rugas de riso nos cantos dos olhos. Gosto de pão mal cozido e nada estaladiço. Gosto de velocidade. Gosto de nuvens densas e chuvadas de granizo. Gosto de açúcar amarelo e edulcorantes artificiais. Gosto de cicatrizes. Gosto de aguardente e de nescafé, de leite magro e iogurtes naturais. Gosto de ruas escuras e estreitas. Gosto do mar sem ondas nenhumas. Gosto de alturas. Gosto do som do violão e da gaita-de-foles. Gosto de comer chocolate de culinária. Gosto de cabelos brancos e grisalhos. Gosto de andar descalça e de peúgas grossas. Gosto da Lua e do céu estrelado. Gosto de tactear texturas. Gosto de ter as unhas muito curtas e sem cor. Gosto de limpar e arrumar. Gosto de estar completamente perdida no meio de nenhures. Gosto de arte surrealista. Gosto de me esconder atrás dos óculos escuros. Gosto de extremos. Gosto de ouvir pessoas a rir. Gosto de sal e de picante. Gosto de lápis macios e escuros e papel liso. Gosto de peles mulatas e de olhos em bico. Gosto de roupa interior preta e básica. Gosto de malmequeres brancos e desalinhados, de lírios e de túlipas. Gosto de passear de mão dada e de abraços. Gosto de cheirar a frutas e gomas. Gosto de ver filmes de terror e romances de fazer chorar. Gosto de miminhos na alma.


 


Muitas ideias para quando eu fizer anos e está quase, quase!



Gosto de ser mulher, disso que ninguém duvide. Mas há características que são comuns à maior parte das mulheres que me desgostam profundamente com este nosso género. Algumas chegam a incomodar-me a níveis viscerais. Deixarei as restantes para outras ocasiões, falarei hoje apenas duma característica que é, tristemente, frequente nas fêmeas e que tenho por certo que em nada contribui para que o mundo seja mais sereno. Possivelmente existirão tantos homens como mulheres com este peculiar jeito de estar, mas destes últimos não conheço um, do universo de seres humanos cuja essência eu possa afirmar que conheça minimamente.


A que se deve tão comichoso incómodo? Pois bem, deve-se ao facto de as prateleiras não servirem para armazenar pessoas. Estas mulheres de que vos falo, tendo ou não problemas de auto-estima, guardam os homens em prateleiras. Explico: eles acham-lhes piada (numa escala que se estende do achar a miúda engraçadita até à obsessão doentia pela criatura), mas elas não estão para aí viradas (numa escala que se estende do ter namorado ou companhia que tal até ao “sou demasiado erudita e especial para ter tempo para homens”); Eles fazem investidas, o melhor que sabem e podem, e elas fazem-se desinteressadas, pouco impressionadas, mostram-se pouco disponíveis, mas sem nunca fechar a porta. Deixam sempre uma gretinha de possibilidade aberta, noutro tempo, noutro espaço. Empertigadas, apregoam aos sete ventos que o tipo é um chato, que não as deixa em paz, que passa a vida a fazer insinuações; mas elas vão piscando um olho à oportunidade e até aceitam os convites. Hoje um cinema, para a semana um concerto, noutro dia um passeio perto do mar. Não os querem todos os dias, não os querem de todo, mas recorrem a estes tristes voluntários quando precisam duma boleia para o shopping, quando lhes apetece ir ver aquele filme e lhes falta a companhia, quando os sacos do supermercado são pesados demais, quando faz falta que alguém resolva aquele problema nos canos lá de casa. Pior, recorrem a estes tristes voluntários quando o ego está em baixo, quando o outro de quem realmente gostam lhes deu uma tampa, ou simplesmente para se recordarem que são giras ou boas ou que lá terão qualquer coisa que faz os incautos seres movidos a testosterona suspirar por elas.


Ora para um rapaz perceber que esta miúda não está interessada o que será necessário, pergunta ela às amigas, um sinal luminoso? Não, respondo eu, basta agir de acordo com o discurso apregoado. Basta dizer não quando não se está interessada.


Não se trata de gostar e até ter uma certa vaidade em ser-se desejada ou amada ou querida - que disso todos gostamos, certo? É fazer sobrepor ao bem-estar de outra pessoa este seu craving da atenção da mesma, polimento do ego. Que tal guardar nas prateleiras uma consciência limpa, uma honestidade na gestão de sentimentos, uma transparência nos actos, em vez de rapazolas com falta de horizontes e excesso de tempo para dar, ordenados por ordem alfabética e com os joelhos pacientemente dobrados? E não o digo sem o tom reprovador: “rapazolas” sim, que se fossem Homens abriam a pestana e jamais se prestariam a tais papéis.


Mau feitio assumido, com achas de sobra para alimentar esta sempre ardente fogueira, deixo o conselho para estas minhas congéneres: deixai de ser cabras, deixai.