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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

 

Cold bones
Yeah, that's my love
She hides away like a ghost
Does she know that we bleed the same?
Don't wanna cry but I break that way

Cold sheets
But where's my love?
I am searching high 
I'm searching low in the night
Does she know that we bleed the same?
Don't wanna cry but I break that way

Did she run away?
Did she run away? I don't know
If she ran away, If she ran away
Come back home
Just come home

 
I got a fear, oh in my blood
She was carried up into the clouds, high above
If you bled, I bleed the same
If you're scared I'm on my way

Did you run away?
Did you run away? I don't need to know
If you ran away
If you ran away, come back home
Just come home

 

 

O silêncio, deixa-me ileso
E que importância tem?
Se assim, tu vês em mim
Alguém melhor que alguém
Sei que minto, pois o que sinto
Não é diferente de ti
Não cedo, este segredo
É frágil e é meu

Eu não sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que às vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar

Quem te disse coisas tristes
Não era igual a mim
Sim, eu sei, que choro
Mas eu posso, querer diferente pra ti

Eu não sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que às vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar
E não me perguntes nada
Eu não sei dizer...

 

You're never with me
you're never near me
What time is it?
What time?
Whose time is this?
Give yourself a chance to breathe
I'll give you the room you need

You're never here
You're never near here
What day is this?
What day?

 

Whose day is this?
Put me in your supermarket list
I'm here, I'm real, it's true, I do exist

Today you may feel a little sleepy
Maybe the morning is too soon
I guess I'll have to borrow
One of your sunny afternoons
But afternoons they never come
There's nothing left for me to borrow

I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow

You're wasting me
You're breaking, you're wasting me
Can this be love?
Is this?
Whose love is this? What is wrong with you?
I don't know
No place in you for me
And me, I need you so

And if you want to be by yourself
No one disturbing, that's alright
I guess I'll have to borrow
A little of yourself tonight
But tonight it never comes
There's nothing left for me to borrow

I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow
I guess I'll try again tomorrow

It may seem a little hollow
But I'll try again tomorrow

There's nothing left for me to borrow
I guess I'll try again tomorrow

 

Eu não quero ser
Eu não quero pedir
Mas estou a perder
E não sei que fazer mais

O que eu era desapareceu
E quando falo parece, parece
Que não sou mais eu

Tento encontrar-me, desenrascar-me
Já faço a cama
Ando ocupada a tentar fugir de ti
Mas mais longe é mais perto
Mais difícil fazer o correcto, o que está certo

Por isso

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar…
Mas a seguir peço para voltar

Para mim nunca foi um jogo
Foi apenas um retrato
Onde ficávamos bem os dois
Onde as dúvidas são para depois
Gosto mesmo de ti
Mas tu nunca estás
Nunca estás aqui

Por isso

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar
Mas a seguir peço para voltar

É que eu gosto mesmo de ti
Eu gosto mesmo de ti

Tento encontrar-me, desenrascar-me
Mas quanto mais longe, mais perto de ti
O que eu era desapareceu
A culpa persegue-me, eu não sou mais eu

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar
Cedo o meu lugar

Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que decore os teus planos e que não se esqueça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que te dê tudo e que nem pareça
Cedo o meu lugar a quem te mereça
Que fique do teu lado e que não esmoreça
Cedo o meu lugar
Mas a seguir peço para voltar

É que eu gosto mesmo de ti
Eu gosto mesmo de ti

[Desafio a adivinhar o que me passa na alma, desafio o ordem e a racionalidade a que tenho tanto apego, desafio a lógica das promessas que respeito, culpada sempre de sentir demais o que não se devia sentir, de dizer o que provoca dor, apesar de ser 'apenas' amor, culpada de não conseguir calar, e maior vilã dos silêncios não há.

Ouve o que eu calo, enxuga-me a dor, abdica de mim por amor.

As muralhas também fraquejam.]

 

 

"Às vezes o amor", do Sérgio Godinho, na versão da Márcia. Arrepia.

 

Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P'la porta da frente
E fica a porta escancarada

Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares

 

Dirás sempre palavras destas

P'ra te ter
P'ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino

Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P'ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida

 

Cerca del mar

Ayer tuve que acercarme al mar
Ayer tuve que rendirme ante la soledad
Necesité ahogar mis penas
Dejarlas llevar por la marea en Luna Nueva

Hoy tuve que gritarle al miedo de cambiar
No persigo destinos si no formas de andar
Como el río su camino
Me desvío para avanzar

Cuando el barco parezca perdido
Recuérdame para qué lo hicimos
Cuando el barco parezca perdido
recuérdame adónde quisimos llegar

Cuando el barco parezca perdido
recuérdame para qué lo hicimos
Cuando el barco parezca perdido
recuérdame adónde quisimos llegar
Cuando el barco parezca perdido
recuérdame para qué lo hicimos
Cuando el barco parezca perdido
recuérdame adónde quisimos llegar

Los barcos llegan a la orilla
El sol se hunde atrás
Con sólo un respiro la niebla se va
Para ver frente a mis ojos que no necesito más.

 

Eu tenho um fraquinho por ti
tu não me dás atenção
tu não me passas cartão
quando me ponho a teu lado
tremo nervoso de agrado
e meto os pés pelas mãos
tu vais gozando um bocado
a beber vinho tostão
eu com o discurso engasgado
fico a um canto, que arrelia
de toda a cervejaria
onde vais rasgar a noite
se te olho com ternura
olhas-me do alto da burra
que mais parece um açoite
é um susto um arrepio
que me malha em ferro frio.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me vai de lés a lés
tu dás-me sempre com os pés
quando me atiro enamorado
num estilo desajeitado
disfarço em bagaço e café
tu fumas o teu cruzado
e fazes troça, pois é,
já tenho o caldo entornado
esqueces-me da noite p´ro dia
em alegre companhia
de batidas e rodadas
tu ficas nas sete quintas
marimbas, estás-te nas tintas
p´ra que eu ande às três pancadas
basta um toque sedutor
eu cá sou um pinga-amor.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me abrasa o coração
quase me arrasa a razão
a tua risada rasteira
põe-me de rastos, à beira
do enfarte da congestão
encharco-me em chá de cidreira
mofas de mim atiras-te ao chão
zombando à tua maneira
lá fazes a despedida
ao grupo que vai de saída
dos amigos da Trindade
mas no fim da noite, à noitinha,
tu ficas triste e sozinha
à procura de amizade
e como é costume teu
chamas o parvo que sou eu.

Afino uma voz de tenor
ensaio um ar duro de macho
quando estás na mó de baixo
quero ver-te arrependida
mas numa manobra atrevida
rufia, muito mansinha, 
dás-me um beijo e uma turrinha
que me põe num molho num cacho
estremeço com pele de galinha
e gosto de ti trapaceira
da tua piada certeira
do teu aparte final
do teu jeito irreverente
do teu aspecto contente
do teu modo bestial
noutra palavra mais quente
eu tenho um fraquinho por ti.

- diz (quase) assim a música.

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Ouvir as mesmas canções é ter uma base de comunhão, de entendimento, quiçá de visão sobre uma série de aspectos. E é bom apanhar um murmúrio entoado no duche e fazer coro, pegar nas deixas e completar versos entre risos e uivos. É tão bom dançar em silêncio com a mesma banda sonora que não dá tréguas a ecoar em duas mentes sintonizadas na mesma estação, ondas médias ou curtas, inverno ou verão. Uma mão pousada na cintura, outra desleixada a deambular corpo acima, corpo abaixo. Como ímanes, dois animais que se pertencem, enganchados, bailando no ritmo que sabem de cor, suspiros e gemidos entredentes a marcar o compasso da sinfonia suprema sem maestro.

Partilhar com outra pessoa as nossas, tão nossas, canções, deixar escorregar uma gota atrevida e partilhá-la à janela com quem mora no silêncio invisível, do outro lado do coração, é todo um outro capítulo. É uma dádiva pessoal feita de adivinhas e silêncios, de empatias mudas e verborreias extensas. É abrir uma nesga da concha e soltar cavalos de batalha pela imaginação fora, sem coreografias ensaiadas. É fazer rebentar desejos de beijos como ervas daninhas na berma, persistentes, por muito que se tente arrancá-las pela raiz. São mãos que se tocam sem pele, tacto profundo, direito ao canto seguro onde enterramos segredos, sementes, sem medos. 

 

[Quem me dera, meu bem, que te deixasses perder no olhar da Ventania. Quem me dera, amor, morrer para nascer de novo e te resgatar das labaredas que te gelaram, abraçar-te com toda a força e prometer que nunca te vou deixar cair, mais depressa cairia eu contigo do que soltar-te incerto no mar revolto. Enquanto eu estiver aqui, neste plano, não te faltará com quem ouvir a mesma canção ou espantar a solidão.]

 

 

Restolho - Mafalda Veiga

Geme o restolho, triste e solitário

a embalar a noite escura e fria

e a perder-se no olhar da ventania

que canta ao tom do velho campanário

Geme o restolho, preso de saudade

esquecido, enlouquecido, dominado

escondido entre as sombras do montado

sem forças e sem cor e sem vontade

Geme o restolho, a transpirar de chuva

nos campos que a ceifeira mutilou

dormindo em velhos sonhos que sonhou

na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo

semear no pó e voltar a colher

há que ser trigo, depois ser restolho

há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada

a vida não é dia sim, dia não

é feita em cada entrega alucinada

p'ra receber daquilo que aumenta o coração

Geme o restolho, a transpirar de chuva

nos campos que a ceifeira mutilou

dormindo em velhos sonhos que sonhou

na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo

semear no pó e voltar a colher

há que ser trigo, depois ser restolho

há que penar para aprender a viver

e a vida não é existir sem mais nada

a vida não é dia sim, dia não

é feita em cada entrega alucinada

p'ra receber daquilo que aumenta o coração

 

Este blogue repudia veementemente o Acordo Ortográfico.
Neste blogue não se faz corridas. Nem passatempos. Nem giveaways (que são a mesma coisa que os passatempos com um nome mais snob). Neste blogue não se mostram outfits ou detalhes (também conhecidos por trapinhos ou fatiotas). Também não se mostram fotografias da blogger (até para protecção ocular dos leitores). Este blogue pode ser tudo menos politicamente neutro e está em permanente campanha eleitoral pela oposição de esquerda, que deixou de existir no Parlamento. Mesmo quando se fala de outra coisa qualquer, porque tudo é política, até o Amor. Neste blogue normalmente não se fala de clubes nem de futebol porque é tema que me entedia enormemente - a não ser que seja para arreliar lampiões. Neste blogue não há bebés nem animais de estimação. Não há demagogia, não há juízos de valor nem lições de moral.

Neste blogue o que há são gritos, desabafos, opiniões, suspiros, alegrias, música, poesia, há flashes do quotidiano de uma pessoa banal e seus encontros e desencontros com pessoas especiais. Há pedaços de insignificâncias e dissertações de suma importância. Há rajadas de raivas e paixões, fragmentos de vidas reais cobertos de palavras tecidas em mantos frugais.

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Ouvi dizer que o nosso amor acabou.
Pois eu não tive a noção do seu fim!
Pelo que eu já tentei,
Eu não vou vê-lo em mim:
Se eu não tive a noção de ver nascer um homem.
E ao que eu vejo,
Tudo foi para ti
Uma estúpida canção que só eu ouvi!
E eu fiquei com tanto para dar!

 

E agora
Não vais achar nada bem
Que eu pague a conta em raiva!
E pudesse eu pagar de outra forma!

Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã,
E eu tinha tantos planos pra depois!
Fui eu quem virou as páginas
Na pressa de chegar até nós;
Sem tirar das palavras seu cruel sentido!
Sobre a razão estar cega:
Resta-me apenas uma razão,
Um dia vais ser tu
E um homem como tu;
Como eu não fui;
Um dia vou-te ouvir dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!
Sei que um dia vais dizer:
E pudesse eu pagar de outra forma!

A cidade está deserta,
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte:
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas.
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! Ora doce!
Pra nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura!

Baía de Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

Em Maio de mil setenta
Numa casa clandestina
Com campanheira e a filha
Caiu nas garras da CIA

Diz Alípio à nossa gente:
"Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão"

Lá no sertão nordestino
Terra de tanta pobreza
Com Francisco Julião
Forma as ligas camponesas

Na prisão de Tiradentes
Depois da greve da fome
Em mais de cinco masmorras
Não há tortura que o dome

Fascistas da mesma igualha
(Ao tempo Carlos Lacerda)
Sabei que o povo não falha
Seja aqui ou outra terra

Em Santa Cruz há um monstro
(Só não vê quem não tem vista
Deu sete voltas à terra
Chamaram-lhe imperialista

Baía da Guanabara
Santa Cruz na fortaleza
Está preso Alípio de Freitas
Homem de grande firmeza

 

Onde estás, faz um som 
Chama o meu nome dentro ou fora de tom 
Diz-me que guardas um pouco de mim 
Na carteira um retrato, uma flor no jardim


A estação já mudou 
Levaram os móveis e o sol lá fechou 
Para onde foi, para lado nenhum 
Lugar tão deserto esse lugar comum


Caem as folhas no livro maior 
E corre o tempo a secá-las lá dentro


Deixa estar 
Deixa ser 
Tudo vai num instante 
Amanhã 
Sem saber 
Vai parecer tão distante 
Resta só 
Adormecer 
E sonhar sem te ver 
Outra vez


Não procures o meu rosto espantado 
Essa já não sou eu 
Mistério do amor 
O coração fui trair 
Abri-o ao meio pra te deixar 
Para onde foste, quem sabe onde vai 
Perdido lá dentro a arrastar-se no tempo


Deixa estar 
Deixa ser 
Tudo vai num instante 
Amanhã 
Sem saber 
Vai parecer tão distante 
Resta só 
Adormecer 
E sonhar sem te ver 
Outra vez


Sem te ver outra vez 
Deixa estar 
Deixa ser 
Tudo vai num instante 
Amanhã 
Sem saber 
Vai parecer tão distante 
E quando nada restar 
Vou adormecer 
E talvez vá sonhar, sonhar 
Só pra te ver 
Só pra te ver

 

Da próxima vez
Que eu voltar a cair
Se me vires a insistir
Não olhes p'ra trás

Eu não vou estar em mim
Se te quiser mais uma vez
Mesmo que diga que é de vez
Vou estar a mentir

E se eu disser que foi tudo confusão
Não falo com o coração, não falo com o coração
E se eu disser que ainda não é tarde
Não é amor, não é verdade

E se eu tiver ainda saudades
Deixa-me curar a ferida que arde
Deixa-me ficar com as melhores memórias
Acabou-se a história
Não olhes p'ra trás

E se eu disser que foi tudo confusão
Não falo com o coração, não falo com o coração
E se eu disser que ainda não é tarde
Não é amor, não é verdade
Não é verdade

E se eu tentar falar contigo para voltar
Não há volta a dar
Se eu me iludir que te vou perdoar
Não vale a pena acreditar

E se eu disser que foi tudo confusão
Não falo com o coração, não falo com o coração
E se eu disser que ainda não é tarde
Não é amor, não é verdade
Não é verdade

E se eu disser que foi tudo confusão
Não falo com o coração, não falo com o coração
E se eu disser que ainda não é tarde
Não é amor, não é verdade
Não é verdade

 

Os anjos não têm costas, por isso não te vi
Só mais tarde ao passar eu reparei em ti
Quando quis desviar os meus olhos dos teus
Já não era possível, já não te disse adeus
Os anjos têm asas, abriste-as para mim
Levaste-me ao céu e fiquei voando por aí
Completamente perdida por ti
Completamente perdida por ti

Os anjos não têm casa, telefone ou morada
Assim fiquei à espera de uma tua chamada
Mas como para os anjos o tempo não existe
O tempo foi passando e eu cada vez mais triste
Deixei a minha nuvem perdida por aí
Completamente perdida por ti
Completamente perdida por ti

Os anjos não têm sombra
Eu não te vi descer do céu com uma flor que me querias ... oferecer
Hoje vivemos juntos aqui ao pé do mar
Porque eu não tenho asas, porque eu não sei voar
Mas sempre que te peço tu levas-me ao céu
Abres as tuas asas e o teu corpo é meu
E deixas-me nas nuvens voando por aí 
Completamente perdida por ti
Completamente perdida por ti
Completamente perdida por ti
Completamente perdida por ti

Os anjos não têm costas, por isso não te vi
Só mais tarde ao passar eu reparei em ti
Quando quis desviar os meus olhos dos teus
Já não era possível, já não te disse adeus

Os anjos não têm casa, telefone ou morada
Assim fiquei à espera de uma tua chamada
Para os anjos o tempo não existe
O tempo foi passando e eu cada vez mais triste

Os anjos não têm sombra
Eu não te vi descer do céu com uma flor que me querias oferecer
Hoje vivemos juntos aqui ao pé do mar
Porque eu não tenho asas, porque eu não sei voar

There's been a sayin' goin' round
And I begin to think it's true
It's awful hard to love someone
When they don't care about you
Once I had a lovin' gal
The sweetest little thing in town
But now she's gone and left me
She done turn me down
Now I ain't got nobody, and nobody cares for me!
That's why I'm sad and lonely,
Won't somebody come and take a chance with me?
I'll sing you love songs, honey, all the time,
If you'll only say you'll be sweet gal of mine,
Oh, I ain't got nobody, nobody cares for me!
I'll sing you love songs, honey, all the time,
If you'll only say you'll be sweet gal of mine,
Oh, I ain't got nobody, nobody cares for me!

Entristece-me ter sido cá que sucederam a vitória sionista, o regresso à glorificação da música de PVC, o regresso injusto de Portugal à cauda da tabela de classificações. Mas entristece-me mais constatar uma série de pontos que acusam a podridão televisionada e narrada em tons de rosa deste mundo.

 

  • Abordar a Eurovisão como se a política lhe estivesse alheia

A Eurovisão sempre foi e sempre será uma extensão reflexiva da política e, em particular, do carácter capitalista do certame. Desde a afirmação de uma espécie de geopolítica unificada, de estados muito próximos e com filosofias e culturas comuns (o que seria uma manifestação inequívoca da globalização, se fosse verdade), ao trabalho escravo, perdão, voluntário, de que um evento que movimenta milhões se faz valer (seria possível ser mais evidentemente neo-liberal?), à garantia de um lugar na final por parte dos estados que maiores contribuições financeiras disponibilizam, às votações por simpatia/proximidade/interesse, às vitórias (já lá vamos), absolutamente tudo na Eurovisão é política. Como tudo na vida é política (sim, pareço um disco riscado, bem sei).

 

  • O politicamente correcto

O incidente que ocorreu na actuação da representante do Reino Unido, em que um jovem subiu ao palco, tirou o microfone das mãos da cantora e disse "nazis of the UK media, what about freedom?" passou pelos intervalos da chuva. A realização do programa esteve impecável, mostrou imagens do público e rapidamente substituiu o microfone, a concorrente também continuou a sua actuação sem se deixar perturbar, e o espectáculo seguiu sem hesitações. Não se fala sobre o assunto. Varre-se para baixo do tapete os temas importantes e passíveis de clivagem ou agitação política. A admoestação a Salvador Sobral o ano passado, por ter levado a t-shirt a dizer S.O.S. Refugees, não foi um acaso. E caso tenha passado despercebido a alguém, o comentário da vencedora "next year in Jerusalem", muito menos. Curiosas coincidências, não é? E ainda mais curioso que o benefício seja sempre colhido do mesmo lado, o lado das grandes potências assassinas financiadas pelos mesmos do costume.

 

  • As micro-manifestações de xenofobia

A Austrália e Israel participam do Festival Eurovisão da Canção e isso parece fazer comichão a muita gente, só porque não são europeus. Ora, vamos lá ver. Antes de destilar fel, um pouco de informação não magoa ninguém. A organização não tem relação com a União Europeia, mas sim com a EBU/UER, União Europeia de Radiofusão, que integra países europeus, do médio oriente e norte-africanos, bem como outros países com o estatuto de membro associado, como é o caso da Austrália.

[O estado de Israel (que nem devia ser reconhecido como estado, dado o seu carácter colonizador, ocupacionista, fascista, xenófobo, criminoso) não me merece um pingo de consideração. Mas o estado e as pessoas não são equivalentes e há muitas pessoas israelitas que não se revêem nas acções genocidas. Não foi, de todo, o caso, mas o representante de um estado no evento não é necessariamente reprodutor das barbaridades perpetradas pelo mesmo.]

 

  • As macro-manifestações de xenofobia

Sabiam que a bandeira da Palestina é proibida no terreno de organização da Eurovisão? Pois é, a propaganda sionista que se fez valer este ano de quantidades massivas de pinkwashing nunca será suficiente para ocultar a verdade. celebração da diversidade e empoderamento e tal, ao mesmo tempo que a faixa de Gaza continua a ser bombardeada, o genocídio, apartheid, ocupação e colonização continuam, diariamente, a fazer vítimas de todas as idades entre um povo massacrado, torturado e roubado de tudo. Glorificação da intérprete sionista que em 2014 pertencia à Marinha israelita e se orgulha de ter servido a mesma, quando esta Marinha perpetrou mais um massacre do povo palestino.

 

  • O machismo em cada canto

Por onde começar? Pelas ofensas à figura e ao corpo da candidata israelita, pela sua comparação a Assunção Cristas com cortisona ou a uma galinha? Pelos comentários às pernas e decotes das quatro apresentadoras? Pelos elogios à canção cipriota "ouvida em silêncio"? Tantas belíssimas oportunidades de deixar a eloquência do silêncio tomar a palavra. Como se tudo isso não bastasse, a vitória de uma canção péssima, com uma letra paupérrima, e fazê-la passar por emancipação feminina.

 

  • A qualidade musical, ou falta dela

Sendo a Eurovisão um jogo de interesses revestido de certame musical, quem segue por apreciar a música tem de ter um coração (e ouvidos) fortes para suportar crimes acústicos do calibre de alguns que passam pelo evento. Pessoalmente, costumo seguir pela música e pela política, sendo que a primeira ganhou novo alento o ano passado, com a canção esmagadoramente bela dos manos Sobral. Deste ano, os momentos musicais de qualidade não se estenderam muito além do fado de Mariza e Ana Moura, de Sara Tavares, Maya Andrade, Salvador Sobral e as pianadas incríveis de Júlio Resede e o dueto com Caetano Veloso. Desculpem bater mais no ceguinho (fascista sionista, neste caso), mas a composição vencedora de 2018 é só mais um perfeito exemplo do péssimo que se faz na música pop. Não bastando a espécie de apropriação cultural asiática com o kimono, os maneki-neko e a alusão óbvia à Bjork, o cacarejar electrónico de letra ridícula e pobrezinha completam o panorama da mediocridade.

 

  • 2019

Para 2019, faço votos que exista um boicote internacional sério à realização do evento em Jerusalém e que seja significativamente mais bem sucedido que a tentativa de boicote deste ano com a campanha #zeropoints.

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Com cheiro a Trás-os-Montes, a aguardente, a pedra fria, aos riachos e campos verdes que povoam os meus sonhos, e a saudade.

 

Tenho dentro do meu peito dois moinhos a moer, um anda, o outro desanda, e assim é o bem-querer.

Tenho dentro do meu peito um alambique de aguardente p'ra destilar as saudades, ai as saudades, quando de ti estou ausente.