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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Sou eu quem te diz, Ruben Patrick...


"Se não a desejares com todas as tuas forças, se o cheiro dela não teimar em permanecer no teu cérebro, se não deres por ti perdido no caminho porque estavas a pensar nela e nem reparaste que a saída da autoestrada era lá atrás, se não te imaginares a tocá-la ao mesmo tempo que tentas negociar o melhor spread com os tipos do banco, se não se te afigurar que não há outra igual no mundo, se não te questionares sobre o que andavas cá a fazer antes de ela existir, se não te sentires insignificante quando ela fala, se não te deslumbrares, se não te parecer sublime a forma como ela se move, se não te perturbares porque o telemóvel está silencioso e já passaram dez segundos desde que lhe mandaste a mensagem, se não te afogueares só porque ela sorriu para o empregado do restaurante quando encomendou o jantar, então, meu caro, é porque não estás apaixonado coisa nenhuma."


 


Pipoco Mais Salgado

Há amores vivos e pulsantes, bonitos, mágicos. E há amores que morrem e há ainda amores que são abandonados. Os amores que são abandonados, não chegam, portanto, a morrer. Ficam arrumados (esquecidos não) num qualquer canto do coração, que tem espaço para muitos amores. O espaço disponível num coração para alojar amores é exponencialmente proporcional à quantidade de amores contidos num dado momento. Partilhar espaço dentro dum mesmo coração também não minimiza, em teoria, a sua grandeza, a sua posição, não invalida a devoção do coração a cada um dos amores. Mas há amores que se dão mal uns com os outros. São maus roomates. Se um está na varanda, o outro quer ir à varanda, se o outro está no sofá, o primeiro quer expulsá-lo. Desarrumam os espaços um do outro, não conseguem comportar-se e, eventualmente, a disputa acaba em olhos negros e arranhões a premiar o mau génio de cada um, e a baralhar todo o conteúdo do coração revolto. Explica-se-lhes que não têm de competir, há espaço para ambos, são ambos importantes ou não estariam a ocupar aquele T2 do coração. Que um não é menor que o outro. São os dois imensos e imprescindíveis, só tiveram a sorte de aparecer em alturas diferentes e terem crescido em tempos diferentes. Have I made myself clear? No? That’s ok too.


 


 



 


(always did and always will)




You with the sad eyes 
don't be discouraged 
oh I realize 
it's hard to take courage 
in a world full of people 
you can lose sight of it all 
and the darkness inside you 
can make you fell so small 

But I see your true colors 
shining through 
I see your true colors 
and that's why I love you 
so don't be afraid to let them show 
your true colors 
true colors are beautiful 
like a rainbow 

Show me a smile then 
don't be unhappy, can't remember 
when I last saw you laughing 
if this world makes you crazy 
and you've taken all you can bear 
you call me up 
because you know I'll be there 

And I'll see your true colors 
shining through 
I see your true colors 
and that's why I love you 
so don't be afraid to let them show 
your true colors 
true colors are beautiful 
like a rainbow


(True Colors, by Cindy Lauper)

E poderia ser uma boa altura para vos deixar um dos meus poemas preferidos, mas não é. Ainda não é. É preciso, para já, que chova mais, muito mais, é preciso que me sinta encharcada até aos ossos, de cabelos a pingar, é preciso um beijo (ou mil) à chuva, é preciso que, da chuva ou dos beijos, sinta arrepios pela espinha, que o calor não se dilua, é preciso dançar com as gotas e sacudir as asas.


So let it rain.


 












"come take my hand, we can walk to the light"



lyrics )

 


 

Quantas vezes já matutámos e pensámos e falámos na questão, com o espelho, com os botões, com os amigos, com taxistas, com a senhora que vende fruta na praça, com os amigos comuns, com os desconhecidos, com os leitores dos nossos blogues, com as nuvens, com os terapeutas? Para lá de ziliões. Conclusões? Muitas, nenhumas, meia dúzia de constatações e verdades de bolso, do género "os homens são todos uns imbecis" e variantes, literalmente, sobre o género, que nem por isso apaziguam as dores.


 


O Capitão Microondas analisou a coisa em gomos (1, 2, 3, 4 e 5), e deixem-me que diga, concordo com cada palavra. Seguir em frente. Letting go. Acreditar.


Toca a arrumar as gavetas e abrir espaço para respirar. The best is yet to come.

É difícil, assim. Nunca tive jeito para trapezista. Mas se o caminho era uma corda suspensa entre o teu mundo e o meu, como não ir? Sem rede, naturalmente, que as redes são planos B esburacados. Tem de ser sempre o tudo ou o nada. Se a meio caminho a corda passa a arame farpado, é criar calo e seguir. Sempre firme. Até que outro caminho me desvie. Sabes que sou irremediavelmente apaixonada por desvios da rota, por estar perdida em becos misteriosos. E por quem caminhe destemido a meu lado.


 




O meu Falecido* está apaixonado. Aposto! Porque o conheço quase tão bem como ele a mim e, quando ele se apaixona não há como esconder, mesmo com distâncias e silêncios. Torna-se na criatura mais romântico-lamechas que possam imaginar. :) Do género canções românticas até à exaustão, flores e passarinhos. Comédias românticas e mimos. Muito Nicholas Sparks. (Pois, nada a ver comigo.) Estou feliz por ele e quase me apetece passar por cima duma série de coisas e abraçá-lo. Fico mais descansada. Não que me sentisse culpada (até porque foi ele quem tomou a melhor decisão das nossas vidas, de me "abandonar" quase no altar), mas porque acho que ele andou muito tempo a procurar o que não se encontra assim, ou surge ou não, e temia que a insistência nessa procura lhe esgotasse os sonhos que eu conheço bem. E caramba, gosto dele, é uma pessoa boa (com os seus defeitos como os comuns mortais, naturalmente), foi uma pessoa tão importante no meu passado, fez-me feliz, deu-me momentos mágicos, pediu-me em casamento (twice), apoiou-me e aturou-me as loucuras, foi um grande companheiro. E merece encontrar quem o complete e faça feliz como eu nunca faria. Que seja desta vez!!!


 


*Petit nom para tipo de ex que morreu no coração. Não confundir com Parvalhão, outra coisa, mais ambígua, que, à falta de melhor, descrevo com as palavras da minha querida Eva: "Os Parvalhões são aqueles por quem estamos apaixonadas."

Dançar sem música. Ou com uma música que só ouvimos na nossa cabeça, mas ouvimos a mesma. E dançamos ao mesmo ritmo, em público, sem querer saber de quem passa e nos acha insanos. E rimos descontroladamente, e rodopiamos, e ficamos tontos, e agarramo-nos um ao outro e abraçamo-nos e beijamo-nos. E quem passa pode ainda achar que somos insanos, mas somos mesmo é felizes.


 




E se todos os milhares de pedacinhos dizem o mesmo que os fez estilhaçar? E se nada muda, se nada nunca mais mudar? Se não houver cola que me valha? Se todas as portas por onde vou fugindo forem dar ao mesmo lugar? E se este amor nunca morrer, nem depois de me matar? Viver com um coração morto não me deixa em paz. Mesmo com tudo o resto, os muitos sonhos, os desafios, a vida que me pulsa, sempre a pedir mais. Seguir o coração, mas e o coração, onde fica, se o que resta dele é pó, cinza? Arrumado num baú e escondido nos antípodas, será longe o suficiente para fugir dele? E porque não ser o coração a seguir-me a mim?


 




É engraçado, não é? Podia estar aqui do topo dum pedestal a dizer que é bem-feita, que ela merecia o que teve, por ter sido falsa, por me ter mentido (e provavelmente não só a mim), por se ter feito desinteressada quando o ego clamava por atenção. Se calhar é uma daquelas formas de justiça do universo em que às vezes escolho acreditar, não sei. Preferia que tivesse sido feliz para sempre. Lamento que não esteja ainda nesse trilho. Vasculhei os cantos, e nada. Nem vestígios de rancores, nem de sede de vingança, nem de prazer de saber que o amor também morre nas mãos de quem apunhala amores alheios. Pena, só. Pena da pessoa que imaginei ter existido e pena mesmo da pessoa que não sei quem é por trás das aparências.


Eu não a conheço, não sei que tipo de pessoa será. Foi isto, ipsis verbis. Ninguém merece certas dores.

É o que venho dizendo, como se anunciando um fim lá longe e um futuro decidido. E que mal tem? Se antes só que mal acompanhada, como toda a gente sabe, se a escolha da companhia só eu posso fazer e já a fiz sem margem para dúvidas. Juro que estou bem sozinha. Torno a estar, como estive antes. E em não podendo estar com quem valha a pena, com quem me arrebate a cada frase, com quem me faça sentir única e especial e com quem me torne a existência absolutamente extraordinária, é a minha companhia que prefiro. Só eu. Sem interrupções para amuos e decepções, sem os fastidiosos exercícios de partilhar tempos com substitutos do que se deseja. Se eu me basto? Naturalmente que não. O que me falta é por demais mágico para que possa ousar não lhe lamentar a falta. Mas that's life... E a life dá muitas voltas (piruetas e trambolhões).


 


(A propósito de solteirices, espreitem aqui a Blonda...)

Os anjos não existem, as sereias também não. Já princesas, ainda há uma ou outra, bem reais. Que vivem (mais ou menos) na terra, às vezes pelas copas das árvores, às vezes na Lua. Mas não te obrigam a abdicar do ar, nem da água. Não usam iscos, nem têm escamas. Não são criaturas mitológicas nem imaginárias. Eu não sou. Sou tão real como tu sabes. Tão real que faço doer, tão real que persisto.