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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Assim que uma pessoa toma consciência da pele em que vive, na de pessoa, começa a ver o padrão da vida como ela é. Ris, dás um tombo, choras, lambes as feridas. Tornas a rir, tornas a tombar, tornas a chorar e a lamber as feridas. Eventualmente, alguns de nós ganham calo e deixam de entornar lágrimas com cada queda. Outros de nós, eventualmente, ganham medo de cair e deixam-se estar no chão, a chorar, sem lamber devidamente as feridas e sem ousar tornar a rir. E vai-se vivendo, o ciclo vai-se repetindo na sua essência. Uns mais permeáveis à esperança, outros alicerçados na Fé, outros mais derrotistas, num infinito leque de variações de tons sempre com a mesma cor. Que isto é igual para todos, digam lá o que disserem os que invejam outros, e é bem possível que as regras kármicas da Humanidade sejam tão inevitáveis como as leis físicas (que ainda assim conhecem excepções). Tornamo-nos um bocadinho cães de Pavlov e de cada vez que temos vontade de rir até o evitamos, desconfiados, que o mais certo é estar para breve um trambolhão e nunca bem se sabe a dureza do solo ou se se põe mal um cotovelo que nos desgrace de vez. É o cinismo que vem com a idade, dizem. Que sempre o pobre desconfia quando a esmola é grande.


Às tantas dás por ti a rir todos os dias, e agora que pensas nisso, já nem sabes bem quando e onde foi o último trambolhão. Começas a travar, que vais por aí fora como se fosses dono do destino e sabes que podes dar por ti com um camião em cima não tarda. Páras. Olhas para todos os lados à procura dos indícios – que eles têm de estar por aí. Um terreno de areias movediças, um buraco escondido, um precipício não anunciado.  Não vês nada, não ouves nada, só uma danada duma segurança que de certeza quer apanhar-te em falso. Começas a esperar um terramoto a qualquer momento, de cara fechada, vais reforçando o teu bunker pessoal.  E eu, que não sei do futuro nem de lições de moral, mas acho que só há um remédio para combater os medos, que é enfrentá-los, puxo-te pelos cabelos. Agarro em ti e empurro-te do precipício abaixo, para veres que não cais, porque te estou a agarrar. E não vou largar. Nunca.


 


 


O amor não resolve nada. O amor é uma coisa pessoal, e alimenta-se do respeito mútuo. Mas isto não transcende o colectivo. Levamos já dois mil anos dizendo-nos isso de amar-nos uns aos outros. E serviu de alguma coisa? Poderíamos mudá-lo por respeitar-nos uns aos outros, para ver se assim tem mais eficácia. Porque o amor não é suficiente.

 

“Saramago, el pesimista utópico”, Turia, Teruel, nº 57, 2001

Nos "outros cadernos de Saramago".


(always did and always will)




You with the sad eyes 
don't be discouraged 
oh I realize 
it's hard to take courage 
in a world full of people 
you can lose sight of it all 
and the darkness inside you 
can make you fell so small 

But I see your true colors 
shining through 
I see your true colors 
and that's why I love you 
so don't be afraid to let them show 
your true colors 
true colors are beautiful 
like a rainbow 

Show me a smile then 
don't be unhappy, can't remember 
when I last saw you laughing 
if this world makes you crazy 
and you've taken all you can bear 
you call me up 
because you know I'll be there 

And I'll see your true colors 
shining through 
I see your true colors 
and that's why I love you 
so don't be afraid to let them show 
your true colors 
true colors are beautiful 
like a rainbow


(True Colors, by Cindy Lauper)

Todos os dias têm a sua história, um só minuto levaria anos a contar, o mínimo gesto, o descasque miudinho duma palavra, duma sílaba, dum som, para já não falar dos pensamentos, que é coisa de muito estofo, pensar no que se pensa, ou pensou, ou está pensando, e que pensamento é esse que pensa o outro pensamento, não acabaríamos nunca mais.

 

José Saramago In Levantado do Chão, Ed. Caminho, 14.ª ed., p. 59

Eu falava, tu encolhias os ombros, desconversavas por entre evasões. Eu queria arrancar-te uma verdade qualquer, e tu sem vontade das enfrentar. Sem tomar posição, sem decidir, porque o direito de mudar de ideias, várias vezes ao dia, nunca te foi questionado. Perito nas justificações, dando explicações lógicas a todos os actos que contradizem as palavras e dissecando as palavras que contradizem as outras. Não soube quando estavas a falar a sério; disseste para nunca te levar a sério. Nunca, mesmo? Nem quando dizes que me queres nem quando dizes que não? Nem quando falas nela nem quando é por mim que chamas? Não te levo a sério os convites para passar a noite nem as palavras duras de rejeição? Nem os erros, nem os pedidos de desculpa? Não levo a sério os beijos nem levo a sério a sua negação?


Quem és tu afinal?... Porque te escondes com medo do afecto e do que é real? Porque te refugias numa ilusão ultrapassada e foges para os braços de quem não te lê o olhar? Dizes às outras o que pretendes como mo disseste a mim? Acordas as outras de madrugada, louco de paixão e para partilhar sustos e epifanias? Pedes-lhes conselhos sobre o modelo de carro, as prendas para a família e o rumo da vida? Desabafas com elas as preocupações que te roem o sono e as saudades de quem partiu? Também lhes foges aos verbos e aos tempos verbais? Limpas as lágrimas delas e ofereces-lhes canções? Quem és tu, afinal? Qual de ti me prendeu com um sorriso só, me fez renascer e acreditar?


Mais que isso, explica lá... Porque não estás aqui agora?


Dantes caminhava de cabeça baixa, olhos arrastando-se no chão ao ritmo de passos tímidos, mesmo se apressados numa fugida da minha sombra. Olhos que se diziam felizes, mas só sabiam reflectir as pedras da calçada, perscrutando cada centímetro quadrado de chão, em busca talvez dum tesouro, certamente assinalado com um grande X vermelho que a todos os outros teria passado despercebido. Caminhava ao som da banda sonora do meu filme, onde magistralmente desempenhava o papel principal. Tudo era como devia ser, cada capítulo com um final apropriado, a fazer jus aos ingredientes habilmente misturados. Podia ser um filme mudo, sem legendas, pois que tudo seguia o curso normal e previsível de qualquer vida mundana, o que não é dizer desinteressante. Mas era uma vida de filme, ficcionada. Nada de novo no horizonte, os figurantes não abriam asas para levantar vôo nem falavam com paredes. Tudo normal. Tudo tão normal que comecei a suspeitar que não era real. Mas continuei a andar de cabeça baixa, fitando o chão. Até que o chão deixou de estar lá e caí. Esfolei o orgulho e amarrotei todos os planos. Quando estava caída, a recuperar o fôlego, calquei as mãos com força contra o chão. Era areia, infiltrando-se em cada ferida. Pouco havia de sólido naquele chão que me faltou, exclamei como quem descobre a pólvora que ali não se susteria nenhum alicerce e levantei-me. Sozinha, com joelhos tremeliques e quase arrepiada de insegurança. Agarrei em mim e levantei-me, sacudi os restos de areia da alma e meio ofuscada olhei para cima. Ousei olhar para o Sol mais brilhante que qualquer projector no meu filme, ousei sujar-me por entre profanações alheias e derrubei com um empurrão apenas todos os cenários do conto desencantado. Levantei o queixo e caminhei. Sem saber por onde ir, mas sempre sem olhar para trás.

 

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São quase três meses sem ti. São quase dois anos contigo, com a certeza de que tu existes. Desde o primeiro fortuito encontro numa teia qualquer, as primeiras farejadelas disseram-nos que havia ali alguém interessante, com quem se pode conversar a um ritmo intelectual e emocional que poucos apanham, ou apreendem. Deve ter sido bom, repetimo-lo amiúde. Daí até aos almoços e programas improváveis foram dois passos, distâncias à parte. As distâncias para nós têm outro significado, não pesam, não afastam. Não arrastam nada no tempo, porque o tempo se molda a cada quilómetro ao ritmo a que o impusermos. Pode girar o mundo na palma das mãos mil vezes, não há ninguém igual. Nada foi comum nesta estória, na nossa estória, que já vai passando à história. Nem o começo, nem o meio, nem os interregnos, muito menos os recomeços. Sobressaltos e solavancos, nenhum dia terminava da mesma forma que começava. Repara que não falo em fim. Porque a qualquer momento espero um novo solavanco que vire tudo do avesso. Nada é definitivo, o nunca e o sempre são demasiado tempo. Tu disseste nunca, eu disse nunca. Mas tudo pode sempre mudar. Personagens que entram e saem, alguns, que devem estranhar estes estranhos universos onde as regras parecem não se aplicar. O tempo vai passando ao contrário e o espaço encolhe em vez de expandir. Pequenino, este casulo de mim onde não chega só a memória de ti. Os acasos, provocadores, ironias talvez.


Não me peças para esquecer-te.


Nunca deixarás de fazer parte de mim. Nunca.


 


As diferenças são muitas e nítidas. Sem ti acordo à mesma a pensar em ti, venho do sonho onde ainda te posso ver e vou para cada novo dia como se fosse para o cadafalso, onde tu não estás. Acordo com um esboço de sorriso e assim que percebo que as facas penduradas no tecto roçam-me os ombros com apenas memórias e nada mais, o sorriso dá lugar a um esgar de solidão. Nunca fui tão infeliz, se queres saber. Sem ti, preparo-me todos os dias para poder encontrar-te e o céu mudar. Disfarço as olheiras, ponho o mais doce perfume e a melhor lingerie. O meu coração pula quando a campainha toca, num misto de pânico e esperança que sejas tu. Ou quando vejo na rua alguém com semelhanças contigo, ou de cada vez que passo perto da tua porta. Sem ti sonho menos com o futuro e mais com o passado. Durmo mais, muito mais. Não tenho com quem deitar conversa fora até às 2 a.m. em school nights, já ninguém me recomenda filmes e notícias de jornal. Sem ti tenho pouca vontade de fazer planos, ou de ser espontânea. Sem ti, a lua continua a pedir para ser fotografada, mas eu já não to digo. Todas as canções são lamentos. Já vou tentando dormir no outro lado da cama, o que reservei só para ti. Já não questiono os porquês e termino sempre com pontos finais. Quando fecho os olhos estás lá, e quando os abro tenho vontade de correr para ti. Sem ti é mais difícil rir, porque mais ninguém tem as tuas piadas. Sem ti tenho as mesmas saudades tuas que tinha contigo, mas doem noutros sítios que eu desconhecia existirem. E ninguém me magoa como tu magoavas. Ainda não passou um dia em que conseguisse não derramar lágrimas impulsivas. Sem ti, não muda nada. Só a tua ausência em mim.



Já aqui tenho falado na minha necessidade extrema de verdade. Mesmo sabendo que posso estar a magoar alguém, ou a mim própria, mesmo vendo nitidamente as vantagens de me deixar ficar calada, mesmo sabendo que dar opiniões quando ninguém as pediu pode ser um abuso que coloca pressões nas liberdades alheias. Ferve-me sob a pele tudo o que penso e tenho de expulsá-lo, na hora, nem consigo deixar para depois e dar espaço e tempo para as ideias assentarem, amadurecerem e quiçá mudarem. Porque esta obsessão com a verdade e a fidelidade tem consequências e faz estragos. Quando decido alguma coisa, nada, mas é que mesmo nada, me faz demover. Posso ter todas as provas reunidas à minha frente a dizer que aquela decisão não é a melhor, que vai dar n problemas, que é simplesmente má ideia. Mas sou tão obstinada e faço tanta questão de ser sempre, sem excepção, mulher duma palavra só, que ainda dando a mão à palmatória e admitindo que estou redondamente enganada, não volto atrás. Se digo que irei por aquele caminho, que ninguém duvide, irei. Se me comprometo a fazer uma coisa, venha o que vier, razões, argumentos e obstáculos, farei. Morta de vontade de ir, dizer e fazer, se usei a palavra nunca, nunca irei, nunca direi e nunca farei.


 



 


Sofro, deixo passar oportunidades, e deixo lágrimas a escorrer. Mas de alguma forma, consola-me saber que esta sentença de carácter faz de mim uma Mulher grande, Honesta e Pura. Ostento, com orgulho (que os pecados capitais são para os crentes), um coração límpido e transparente, onde cada falha é obviada. E falhas, tenho muitas. Mas qualidades tenho muitas mais.






 

As palavras não valem nada, já sabemos, são ocas. Mesmo as ditas com vigor e verdade, tendem a trespassar-nos e a não deixar memória. A não ser que magoem muito. Essas tendem a ficar tatuadas na memória, são as mais difíceis de lavar, persistem, languidamente, puxando todas as outras para si mesmas, como um buraco negro.

 

As palavras não valem nada. Como nos permitimos dar-lhes tamanha importância, acreditar em quaisquer sílabas que alguém se lembra de juntar? As mentiras não são mais do que palavras, palavras na ausência e na distância de factos. Ainda que sejam, concedo, interpretações retorcidas duma verdade desfocada. E as mentiras são abomináveis. Abomináveis amontoados de palavras insignificantes, que não valem nada, mas que têm um inigualável poder corrosivo, destruidor mesmo. E como as palavras não valem nada, nada podemos contra essas mentiras maléficas que alguém plantou de soslaio, nas sombras, às escondidas. Na sombra lá germinam o seu putrefacto caminho e lá se vão apoderando de corações outrora puros.

 

E quando alguém que pensamos amar nos mente? Ousamos acreditar, porque quem julgamos amar roça a perfeição e vamos engolindo mais ou menos a seco. Vou confessar: alguém que amei mentiu-me, há muito tempo. E eu sabia, tentava não ver, e o amor foi criando rachas. Quando a pressão rebentou o amor desfez-se em cacos e desapareceu na maré. É que os amores construídos sobre mentiras são ocos e fraquinhos.

 

As mentiras são hediondas e as bocas que as proferem ou os dedos que as escrevem deviam um dia ser condenados ao silêncio, para que não mais magoassem. Deviam, mas não são, porque as palavras não são provas nem testemunhas, as palavras não valem nada. O que se diz hoje desdiz-se amanhã, os sonhos caem por terra, os planos fingem que nunca terão existido nem na imaginação. Afinal, é tão fácil mentir! Dizer que se ama, se odeia, se pretende ou se deseja. Dizer para sempre, dizer nunca mais.  São só verbos, sinónimos e pronomes misturados com pouca mestria e olhos baixos.

 

Devia aprender a mentir um dia destes. Talvez me fosse menos tumultuoso conviver com as mentiras alheias. Isso e ficar de boca calada quando as verdades andam ao soco para se libertar. Um dia destes...

 

Acho que fiz outrora o elogio do verbo. Tão fundamental que ele é. Com verbos as mentiras são mais fáceis de articular. E as verdades também. Valem o mesmo. Nada.

 

 

 

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Quem me conhece um pouquinho já terá percebido que não sou poupada nas palavras. Tenho a feliz coincidência de viver com os pensamentos soltos entre o cérebro e a laringe. Sem rédeas nem cintos nem travões, escorregam massa cinzenta abaixo. Se calha serem em número, arrepiam caminho mesmo que não tenha vontade de soltá-los. (Deve ser por causa da gestão de tráfego, quando há engarrafamento os sacanas desviam caminho pelo atalho mais próximo.) Isto significa que mesmo quando durmo, a boca abre-se e as palavras, os risos e suspiros, todos vão escorrendo sonos e sonhos fora.

Não padeço de grandes males que afectem o discurso, nem tenho já a grande timidez verbal que durou até ao fim da adolescência. Talvez porque o mundo se tenha tornado maior e mais ruidoso, algures pelo caminho devo ter percebido que, se não fizer escutar a minha voz, ninguém a poderá detectar por magia, telepatia, ecos no silêncio, ou o que lhe quiser chamar. E tenho conhecimento de mim própria o bastante para saber que, se explorar bem as palavras, mais as escritas que as faladas, sei ser suave e diplomata, sei ser assertiva e ríspida, sei ser poética quando os humores colaboram, sei ser concisa e restringir-me a linguagem límpida e técnica. Infelizmente, para mim e para os que me rodeiam, a impulsividade cresceu-me tão à flor da pele quanto a verbalidade. Isto traduz-se em reacções a quente, muitas vezes desproporcionadas e, concedo, exageradas. Se a situação me traz os sangues à ebulição, aumenta o ritmo cardíaco, vasoconstrição, os pensamentos são mais ágeis no sprint, sinapse acima, sinapse abaixo, o espaço mais e mais apertado e “sem estômago” para os fermentar, são disparados à velocidade da luz. Chegam a atropelar-se, atabalhoados na língua, que não consegue ser tão lesta. E assim, seja onde for, não há vultos que intimidem, venha quem vier, a (minha) verdade sai em socorro dos “pobres, oprimidos e injustiçados”. Manifesta-se amiúde também o advogado do Diabo, sempre disposto a defender o indefensável, com os mesmos pesos e as mesmas medidas.

Tudo isto para constatar e advertir, advertindo a constatação, que por mais que saiba que devia ter tento na língua, pensar bem e limar arestas antes de libertar discursos com os punhos a bater no ar ou nas mesas, não o consigo ter. Ou talvez não tenha grande interesse nisso e me permita esta indulgência com até algum prazer. Acérrima defensora da Verdade, sempre, para todos, creio que o seu potencial de deferir golpes tem a benesse de não ser passível de repetição. Ao passo que as mentiras e meias verdades se somam, se multiplicam, se prolongam, se obscurecem cumulativamente, a Verdade quando é encontrada não tem marcha à ré. Dói, ou pode doer, como um punhal enterrado por entre vísceras e costelas. E pode infectar, dar febres difíceis de curar. Mas cria-se uma imunidade. Outras verdades podem doer, outros males podem estilhaçar. Mas aquela verdade descoberta, nua, encandeia no momento, mas aos poucos aprende-se a viver com ela, a Ver. E jamais tornará a doer.

Mau argumento de sequela, este filme errou o público. Actores que não sabem fingir um sorriso, sequer tentam o beijo desinteressado. As legendas: desfasadas, com entrelinhas que decidimos ignorar em complacência. A banda sonora que apela à libertação e o céu que fica, pálido, sem surpresas.

Tenho as palavras coladas ao esterno, embargadas, secas e empasteladas, não fluem com a naturalidade de quem conversa no escuro e espanta o sono, com gosto, como gosto. Evidentemente, as emoções andam desalinhadas, não me querem sair em linha recta, arquivadas por intensidade e ordem cronológica. Saem em ondas espumosas, revoltadas, à revelia da ordem que tinha imposto a custo, arrastam consigo todos os oceanos onde me podia perder. Quando olho nos teus olhos, só silêncios à espreita, intenções não ditas, gestos que se arrependem a meio… Recuos. Nos meus, recantos de dor que sabes decifrar. Daquela dor tua... Tua porque a inventaste. O rol das tuas culpas só te convence a ti; sou eu quem não é perfeita o suficiente para cativar o teu tempo, sou eu quem não é forte o suficiente para me querer dar (apenas) a quem me quer bem. Tu, não mereces uma das minhas sílabas. Mas escrever-te-ei até te exorcizar. Porque são os silêncios escuros que me corroem os dias, que não sei encontrar-te na ponta dos meus dedos, onde te tive tão certo, te senti seguro de ti e tão feliz. 

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