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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Não me bastavam as crónicas, ainda vou de encontro às outras.

Dói-me a burrice castradora com que tenho de lidar diariamente. Dói-me o Rossio. Dói-me cada oportunidade que deixei escapar por entre os dedos - foram poucas mas as únicas que podiam importar. E doem-me mais as dores que terei provocado.

 

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Pessoa um bocadito obcecada com a higiene oral tem um enorme sentimento de culpa porque não vai ao dentista há mais de um ano. O tempo vai passando e a culpa piorando. Pessoa começa a ter sensibilidades dentárias que nunca teve, começa a suspeitar de cáries. Pessoa finalmente marca consulta no dentista, dois anos depois da última visita.

Veredicto: não há cáries nenhumas, tem de se escovar com menos força porque as gengivas já estão a começar a regredir à pala das lavagens à bruta. 

[Publicado originalmente a 13.07.2010.  E mantenho cada palavra.]

 

 

Hoje vou citar. E vou citar aos bochechos, que muito há para dizer. E quem vou citar? O Edson Athayde, no ionline. Ora vamos:

Fazer amigos, manter amigos, perder amigos. A vida, para mim, é isso. Tudo mais é complemento, é consequência, é redundância.

 

Não sou tão extremista. Há mais na vida para além dos amigos e, pese embora deva ser uma vida incomparavelmente triste e pobre, há quem não tenha amigo algum (acreditem, há) e tenha uma vida, lhe confira significado e talvez até tenha interesse. E há que separar o trigo do joio. Hesito em chamar amigo a pessoas que conheço, até com profundidade, se não as gosto. Outras há que, conhecendo em menor extensão, confio sem second thoughts, de natural que é. Daquelas coisas que não se explicam com muita lógica, mas que se sentem sem dúvida.

 

Fazer amigos: o mais difícil, com o passar do tempo. Quando miúdos, só são necessários uns interesses em comum. Entre os rapazes a coisa é ainda mais simples: basta ser adepto da mesma equipa, gostar do mesmo sabor de gelado, demonstrar alguma habilidade no Subbuteo, ter uma certa fixação pelos seios da professora Sónia. E assim começa uma longa amizade. Depois de cruzarmos o cabo da boa esperança dos 30 anos aparecem as complicações. Mais ninguém que nos aparece é assim tão confiável. Fazemos colegas de trabalho, companheiros de futebol, cúmplices de bares, mas amigos novos é coisa que vai rareando.

 

Na infância, os conceitos de lealdade e confiança são menos permeáveis às nuances das realidades que a vida adulta impõe. E talvez por isso mesmo, quer-me parecer que sempre coloquei as fasquias demasiado elevadas, e cada vez mais com o passar dos anos. No entanto, a vida te-me reservado boas surpresas (ao menos) neste campo. Não guardo amigos de infância. Alguns da adolescência, mas devo dizer que as pessoas excepcionais que fazem ou fizeram parte do meu círculo de Amigos, encontrei-as em grande parte em idade adulta. A comunicação vai muito para além do corriqueiro e toca sensibilidades que não estão expostas aos 15 anos. A frontalidade, o despretenciosismo de se dizer o que se pensa sem querer impressionar ninguém, ajuda imenso a conhecer as pessoas com quem se interage. E por vezes bastam meia dúzia de frases, uma empatia inicial que abre caminho a gargalhadas ou a reflexões. Falo por mim, que tomo consciência de que tenho feito novos amigos, de quem gosto genuinamente e a quem abro a alma sem reservas. As duas moças do curso de escrita, de quem sinto falta das cumplicidades. O pescador gótico com um sentido de humildade que me tocou. A ex-chefe a quem arregalava os olhos e não poupava críticas, de onde nasceram laços profundos. A velha colega de curso que de repente se revelou em palavras à distância. A amiga de amigos com quem estive em duas ocasiões apenas e me lê mais pensamentos do que os que partilho. O dentista que passei a tratar por tu por entre estórias de vida. A colega de trabalho com quem podia conversar dias a fio. É preciso não ter medo. Medo de ser quem somos, de assumir os nossos sonhos e as nossas falhas. Dar um pouco de nós aos outros não nos torna frágeis nem susceptíveis. Torna-nos mais ricos. Dar um sorriso que seja, não custa nada e pode alegrar o dia de alguém. Mais, pode convidar a entrar na nossa vida pessoas que, só por existirem, fazem da vida um sítio melhor.


Manter amigos: dependendo de com quem é pode ser uma missão simples. A amizade permite-nos um sem-número de erros, vacilos, pequenas maldades, desconsiderações. A amizade pressupõe uma quantidade hiperbólica de perdões. Claro, há sempre um limite. Mas não há amigos perfeitos, porque não há pessoas perfeitas. E o que seria da amizade sem a misericórdia, sem a compreensão? Aos amigos, tudo. Aos inimigos, o justo.

 

Não há amigos perfeitos, nem pessoas perfeitas. Dos grandes amigos espera-se demasiado, porque são aqueles que admiramos, que prezamos. As pequenas falhas magoam demais e podem tornar-se desilusões. As mesmas que causamos nos outros. Não há regra nem receita para o sucesso. Bom senso e compreensão costumam ajudar. Ver o lado do outro, walk a mile in their shoes. Perguntar "porque fizeste isto?" antes de julgar. E perceber que se a amizade não vale o suficiente para engolir o orgulho e perdoar, então não é amizade, é conveniência.

 

Perder amigos: costuma ser uma tristeza pior que a morte. Quando o que morre é a amizade e não o amigo, o fantasma do que antes era belo assombra e assusta. Quer pior coisa que um ex-amigo? O ressentimento é o cancro das emoções.

 

Não o diria melhor. Tristeza pior que a morte. Sei bem o que é perder um amigo, a pouca importância que têm as culpas e as razões perto do vazio que se instala no peito. Coloca-se tudo em causa: a importância que se teve para o outro, as palavras ditas, a confiança quebrada. Permanece, sobretudo, o sentimento de injustiça. Como pode alguém a quem quero tão bem descartar-me como se lhe fosse incómodo ou nefasto? A amizade valia tão pouco que foi trocada por isto?

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Fazer amigos, manter amigos, perder amigos. Repito, repito, repito. Penso e repenso nisso ao reparar nas mais de 6500 almas que me adicionaram como “friend” no Facebook. O que devo fazer para não decepcionar essas pessoas que não conheço? Como posso tornar sustentáveis milhares de relações virtuais sem (com isso e para isso) descuidar das pessoas de carne e osso que teimam em ter-me como amigo?
Há muitas respostas para essas perguntas. Mas não gosto de estabelecer regras nem professar ciências. Só queria alertar para que vale a pena pensar no assunto. Conheço gente que, desde que começou a facebookear, passou a tratar com descaso as pessoas reais das suas vidas. Eu mesmo apanho-me de vez em quando enciumado com amigos que postam nas suas páginas coisas que, teoricamente, só os mais íntimos deveriam saber. Se calhar é coisa minha (minha idade emocional não vai muito além dos cinco anos). Mas recomendo atenção. Amigos, amigos, Facebook a parte.
Ou como diria o meu Tio Olavo: “Amigo é alguém que, ao nos conhecer de verdade, não sai a correr.” 

 

Amigo é quem me conhece e, ainda assim, gosta de mim. Digo eu, que nunca privei com o Sr. Olavo. Não vejo porque separar os amigos "reais" do facebook. O facebook (e quem  diz facebook diz qualquer rede social) pode (e deve) conter apenas laços reais, cujo suporte se prolonga no mundo virtual. Longe das advertências do Edson, eu sou apologista incondicional das vantagens emocionais do facebook. Cuide-se da privacidade com bom senso (sempre) - e há ferramentas para isso, e as amizades não têm porque não sair fortalecidas. Claro que não é caso para trocar o convívio pessoal com o virtual. Mas, é inevitável, uma boa parte dos amigos e conhecidos não estão sempre por perto. Há uma boa porção de pessoas que as circunstâncias da vida afastam do dia-a-dia e que nas redes sociais não têm de estar afastadas. Convenhamos, quem vai telefonar ou enviar um e-mail àquele velho colega que está há dois anos emigrado e com quem não se manteve contacto regular só para dizer "olá" ou "ontem li uma notícia que me fez pensar em ti"? E porquê criar anticorpos à tecnologia, se esta, bem utilizada, não só não se substitui aos laços 'reais' como pode mesmo estreitar laços em que, de outra forma, não se investiria o suficiente?...

Às vezes duvido que seja uma pessoa inteira. Sou antes duas metades, em permanente tensão, no fio da navalha, em oscilação compassada. Sou a céptica, ultra-racional, organizada, maníaca da limpeza e da arrumação, com gostos minimalistas. Sou também a criativa, espontânea, artística, que tira da cartola profundezas cósmicas e dá pedradas em todos os charcos. Sou da ciência e da arte, metade racionalidade e objectividade, a outra metade sonho e poesia. Quando me entorno para um dos lados submerjo com despudor, quase com desrespeito pelo outro lado. Depois tento equilibrar e lá me sumo para o lado oposto. A vertigem da queda é onde estou. Sou a personificação de todas as contradições, acto contínuo entre extremos opostos. Sou a mais meiga e doce ou a mais gélida e implacável das criaturas. Sou a indecisão em pessoa e a mais obstinada, que nunca volta atrás nas decisões que toma. Sou a calma e ponderada que analisa exaustivamente todos os prós e cada um dos contras, mas tem razões impulsivas que não sabe controlar. Sou a analítica, que tem sempre razão porque valida todos os dados e confirma todas as informações, e aquela a quem o instinto faz o diagnóstico completo só com base na intuição e dá ainda mais e mais fiável informação. Toda eu sou pela luz e vida, pelos inícios e fazeduras, desprezo a morte e o remorso, o arrependimento e o que já passou. Mas também sou fã da escuridão, da ausência, da penumbra silenciosa. Sou a lógica e o bom senso, a calma e a temperança, até a chama se atear e me fazer explodir em cacos, festim de paixões em brasa. Sei exactamente quem sou. Não sou é fácil de definir.

Aque nesta margem esquerda, a margem certa, a vida ocorre num universo paralelo em que o impossível desenrola-se perante os olhos muito abertos e queixos esquecidos. O insólito acontece a par e passo com o ritmo corriqueiro dos dias. Nada causa espanto, de tão espantoso que tudo é. Penso-me tantas vezes presa nas linhas de uma ficção, um qualquer conto da Alice Munro, só percebo que é real porque a paisagem é impossível de confundir. As coincidências são demasiado óbvias para que a realidade simplesmente exista porque sim. Os insólitos, o inexplicável, o sobrenatural que me pisca o olho a todo o instante e que teimo em renegar, como se as entrelinhas deste enredo tivessem saído da minha mente no seu estado mais perverso. É possível que seja só loucura, que se tenham esquecido de me sintonizar bem as antenas lá na fábrica onde montam as peças das pessoas. Somos todos demasiado inverosímeis, não achas?

Quando era criança (nunca fui, nasci já velhíssima) e estava muito mais próxima da verdade de todas as coisas e a cabeça fervilhava com teorias fantásticas e absurdas, tinha a certeza que vivia num mundo falso, com cenários montados para me estudarem os movimentos e lerem os pensamentos. Nada fazia sentido. Porque motivo estava eu presa no corpo de uma menina pequena, aquelas pessoas afáveis mas tão diferentes de mim a fazerem-se passar por família, vizinhos, amigos. Nunca me enganaram!

Nesta margem as coisas desaprendem-se com o tempo, o curso das águas e as rotações do planeta. Surreal é virar-te as costas quando te trago dentro de mim.

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Há semanas difíceis e surreais, há semanas tristes e de oscilações drásticas ao jeito de montanhas russas... Esta foi uma delas. Em oito dias, postos de trabalho em risco, incerteza, um encontro com pessoas de quem gosto muitíssimo e que temi que culminasse em batatada, discussões e desconfianças e lamentos e dúvidas, emergências de hospitais, um pedido de casamento e o falecimento de um familiar. Porra. E o fim-de-semana já a acabar sem pré-aviso, além da chuva prevista para amanhã.

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Foi um ano bom. Muito bom. Fiz Amigos. Dos grandes. Estive com os Amigos de há 20 anos, que são tesouros. Aprendi. Viajei um punhado de vezes. Fiz uma série de coisas que tinha dito que nunca faria, lições de humildade, descoberta e auto-conhecimento. Apaixonei-me várias vezes pelas mesmas pessoas (é doença ou casmurrice). Comecei projectos pessoais gigantes. A minha saúde melhorou significativamente e a auto-estima também. Aprendi a gostar um bocadinho mais do meu corpo (é muito difícil e há dias de extremos, mas estou no bom caminho). Senti-me desejada, amada e valiosa. Equacionei mudar radicalmente de vida, em vários aspectos (é uma reflexão em curso e tendencialmente irreversível). Continuo a ter presentes todos os que me importam. Sindicalizei-me. Fiz nódoas negras, sobretudo sentimentais. Regressei ao blogue e voltei a escrever mais com o coração do que com o cérebro. Escrevi cartas em que me pus completamente a nu - e só perdi com isso. Sonhei alto e cheguei a achar que era tudo realmente possível. Arrependi-me de um instante em que não fiz o que queria ter feito. Continuo a ser a pessoa mais destemida que conheço. Consegui não bater em ninguém. Fartei-me de rir. Chorei menos do que me apetecia. Continuo a sentir-me muito mais nova do que diz o cartão de cidadão, quase adolescente. Continuo sem rumo e errática e sei que é esse mesmo o meu caminho.

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A Porto Editora editou uns Blocos de Atividades destinados a crianças em idade pré-escolar (entre os 4 e os 6 anos). Esta edição tem dado que falar pelos piores motivos, já que existem duas edições, uma para meninos rapazes e outra para meninas (sim, até no título há uma diferenciação).

O quê, mas as escolas já não são mistas desde a terceira República? São, mas a Porto Editora não deve ter sido informada ou então é saudosismo do Estado Novo. Mas o pior é que o problema é bastante mais grave.

Ao que parece, o grau de dificuldade dos exercícios apresentados é distinto, sendo que a "edição masculina" aparenta ser mais desafiante, com um nível exigido de maturidade intelectual consideravelmente superior ao da "edição feminina". Só por si, a assumpção de que existem diferenças de género quanto à exigência expectável das capacidades intelectuais de crianças destas idades é simplesmente ridícula. Mas há muito mais.

Os exemplos apresentados no jornal Público são escandalosos, perpetuando os estigmas e estereótipos de uma sociedade vincadamente patriarcal, já que aos meninos rapazes pede-se ajuda para encontrar o caminho através do labirinto para o seu navio pirata, ou as ilustrações retratam dinossauros, carrinhos e futebol. Já às meninas é solicitada ajuda para encontrar a sua coroa de princesa e as ilustrações são de actividades domésticas, ballet, ... É, afinal, o que ser espera que cada género almeje. Os meninos devem ser patifes sujos como prova da sua masculinidade de testosterona feita, e das meninas espera-se que sejam bonitas, delicadas e dedicadas ao lar.  As meninas que querem ser piratas e futebolistas ou os meninos que gostam de brincar com bonecas ou miniaturas de ferros de engomar são vistos como aberrações, questionados, envergonhados e reconduzidos de volta para o que é a "norma", com o rabinho entre as pernas e inibidos da mais pequenina liberdade de poderem brincar ao que lhes apetecer.

A expectativa de cumprimento de papéis de género vincados é, desde logo, uma afronta à individualidade, à sexualidade e uma pressão ridícula pela normalização de género. O caso assume proporções mais gravosas ainda quando se trata da socialização de crianças em fase basilar de formação do intelecto e da personalidade, o que poderá condicionar futuramente as suas escolhas e concepções da sociedade e até as aptidões que são mais e menos desenvolvidas.

Não tenho a mais pequena dúvida que os estigmas e preconceitos que todos temos (podemos conscientemente fazer o nosso melhor para os suprimir mas, mais ou menos subtilmente, foi-nos incutida no subconsciente uma maneira de ver os outros) são adquiridos desde muito novos, desde bebés, com a norma cromática do azul para meninos e rosa para meninas, e desde crianças de fralda com a imposição de tarefas domésticas e o mito da virtude da pureza às meninas, ao passo que os meninos são incentivados a terem brincadeiras mais físicas, com veículos motorizados e elogiados pelas suas proezas desportivas.

A Comissão para a Igualdade e Cidadania de Género está a averiguar a discriminação denunciada, em virtude de múltiplas queixas. A Porto Editora rejeita as acusações e defende-se com o sucesso de vendas da publicação. Aguardemos.

Contudo, até lá há que notar o ponto positivo do assunto ter gerado celeuma e queixas efectivas. Provavelmente, se o episódio se tivesse passado há vinte anos teria passado despercebido. É bom verificar que já vai havendo um grande número de pessoas atentas e interventivas, e que o Estado está aparentemente vigilante e disponível - apesar das falhas imensas nas acções concretas de educação para a igualdade de género, na prevenção e mitigação da discriminação e aplicação de políticas realmente igualitárias e justas.

Pelo andar da carruagem, parece que não vai ser durante o meu tempo de vida que vou ver igualdade de géneros em Portugal.... Aliás, às vezes tenho de me beliscar para perceber que não estou a sonhar que vivo no mundo dos anos cinquenta.

A Revolução não é feita só de tiros nem de cravos. A Revolução também é feita de beijos que atingem em cheio o peito -  uns ferem, outros matam - e de beijos perdidos, disparados sem mira e sem pontaria, para o ar.
A Revolução não se acompanha só de música de intervenção. Também se instiga com estrofes melosas cantadas baixinho ao ouvido, com poemas de Cortázar, e com a canção do bandido.
A Revolução sou eu, foi o que ele disse. Não acreditas? Ou tens medo de ir à luta sem armas?
Quero cuidar-te. Lamber as tuas feridas.
O amor não oprime, ou não é amor. E não havendo maior Revolução que o amor, também não existirá amor maior do que a transformação revolucionária do que está errado, injusto e triste. Eu sou a Revolução, tu és a Revolução. Seremos mártires ou carrascos, mas jamais amordaçados, jamais apenas vítimas sem nome, águas estagnadas e conformadas. Não me renderei.

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A repressão dos tempos modernos, no meu local de trabalho e por parte da minha chefia, faz-se assim, com toda a classe e inegável fineza (not!). Sempre que as conversas entre colegas são consideradas inoportunas (que é quase sempre que não envolva directamente a pessoa em questão), são soltos profundos suspiros. Quem não conhecesse a peça pensaria que era paixão assolapada, daquela que aperta o peito e faz suspirar.

Pior ainda é quando as conversas alheias tomam um rumo que desagrada, seja pelo seu teor político (nestes casos sou eu a culpada 90% das vezes), anti-religioso (hmmm, 90% das vezes também serei eu) ou críticas a decisões da empresa. Nestes casos surge um pesado catarro de fumador (estranho sintoma para quem nunca fumou), intencionalmente sobrepondo-se às demais vozes. Escusado será dizer que se o efeito pretendia ser apaziguar as conversas ou o seu tom, tem o efeito precisamente oposto, já que toda a gente nota a reacção estapafúrdia e torna-se por demais divertido observar estas cenas quase pavlovianas.

Uma coisa que me indigna (também tenho direito, ‘tá?!) é quando se cumprimenta cordialmente alguém, com um corriqueiro – mas essencial – “Bom dia!” ou “Boa tarde!” e não se obtém resposta alguma. Deve ser mau-feitio meu e as pessoas são só duras de ouvido ou distraídas.

 

Já quando isto é prática repetida sem excepções, tira-me realmente do sério!

 

Como para mim é uma questão da mais básica educação, mantenho a minha postura e faço questão de continuar a dizê-lo de forma inequivocamente audível (nas primeiras 15 vezes ainda penso que sou eu que estou a falar baixo demais, o que é normal em mim) a estas pessoas muito concentradas ou atarefadas demais para cumprimentar os outros seres humanos. Nos dias em que estou particularmente atravessada repito, quase aos berros “BOM DIA!!!”. Temo que um dia perca noção de onde estou e dê uma cabeçada a alguém. Hoje ainda não foi o dia… mas quase!

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Quem descobrir a mentira ganha... um beijinho na testa!

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