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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

"It may be that the satisfaction I need depends on my going away, so that when I’ve gone and come back, I’ll find it at home.” - Rumi


It may be I'm just running, it may be I'll never come back. It may be I find home somewhere else. It may be all I ever needed is just somewhere I can't reach, for it is not in a place or a job or a thrill or a path. It may be that you are the one missing piece I lost for good and going away doesn't change anything. I won't stop missing you, you won't forgive, you'll never think of me again and I'll never give you my love. It may be that the Universe won't collapse with this total absence of logic and magic and it just may be we'll have another chance in another lifetime.


 


Deixa-me ser tua namorada por um dia. Assim como que à experiência. Tirávamos as dúvidas e eu podia morrer em paz, tendo sido feliz mesmo que só por um dia. Só pedia um dia. Um dia que ia querer esticar ao infinito para lhe caber tudo o que quero fazer contigo, tudo o que quero dar-te. E dava-te os meus dias, todos, inteiros, e as minhas noites com lua e estrelas. Ama-me um dia. Um que seja. Pausa a vida que te afasta de mim, esquece tudo o que já aconteceu e dá-me um dos teus dias. Como se eu fosse novidade. Deixa-te amar por um dia. Tenho mais beijos que minutos, mais sorrisos que palavras. Só um dia. Acordamos juntos e chamamos o sol para as nossas mãos. Não precisas de bagagem nem relógio, traz só o coração limpo e dois braços abertos. Deixa-me fazer dum dia o primeiro nosso dia. Todo nosso, de verdade. Mesmo que a seguir tornes a partir sem olhar para trás. Queria um dia. Um dia em que não tivesse de chamar por ti com todas as energias que já não tenho. Um dia de ti.


Há desejo de parar colado a cada músculo do meu corpo, incluindo (e sobretudo) o coração. Como se cada célula estivesse exausta e a pedir um sono profundo e regenerador. Desejo de descanso, de pausar agonias e desgastes, de ter tempo para secar as lágrimas, aquelas que não se vêem. Vontade de voltar as costas a tudo e de partir em paz, em silêncio, sem levantar uma folha do chão.


Não sou mulher de me quedar por empates nem prolongamentos. Que vá a penalties, com morte súbita. Travar um duelo de mim contra mim foi a mais triste das ideias que já me ocorreu, e aquela a que não tenho como escapar. A vontade de seguir contra a incapacidade de desistir, a necessidade de comandar o meu destino contra tudo o que sinto, contra tudo o que, por muito que negue, continuo a sentir. O meu reino por uma derrota! Qualquer que seja o lado vitorioso... Paz! Silêncio!


Há algo que me fascina e delicia nas estações de comboio. Já passei por algumas, por esse mundo fora, e todas me parecem familiares. Todas têm um encanto quase domiciliário, transmitem-me o estranho conforto de estar em casa. Casa é o sítio onde se pertence. Talvez por pertencer mais às viagens, idas e chegadas, do que a um ponto de coordenadas fixas. Em cada estação de comboio, as mesmas caras, as mesmas vidas. Os do quotidiano, os de visita, os que como eu vagueiam. Sem o burburinho estéril dos aeroportos (que também me fascinam mas doutro modo, mais high-tech, mais eclético e logo, menos verdadeiro). Podia passar dias a absorver estórias imaginadas nas zonas de partidas e de chegadas dos aeroportos, a ver as bagagens contar como foi. Mas nas estações de comboio faço parte dos carris, da História, de cada azulejo. A intemporalidade está presente em cada viagem, em cada atraso. Quando for pequena outra vez, vou dizer que quero ser maquinista.



As diferenças são muitas e nítidas. Sem ti acordo à mesma a pensar em ti, venho do sonho onde ainda te posso ver e vou para cada novo dia como se fosse para o cadafalso, onde tu não estás. Acordo com um esboço de sorriso e assim que percebo que as facas penduradas no tecto roçam-me os ombros com apenas memórias e nada mais, o sorriso dá lugar a um esgar de solidão. Nunca fui tão infeliz, se queres saber. Sem ti, preparo-me todos os dias para poder encontrar-te e o céu mudar. Disfarço as olheiras, ponho o mais doce perfume e a melhor lingerie. O meu coração pula quando a campainha toca, num misto de pânico e esperança que sejas tu. Ou quando vejo na rua alguém com semelhanças contigo, ou de cada vez que passo perto da tua porta. Sem ti sonho menos com o futuro e mais com o passado. Durmo mais, muito mais. Não tenho com quem deitar conversa fora até às 2 a.m. em school nights, já ninguém me recomenda filmes e notícias de jornal. Sem ti tenho pouca vontade de fazer planos, ou de ser espontânea. Sem ti, a lua continua a pedir para ser fotografada, mas eu já não to digo. Todas as canções são lamentos. Já vou tentando dormir no outro lado da cama, o que reservei só para ti. Já não questiono os porquês e termino sempre com pontos finais. Quando fecho os olhos estás lá, e quando os abro tenho vontade de correr para ti. Sem ti é mais difícil rir, porque mais ninguém tem as tuas piadas. Sem ti tenho as mesmas saudades tuas que tinha contigo, mas doem noutros sítios que eu desconhecia existirem. E ninguém me magoa como tu magoavas. Ainda não passou um dia em que conseguisse não derramar lágrimas impulsivas. Sem ti, não muda nada. Só a tua ausência em mim.


Se abriria a porta?


Abrir uma porta não significa apenas deixar alguém entrar. Significa que se está pronto para sair e explorar sítios novos, lá fora e cá dentro. Dentro de mim. A ti deixava-te entrar, como deixei sempre, tu entraste mal viste uma brecha, sem perguntar se podias. E eu não te expulsei. Achei até que entraste com tanta avidez que querias mesmo cá estar, e ficar. Entraste de rompante, impuseste a tua voz no meio dos meus sonhos e agarraste-me pela cintura. Deste-me a mão, levaste-me portas fora e portas dentro com rodopios, com esses sorrisos que me desfazem por dentro, com carinho e cumplicidade, possuíste-me, com força, com o que se parecia com mais do que paixão movida a desejo. E um dia saíste sem te despedires, deixaste a porta aberta e eu fiquei, parada, a ver-te longe, agarrada ao espanto do vazio e à solidão da dor. Chegaste a voltar, envergonhado e a medo, quase que a pedir desculpa por não teres resolvido as dúvidas que persistem como ferrugem num prego velho. E com mais amor que medo te voltei a abrir a porta. Agora, que não sei de ti, não sei o que pensar ou onde deixei o coração, decidi manter a porta aberta. Porque tenho todos os motivos para a trancar e vedar a pessoas como tu. Mas repara, está vedada aos outros. A minha porta convida-me a sair, mas eu não vou longe. Não quero ir sem ti. Se soubesse como encontrar-te ia até ao fim do mundo buscar-te, salvar-te. Quando quiseres ser salvo, a minha porta está aberta para ti. E só a fecho quando vieres com mais do que a paixão movida a desejo.


 


Os meus Sábados também já foram diferentes, os Domingos sempre um pouco mais tristes; continuam a ser. Também comigo tudo mudou de repente. Dum sábado para um domingo, precisamente, fiquei sem chão, o tecto desabou e com ele pensei que a minha vida toda. Achei que os planos deixaram de fazer sentido, achei que nunca mais poderia rir com gosto e que tinha ficado uma cratera no local onde antes guardava o coração.


Sim, fui feliz, como se é feliz quando se pensa que se alcança o topo do mundo e das sensações, quando se quer tanto uma coisa que se chega a acreditar que ela existe sem ela estar lá. Como uma ‘gravidez psicológica’, talvez tenha sido este amor tão perfeito, que não tinha perfeição em lado nenhum. Foi parido a dois, com ternura, amizade, paixão, - e sim, porque não chamar as coisas pelos nomes? – amor. Durou demasiado tempo, demorou-se demasiado tempo em cada uma daquelas fases que se deve sugar com fervor e passar de mão dada para a seguinte. Algo se perdeu. Talvez saiba até esmiuçar o quê e o quando e o porquê, mas já não vejo propósito nisso.


Tirei o tempo necessário para a auto-comiseração. Não tanto assim, que também nunca fui muito dada a olhar para trás. Mas chorei, às escondidas e nos ombros que serão sempre Amigos. Chorei no comboio, envergonhada por mostrar tamanha fraqueza a caras atónitas e felizmente anónimas. Chorei desorientada, chorei magoada, chorei rios que pudessem partir em busca da razão que nunca soube. Ele tinha partido, sem pré-aviso, sem justificação, sem sinais de desamor. Partiu com medo, encolhido, enterrou a cabeça na areia e não mais de lá a tirou.


Não aponto o dedo, não o culpo de nada em que eu não seja também culpada. Estou em paz, comigo e com ele e desejo-lhe (não preciso de vincar que com toda a honestidade, ele sabe que eu só digo o que quer que seja desse modo) que seja extraordinariamente feliz.


É tão mais simples perspectivar à distância, quando as memórias já foram lavadas. Tão mais fácil relativizar quando a escala já não é a mesma.


Não cheguei a reencontrar nada do que perdi. Obviamente também não procurei, porque só procuro o que quero. Nem quero regressar àquele lugar, àquela pessoa que fui, com limitações, sempre presa pelas vontades de outra pessoa, pelos limites, por querer ter o que não podia porque não existia. Vejo agora que o que eu pensei ser o topo do mundo era afinal a rampa de lançamento para outros universos, que ainda nem tive tempo de descobrir! Eu não pertenço a um cantinho, apertada entre dois braços; nunca poderia ser feliz sem as asas abertas! Eu sou do mundo! Tenho fome e sede de viver todas as sensações, mereço rir até me engasgar, mereço todos os medos do desconhecido, mereço os beijos inesperados, mereço os poemas e as músicas dedicadas, as flores colhidas no campo, mereço cada fotografia tremida. A minha ambição é uma apenas, mas tão grande… Eu quero, e vou, ser Feliz! Só ou bem acompanhada pelas grandes planícies da vida, por cima das estrelas e sob os oceanos. Quero tudo, todos os lugares, todos os sabores, sem limites!


 


Descobri tantas coisas que não me havia permitido sequer imaginar... às vezes é preciso deixar arder, morrer para renascer mais forte. Hoje, sinto-me tão mais EU. Ainda que seja Domingo. =)



 


Ver-te ao longe, como se me tivessem oferecido um presente envenenado. A não-reacção, os pés paralisados e a cabeça desligada do resto do mundo; o não poder gritar e fugir para a outra realidade, a alternativa que criei, onde tu não tens lugar, onde não conheço o sabor dos teus beijos, o teu cheiro, onde não oiço os teus pensamentos a ecoar, estridentes, na minha cabeça. Nessa realidade não dói saber que não sou eu que te faço sorrir, não há lugar para memórias tristes, não há a secreta vontade que me vejas também, a sorrir para o meu par, que sorri de volta e me fecha na palma da mão o sorriso terno e tolo dos apaixonados.


Por que caminhos caminhei, que não consigo encontrar o caminho de volta? Descurei a precaução, e o coração fugiu a galope para longe das minhas rédeas... Não posso desejar que nunca tivesse acontecido, não me arrependo, porque foi - sabes bem – genuíno, em cada momento. Mas desejo, e como desejo!, voltar a ser quem Eu era antes de ter baixado as armas e ter deixado entrar a tua luz. O tempo incomoda e pica e arranha, como uma camisola de lã que não se consegue nunca despir, o querer retroceder e não encontrar a mudança, o saber que nunca o que foi tornará a ser e, também, que todos os blocos de gelo derretem. Está na hora de voltar a página e celebrar o amanhã. 

Mau argumento de sequela, este filme errou o público. Actores que não sabem fingir um sorriso, sequer tentam o beijo desinteressado. As legendas: desfasadas, com entrelinhas que decidimos ignorar em complacência. A banda sonora que apela à libertação e o céu que fica, pálido, sem surpresas.

Tenho as palavras coladas ao esterno, embargadas, secas e empasteladas, não fluem com a naturalidade de quem conversa no escuro e espanta o sono, com gosto, como gosto. Evidentemente, as emoções andam desalinhadas, não me querem sair em linha recta, arquivadas por intensidade e ordem cronológica. Saem em ondas espumosas, revoltadas, à revelia da ordem que tinha imposto a custo, arrastam consigo todos os oceanos onde me podia perder. Quando olho nos teus olhos, só silêncios à espreita, intenções não ditas, gestos que se arrependem a meio… Recuos. Nos meus, recantos de dor que sabes decifrar. Daquela dor tua... Tua porque a inventaste. O rol das tuas culpas só te convence a ti; sou eu quem não é perfeita o suficiente para cativar o teu tempo, sou eu quem não é forte o suficiente para me querer dar (apenas) a quem me quer bem. Tu, não mereces uma das minhas sílabas. Mas escrever-te-ei até te exorcizar. Porque são os silêncios escuros que me corroem os dias, que não sei encontrar-te na ponta dos meus dedos, onde te tive tão certo, te senti seguro de ti e tão feliz. 

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