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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Ando nesta vida dos blogues há carradas de anos. Fui mudando de endereço, fiz umas pausas pelo meio, fui afinando o registo com as cargas de porrada da vida e, tendo tido a sorte de encontrar “O” melhor homem do mundo para partilhar a vida, lembrámo-nos de estender a pareceria doméstica também aos blogues. Criámos então o AntiBlogue. Eu escrevia cenas várias, ele era o DJ de serviço, às vezes trocávamos de papel, outras vezes entrávamos em hibernação…
Mas vocês sabem como são as mulheres, sempre a inventar e complicar, e eu decidi que precisava de um espaço mais meu, que não tenha de fazer sentido (muito à minha semelhança), com liberdades poéticas e estilísticas e com espaço para os devaneios surreais que servem de escape artístico. Vai daí, fiz as malinhas, arrumei a trouxa nas novas estantes e abandonei o gajo à sua sorte. Seguimos caminhos separados, cada um por si. E estamos bem, porque antes de sermos um casal, somos duas pessoas distintas e com necessidades distintas, personalidades diferentes e identidades em permanente evolução.

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O gajo não precisa, porque ainda esta semana esteve destacado pelo Sapito, mas ele é mesmo O melhor do mundo, apesar de lampião. E caviarzinho.

Ide lá encher-lhe o ego, ide!

No outro dia passei com o gajo em frente a um alfarrabista, já fechado. Como ele costuma reclamar que é muito difícil oferecer-me prendas, que eu sou muito esquisita (mentira, tenho é gostos distintos da maioria), e ainda por cima temos uma longa discussão em curso desde que nos conhecemos sobre o facto de eu preferir quase sempre literatura e ele preferir quase sempre não literatura, sugeri dois livros que me fariam feliz como presente de aniversário. De valor simbólico, dois livros não literários que têm tudo a ver comigo. Sugeri que tirasse foto para não se esquecer.

Faço anos daqui a mais ou menos dois meses. Quem aposta comigo que, mesmo com este post, ele vai esquecer-se ou pelo menos trocar-se e não traz os livros certos?

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Tento enganar o pensamento, distraí-lo com trabalho, pensamentos abstractos ou disparates, mas é a ti que encontro. Leio mais um conto do velho livro do Gabriel, mas revejo-te nas palavras inesperadas, nos absurdos caribenhos, nas imagens que vou pintando de surrealismo improvisado. Dou por mim a recordar-te a voz suave – suavecito - em repetição, a recordar-te cada pensamento, o idealismo, esse tal que me agarrou forte pelos ombros e me sacudiu de cima a baixo. Divago novamente e regresso aos beijos, a esses lábios de nuvem morna e doce que deixaram saudades. Perco-me.

Faço um esforço para me lembrar que não tens sido correcto, para recordar o buraco fundo no peito em que a tua frieza me enterrou. Respiro fundo e continuo a andar. Nem a mim me engano - os olhos procuram-te na multidão, inconscientes, e a respiração suspende quando outra barba negra surge ao longe. O instinto é perguntar por ti, saber onde estás e quando posso voltar a ter o teu sorriso na mão. Vem ter comigo, vamos ver o mar, fazer festas aos gatos. Fala-me baixinho ao ouvido e pede outra vez que te chame namorado.

Cerro os lábios e insisto, não vou ceder. Não sou um acessório a usar só quando precisas de mim, que pode ficar arrumado na prateleira até lá. Se nunca serei a prioridade, então não quero ser nada. O amor não é lógico mas também não é um sentimento em part-time. Vai lá salvar o mundo com os teus longos textos sem a audiência que merecem, ou dormir, ou recrutar mais um insatisfeito, ou lá o que é que te consome todos os segundos. Fico zangada e triste, mas resisto. Disse que me ias arruinar, mas não vou permitir. É que - sabes? -  também é o meu idealismo que me salva de ti.

Já da maldita inquietação…

Deixa-me ser tua namorada por um dia. Assim como que à experiência. Tirávamos as dúvidas e eu podia morrer em paz, tendo sido feliz mesmo que só por um dia. Só pedia um dia. Um dia que ia querer esticar ao infinito para lhe caber tudo o que quero fazer contigo, tudo o que quero dar-te. E dava-te os meus dias, todos, inteiros, e as minhas noites com lua e estrelas. Ama-me um dia. Um que seja. Pausa a vida que te afasta de mim, esquece tudo o que já aconteceu e dá-me um dos teus dias. Como se eu fosse novidade. Deixa-te amar por um dia. Tenho mais beijos que minutos, mais sorrisos que palavras. Só um dia. Acordamos juntos e chamamos o sol para as nossas mãos. Não precisas de bagagem nem relógio, traz só o coração limpo e dois braços abertos. Deixa-me fazer dum dia o primeiro nosso dia. Todo nosso, de verdade. Mesmo que a seguir tornes a partir sem olhar para trás. Queria um dia. Um dia em que não tivesse de chamar por ti com todas as energias que já não tenho. Um dia de ti.

(publicado originalmente em 19.05.2010)

Demasiado independentes, como já me acusaram de ser, como se fosse uma coisa má pensar pela própria cabeça e não esperar pelo aval de ninguém para fazer o que se decidiu fazer. 
Curiosamente, não me revejo nada nessa adjectivação. Até me sinto bastante dependente, com necessidade de que gostem de mim, dependente do amor de um homem (digo-lho amiúde que é uma doença, uma dependência irritante, e que é frustrante não conseguir deixar de gostar dele, mesmo quando me irrita e faz zangar a sério). 
Admito, contudo, que o que passa aos outros como independência e capacidade de suportar tudo sem apoios externos pode trazer outros problemas, nomeadamente nas relações amorosas. A outra parte vê-nos resolver coisas, tomar decisões e iniciativas, fazer mudanças, levar a cabo ideias peregrinas, muitas vezes só porque metemos isso na cabeça e não pedimos licença a ninguém para avançar. Desbravamos terreno, muitas vezes sozinhas, vamos buscar forças desconhecidas, superamos os obstáculos e nunca nos damos por vencidas. Aguentamos o barco quando os outros à nossa volta têm problemas, e toda a gente os tem. Acho que as mulheres portuguesas do século XXI têm quase todas um complexo de super-mulher. E os nossos parceiros vêem-nos ser super-mulheres, mesmo que também consigam ver as fraquezas - porque as fraquezas tentamos esconder, não damos parte de fracas, e só os argutos vão conseguir ver além do que julgamos permitir. Porque como super-mulheres não queremos falhar com ninguém e não queremos sobrecarregar os outros, que já têm os seus problemas, e por isso não nos queixamos. Nunca. Engolimos as dores, as frustrações, os anseios e inseguranças. Quando estamos mais fragilizadas, a capa endurece ainda mais e, por mim falo, as reacções podem ser desproporcionadas e injustas para quem está mais perto. (Além disso tudo ainda há toooooda a agravante hormonal e TPM, etc. e tal, que exacerba tudo 500 mil vezes.) 
Somos, portanto, qualquer coisa que se assemelha a bombas-relógio, passíveis de explodir com um breve tic-tac, uma coisa mínima. E seremos muitas vezes incompreendidas, porque - não se enganem - toda a aparente independência não implica desapego, não implica que não seja necessário dar carinho, atenção, ter a flexibilidade de perceber como é estar na nossa pele. Mesmo os cactos precisam de água.

 

[Posso ser casmurra como uma porta e só fazer aquilo que bem entendo, mas se peço uma opinião é porque me importa saber o que pensas. Posso repetir mil vezes que estava bastante feliz e em óptima companhia quando estava sozinha, mas se peço que me acompanhes é porque prefiro estar contigo.]

 

Podemos ser demasiado independentes, demasiado aventureiras, demasiado racionais, demasiado inteligentes (?). Os nossos parceiros podem sentir-se ameaçados por isso, se forem inseguros, ou não o compreenderem, ou sentirem a sua virilidade ameaçada (e os mais tolos tentarão conter ou suavizar-nos, se não forem parceiros à altura). Podemos achar que somos super-mulheres e temos de superar todas as (nossas) expectativas. Mas não nos esqueçamos de ser também, apenas, absoluta e exactamente quem somos. Não a 99% nem a 101%, mas plena e absolutamente quem somos. E isso começa por sermos humanas.

 

Nos últimos anos, tenho dado por mim a gostar de alguma ficção televisiva que, à partida, diria que não me interessaria por aí além. Um exemplo imediato (entre outros): Walking Dead. Resisti bastante no início, das pequenas partes que já tinha visto lembro-me de achar inúmeras falhas no enredo e na caracterização dos zombies, por exemplo, mas perante a insistência do homem, lá tive de papar acedi a ver as 3 ou 4 temporadas iniciais.


Fiquei "agarrada". Ainda hoje faço os mesmíssimos comentários às incoerências científicas (e não só) que vou apanhando, ou a coisas que me intrigam (tipo o cabelo do Darryl ser SEMPRE oleoso, mesmo depois de tomar duche!...), mas a verdade é que me tornei fã da série.


Pensando a sério sobre o assunto, concluo que os enredos distópicos, quando bem explorados, atraem o público em geral por demonstrarem, com recurso a situações extremas, a verdade nua e crua sobre a natureza humana:



  • Somos animais - e tantas vezes nos esquecemos que somos regulados principalmente por instintos e toda uma herança genética que busca apenas a propagação da espécie, atendendo às necessidades básicas em primeiro lugar, e só depois a considerações morais, filosóficas ou teológicas. Antes de sermos seres cientes, somos bichos.

  • A sobrevivência do mais apto é a regulação natural do sistema; todos morrem, os mais fracos/menos adaptados morrem primeiro.

  • As pessoas nunca mudam! Podem apurar alguns traços de personalidade ou aprender algumas coisas, mas a essência de cada um é essencialmente imutável. Somos fracos, temos vícios, erramos, e a história repete-se porque não se consegue fugir a quem somos.

  • Ninguém é inocente. Nem crianças, nem personagens insuspeitos que foram "bonzinhos" e almas caridosas a vida toda - aparentemente. Todos temos segredos, falhas, vergonhas ou arrependimentos.

  • Todos podemos ser monstros; en circunstâncias extremas vamos buscar forças escondidas e somos capazes de fazer TUDO (mesmo tudo!), para proteger a prole, o clã e a nós próprios (não necessariamente por esta ordem).

  • Os momentos extremos trazem à tona o melhor e o pior da humanidade. Como descrente na Humanidade em geral, desconfio que isto seja mais verdade na ficção do que na realidade, mas dou o benefício da dúvida. Se calhar todos temos um herói cá dentro, mas se calhar também todos temos um vilão à espera de oportunidade para se revelar.

  • Não há bons nem maus. Isto é o que mais me fascina nos cenários distópicos, na televisão, mas sobretudo na Literatura (arte maior, a meu ver), como comprovam grande parte dos clássicos mais geniais. Ao contrário da ficção banal e sensaborona, os grandes mestres conseguiram captar nas suas obras o âmago da essência humana. Não há bons versus maus, não há preto no branco. Todos e cada um de nós somos ambas as faces da mesma moeda. A sangue frio, a análise duma qualquer cena cruel, descontextualizada, leva-nos a tecer quase imediatos juízos de valor. E depois, quando nos envolvemos com a história, e com uma sólida construção dos personagens, invariavelmente criamos empatia, solidarizamo-nos, compreendemos os "actos atrozes" e às vezes passamos a simpatizar com os "malfeitores", porque nos revemos. Porque ninguém é sempre canalha, ninguém é sempre bonzinho, porque ninguém é perfeito nem infalível. Porque isso é ser humano.


Nos dias 14 de Fevereiro que passei, desde a adolescência, sem namorado (e foram muitos), sofri. Porque parecia que toda a gente tinha alguém com quem partilhar não só a data, mas a vida, menos eu. Toda a gente estava feliz e eu acreditava que iria ser infeliz a vida toda, que nunca ia ter uma alma gémea que me compreendesse e que gostasse de mim. Via casais de mãos dadas em todo o lado e, apesar de nunca dar parte de fraca nem lamentar-me em voz alta sobre o assunto, sofria. Sofria calada, chorava até, de uma solidão que via como sentença ou premonição. Às vezes chegava a comprar prendas, quase sempre perfumes, para mim própria, como forma de me mimar nesse dia em que me sentia tão pouco amada, o que me tornava mais triste ainda.
Depois as coisas mudaram.
Desculpem a frase feita mas comigo foi mesmo assim: primeiro, tive de aprender a gostar de mim, e só depois acreditei (e permiti) que outras pessoas também gostassem.
E então passei a ter um jantar romântico a 14 de Fevereiro, declarações de amor e corações, tudo cor-de-rosa e exactamente como os filmes de Hollywood nos ensinam que deve ser o amor. Todos estes rituais ocos, mas idênticos ao que o resto da tribo cumpria, faziam-me sentir normal, ou pelo menos "como as outras pessoas", e durante algum tempo pensei que a minha insatisfação era uma falha minha, que o amor era mesmo assim, uns dias melhores e outros piores, um contínuo esforço de compromisso e cedências mútuas - que não serviam a nenhuma das partes.
Os ciclos repetiram-se umas poucas de vezes, em nada iguais, em tudo idênticos.

 

O que me salvou foi a descrença. Questionei demais, e deixei de me conformar. Também deixei de acreditar no Amor e na minha sanidade mental, fiz um esforço para ver a vida com um olhar frio e cínico. Decidi que se o amor era aquilo, então não servia para mim, e fiz-me à vida. Sempre soube que o que quero para mim não está nos cânones, não é previsível nem está escrito em lado nenhum. Deixei de me importar. Tinha coisas mais importantes a acontecer para me perder em lamentos.

 

Nunca olhei para trás. Não procurei, cheguei a resistir, e não tive como fugir. Aconteceu. Num ápice, mas sem pressas. Porque tinha mesmo de ser assim. Quando é óbvio, não há porque adiar ou recear. Não importa para onde vamos, se vamos juntos no mesmo caminho.

 

Agora, não preciso de presentes e corações desenhados para a fotografia. Agora, o Amor não tem dia marcado porque existe, entranhado suavemente em cada gesto, todos os dias. Agora, o 14 de Fevereiro é tão especial como o 12 ou o 13. Agora, também há cedências e compromissos, mas há mais do resto, da intimidade e cumplicidade, do carinho, da calmaria das certezas, sempre em crescendo, com segurança e em pleno. Agora já não sei dissertar sobre o Amor. Já não sei o que é sofrer por falta dele. Só sei que ele não é nada do que se vê nos filmes e será diferente para cada um. Para mim é um barbudo branquelas que me irrita como ninguém e que me dá abraços que valem o mundo. Agora, é Amor.

 

 

 

Já há bastante tempo que costumo usar uma questão, quer num exercício contínuo de auto-análise, quer quando aconselho outras pessoas: o que é mais provável, és tu que estás errado(a) ou é o resto do mundo (que faz/pensa o contrário de ti) que está errado?

 

Não é suposto a resposta ser sempre a da concordância com a maioria, porque as maiorias nunca foram garantia de sensatez ou de razão (a única falha da Democracia?), mas apenas dar o mote para uma reflexão descentrada do próprio umbigo. É que muitas vezes basta colocarmo-nos na pele de outra pessoa para perceber que aquilo que achamos óbvio pode não ser nada claro para outros, para perceber que os interesses pessoais conflituam muitas vezes com os interesses da maioria, ou até para aceitar contrariedades inevitáveis da melhor maneira possível. É, no fundo, o exercício elementar de nos colocarmos na posição dos outros, ou da mudança de perspectiva. Faz pela tolerância e compreensão do mundo e dos outros o equivalente à psicoterapia sobre o próprio. Experimentem, é grátis!

 

1. Manuel Maria Carrilho


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Isto sim, é amor! Bebia só para que ela não bebesse tudo sozinha. É o que se chama partilhar o fardo. (Por acaso eu também faço o mesmo, não posso ver o homem a comer um pedaço de chocolate que me atiro logo a ele e roubo-lhe uns quadrados, só para ele não comer tudo, que lhe faz tão mal...)


Além disso, Manuel Maria Carrilho compara ainda os seus livros a filhos, que foram maltratados e atirados para dentro de caixotes (os livros), como se fossem batatas. As batatas às vezes também têm olhos negros, os livros não sei...


 


2. François Fillon



François Fillon foi um marido do caraças, tendo arranjado uns piquenos biscates à sua esposa, que não davam muito trabalho (quase nada, na verdade) e por isso pagavam pouquito. Além disso, é ainda um pai do caraças, tendo ajudado os seus filhos na difícil integração no mercado de trabalho mesmo antes de terminarem os cursos.


 


3. John



 


Escolha difícil...


 

O meu homem tem um problema grave. Pensa que me chamo Google. Todos os dias - repito, toooodos os dias - dispara perguntas aleatórias, sobre qualquer tema, desde ciência a culinária, a qualquer momento, e espera pela minha resposta. Eu até gosto, confesso, de perceber o que fervilha naquela cabeça a mil à hora, por detrás daqueles olhos cor-de-mel. Depois irrito-me porque antes de terminar uma resposta já ele está a fazer outra pergunta. Mas o que me irrita mais é quando lhe digo que não sei, porque ele faz-se de indignado a pensar que eu não estou é com pachorra para lhe responder. "Como não sabes?! Sabes sim senhora! Tens de saber estas coisas!"


Da mesma forma que há pessoas que pensam que todos os advogados têm de saber todo o código civil/do trabalho/penal de cor, ou que todos os físicos têm de saber todas as teorias da física na ponta da língua, o meu homem acha que eu tenho de saber tudo sobre quase tudo, qual poço sem fundo. Talvez assim ele perceba: "Não sei, pesquisa na Internet! Eu não sou o teu Google!"


Eu - Podes pôr a mesa, sff?


O homem bufa, enfadado, e leva 2 individuais, 2 garfos e 2 facas para cima da mesa.


Eu - Mas vamos comer sopa.


Ele - "Ah, esqueci-me das colheres."


Eu - E os copos?


Ele - "Ah, esqueci-me."


Eu - Não te esqueças dos guardanapos!


Bufa mais um pouco e atira com os guardanapos.


Eu - O que é que vamos beber?


Ele - Grrrrrrrrrrr!


Tudo somado, os meus pais estão juntos há mais de 45 anos. Quase meio século de relação, sempre juntos. Sempre a partilhar a mesma casa, com altos e baixos, comme il faut, mas a sobreviver a todos os desafios (e não foram poucos, nem fáceis). Com diferenças, tantas (!), entre os dois. Com impaciências e discussões e crises, e gargalhadas e cumplicidade, e sem conseguirem viver um longe do outro. Mais de 45 anos. E sem nunca se esganarem ou envenenarem mutuamente!

 

Só isso já seria motivo mais do que suficiente para serem os meus heróis.

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