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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

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Odeio que sejas perfeito, talentoso e provocador. Odeio a torrente inconstante que és, num dia comportas escancaradas de emoção e no outro o deserto mais árido. Odeio que me tenhas apanhado de surpresa e que te tenhas entranhado em mim. Odeio que sejas birrento e mimado e que queiras tudo como tu idealizas, quando queres, sem dares espaço às necessidades dos outros. Odeio as saudades que tenho tuas e tu não tens minhas, odeio a falta que me fazes, odeio a poesia que pediste e depois apagaste. Odeio que tenhas tanto poder sobre mim, que as tuas palavras me rachem de cima a baixo ou me encham de luz. Odeio que me conheças tão bem sem me teres conhecido o suficiente. Odeio a tua retórica à prova de bala, o mel da tua voz, odeio o teu sotaque adorável e a maneira como franzes a testa. Odeio a tua barba desalinhada longe dos meus dedos, odeio as tuas dentadas. Odeio, mais que tudo, as tuas fugas, as tuas urgências e os teus silêncios. Odeio que estejas em todo o lado, em todas as canções, em cada memória do que quero repetir para poder viver tudo de novo mas contigo. Odeio o avesso em que me tornaste. Odeio a inevitabilidade do desastre que eu sou.

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