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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

(Este espaço esforça-se por ser apolítico, ao contrário da sua autora, que faz gosto em ser cidadã completa, de ideias muito definidas, e que pretendem ser muito lúcidas, sobre o mundo em que se insere. Contudo, por mais que o pseudónimo fuja, não tem como se alhear de princípios fundamentais da liberdade e expressão.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há os (felizmente, muitos) que concordam com a Greve e todos os motivos pela qual ela foi convocada (a 2ª na História de Portugal que reúne as duas grandes centrais sindicais - só isto diz muito da necessidade de reivindicação) - eu uma deles - e aderiram à greve. Há os que concordam igualmente mas, seja por precariedade da sua situação laboral, por situações opressivas ou outros motivos, não puderam/quiseram aderir e protestam como podem e entendem, ou não protestam de todo.

 

E depois há os outros, os que são "contra a greve" e que não encontram justificação nos motivos pelos quais a greve foi convocada. Também têm direito à sua opinião, a manifestá-la e a existir, concerteza. (Digo eu, que até sou contra a pena de morte para criminosos sanguinários, quanto mais restantes seres humanos. Não me apraz particularmente a existência de, por exemplo, nazis, racistas, homofóbicos, mas reconheço-lhes iguais direitos aos demais e jamais seria capaz de agredir verbal, psicológica ou fisicamente alguém simplesmente por pensar de maneira diferente da minha, por maior que seja a ignorância que, no meu entender, lhes assiste.)

 

 

 

Sinto que tenho de tocar neste assunto, porque oiço e leio reacções à greve que me parecem absurdas, ataques pessoais, ofensas e isso sim, é um atentado à liberdade. Faz falta civismo, respeito e tolerância. Faz tanto sentido chamar aos grevistas mandriões e preguiçosos como faria chamar aos não grevistas porcos fascistas. Ou seja, não faz sentido algum. O direito à greve é um direito que assiste aos cidadãos. Tanto quanto o direito de não fazer greve. Ou o direito às manifestações. Ou o direito ao livre arbítrio e às confissões religiosas. Lá por pensarmos que a nossa ideia é mais correcta do que a do vizinho do lado, que até podemos considerar que seja ignóbil, não temos, ninguém tem, o direito de tentar impedir que a outra ideia exista. Agressões a piquetes de greve e boicotes a quem pretende trabalhar são manifestações de idêntica hipocrisia, são atentados à democracia.

 

 

 

Felizmente, outros tantos são esclarecidos e manifestam as suas convicções com sobriedade e respeito. Passo a palavra:

 

 

 

"A cidadania é das coisinhas mais fáceis de aprender e só não aprende quem não quer. Parte dela passa por respeitar o exercício que outros fazem de um direito que é de todos, mesmo quando nós não o fazemos."

 

 

 

"Percebo que muitas pessoas não podem fazer greve por estarem em situações de imensa precariedade. Mas enquanto os trabalhadores continuarem desunidos, continuaremos a ver esta constante erosão dos nossos direitos..." "Era importante fazer muito mais do que uma greve. Manifestações e luta. Vejamos o exemplo de França..."

 

 

 

"Today I'm not on strike but I'm dressed in black for Portugal. Because I believe we should shout out at the top of our lungs when "enough is enough" and our voices should be heard!!!!!! De luto por um país melhor!"

 

 

 

"Milhões de pessoas em todo o Mundo sofreram (a bem sofrer) para conseguir melhores condições de trabalho e também o direito à Greve. Os direitos defendem-se exercendo-os. Façamos nós agora a nossa parte!"

 

 

 

"Não fiz greve. Não fiz greve porque achei que não devia. Acho que quem fez greve, se o fez por convicção, fez muito bem. O direito à greve demorou demasiado a conquistar para andar a ser desbaratado (e desvalorizado) por dá cá aquela palha. Mas é um direito. Tal como é um direito não fazer greve. Somos crescidinhos, fazemos as nossas escolhas, respeitamos as escolhas dos outros."

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