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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Não sou uma daquelas pessoas de pessoas. Não gosto de pessoas (generalizando e arredondando), porque sou introvertida e impaciente e impulsiva e outras coisas começadas por i (sim, idiota encabeça a lista de qualidades). Ou seja, nunca quis trabalhar com pessoas (saúde, acção social, tudo o que envolvesse atendimento ao público e lidar com muitas pessoas diferentes diariamente seria tortura, juro), não sou sociável, não é fácil dar-me a conhecer profundamente.

E depois vêm as excepções. As improbabilidades. E os laços nascidos entre gargalhadas e leituras intuitivas. 

A colega mais querida, a que me mandou os primeiros beijinhos, por telefone, naquela empresa (e eu nem sabia quem ela era) vai reformar-se. São décadas naquela empresa, com colegas-amigos da mesma geração, com estórias mil, confidências, uma vida! E é a mim que ela dá a notícia com os olhos (duas estrelinhas tão generosas) marejados dos suspiros saudosos em antecipação. Tenho tido sorte com as pessoas que deixo entrar cá dentro, pois tenho.

 

 

 

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