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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

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Uma das insuspeitas dificuldades na vida de um introvertido é ter de lidar com pessoas extremamente extrovertidas, comunicativas, que metem conversa por tudo e por nada. A cada uma destas interacções, o introvertido vai ficando cada vez mais cansado, sem energia, esgotado.
Sabem aquele pessoal que trabalha no atendimento ao público e consegue estar sempre a sorrir e gerar empatia em três tempos? São o máximo, não é? Não. Para mim não. Aliás, prefiro mil vezes, por exemplo, ir àquelas lojas enormes em que se precisares de ajuda em alguma coisa tens de andar à procura de um funcionário do que ir a sítios onde, assim que entras, alguém se dirige a ti e pergunta se pode ajudar. Não, não quero ajuda, quero estar aqui a olhar e a dialogar comigo mesma sem ser perturbada nem observada!
Eu sou a pessoa mais introvertida do Universo e confesso a grande dificuldade que tenho diariamente.
Tenho uma chefe que podia ser apenas o cúmulo da extroversão, mas é muito mais do que o que posso narrar aqui e ainda acresce que tem uma fobia ao silêncio. Não consegue ficar calada, em circunstância alguma, o silêncio é-lhe verdadeiramente desconfortável, interpreta como outra coisa qualquer (desânimo, fatiga, mau feitio, sei lá) e, portanto, o normal é, se mais ninguém fala, tratar de preencher esse "vazio" (que para mim é essencial é sabe tão bem).
Quando tenho de passar um dia inteiro só com a chefe, é certo é sabido, chego ao final do dia com a cabeça feita em água. É óbvio que sei que não é por mal, não é defeito, é feitio, mas a sério que ultrapassa todos os limites possíveis. Chega mesmo ao cúmulo de, não tendo mais assunto para falar, ir revelando estórias pessoais e íntimas, nomeadamente que dizem respeito apenas a outras pessoas! Claro que, assim, a vontade de dizer o que quer que seja é cada vez menor...
Preciso de privacidade, sossego, recato e em calhando até isolamento. Não tem mal nenhum, fico em óptima companhia.

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