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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Um dia cresces. Olhas-te ao espelho e sentes-te homem. Vais bater com a cabeça e perceber que nunca soubeste o que é amar. Nunca amaste. Passaste a mão pelo corpo de alguém sem que o toque te provocasse um arrepio pela espinha. Adormeceste sempre. Mesmo que tenhas chorado durante horas com a cabeça enterrada na almofada. Adormeceste sempre. Nunca perdeste o apetite. Nunca te isolaste. Nunca as tuas pernas (e o teu coração) deram, ao mesmo tempo, um impulso na direcção dela. Tiveste-a. Mas também tiveste medo. Deixaste-a ir. Mas ela nunca te deixou ir. Escolheste sempre o caminho mais fácil. Não deste hipótese ao amor. Ele não é simples de se ter. Mas isso é inevitável, quando ainda não se tem a força de um homem. Diz-me, quantas vezes, apanhaste o primeiro comboio e foste ter com ela? Mesmo que isso implicasse ter de passar a noite na estação, ou ter de fazer uma directa? Quantas vezes lhe vendaste os olhos e lhe tapaste os ouvidos e a guardaste em ti? Quantas vezes depois de ela te ter dito "desisto" lhe refutaste os argumentos? Diz-me! Não sabes o que é sentir o estômago a dilatar, os olhos a arder. As mãos frias no Verão e suores quentes no Inverno. Não sabes o que é escrever uma carta de amor pirosa e rasgá-la logo depois com vergonha. Não sabes o que é adormecer a olhar para o telemóvel à espera de uma chamada ou de uma mensagem. Ou como se fica quando somos rejeitados. Para ti, o tempo nunca parou nem nunca avançou depressa demais. Tem o equilíbrio que lhe conhecemos. E tudo é simples e descomplexo como quando temos cinco anos. Nunca amaste, meu querido. Não me venhas agora dizer que sabes o que é a vida.


 


advogada do diabo

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