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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

É um tema sensível e polémico q.b., mas interessa-me, enquanto potencial dadora, enquanto potencial receptora, enquanto mulher, enquanto ser humano.


 


A legislação é dúbia, semi-omissa, por enquanto, em Portugal. Desconheço se algum dos partidos políticos com assento parlamentar tem alguma proposta de alteração da lei nesta matéria, e se por aqui passar quem o saiba, muito agradeço que me informe e documente.


 


Não sou mãe. Não sei se virei a ser. Durante alguns anos tinha uma séria dúvida, clinicamente fundamentada, sobre a minha fertilidade. A dúvida dissipou-se e aparentemente, dizem os médicos, não há nenhum obstáculo. A verdade é que também nunca tentei engravidar, e há uma forte probabilidade de nunca o fazer. Mas as probabilidades são só isso, a vida dá muitas (tantas, tão grandes!) voltas, e já não digo nunca nem sempre.


Não sei se vou (voltar a) querer ser mãe. O que sei é que há muitas mulheres que querem ser mães e não o conseguem sem ajuda. Há casais e indivíduos que têm o desejo e condições e o direito de criar família, deixar descendência, procriar. Sou bastante sensível às múltiplas situações, conheço algumas de perto, umas com sucesso e outras com consequências devastadoras. E por isso, penso seriamente em doar os meus óvulos, caso reúna condições fisiológicas que os tornem viáveis e bons candidatos.


 


Se a minha motivação é puramente altruísta? Não. É até tendencialmente egoísta. A principal motivação não é a eventual recompensa monetária, mas acho-a não só justa como apetecível, naturalmente, e sempre o assumirei. A minha (sublinho, é a minha motivação, nem julgo nem critico as de outras pessoas e aceito todas, porque cada um é ou deve ser livre de fazer o que bem entenda, nos limites - por vezes contrários - do bom senso e da legalidade) é a propagação dos genes. É simples como isso. É o mais básico instinto animal. Sou filha única, e de entre a misteriosa combinação genética entre criaturas tão distintas e maravilhosas como os meus pais, saí eu, esta ambígua quimera. Às vezes gosto de mim, outras tantas nem por isso. Tenho genes porreiros e tenho genes fraquinhos. Sou feia mas estou entre as 5 pessoas mais idealistas que conheço, tenho memória de peixe mas sou honesta, a pele é reles mas o fígado um espectáculo. Tenho incontáveis defeitos mas meia dúzia de qualidades que por vezes os compensam. Tenho o "melhor mau-feitio" da região e um Q.I. interessante o suficiente para amedrontar 2/3 dos homens na minha vida. Balanço feito, há genes que era fixe que vingassem nas gerações futuras. Se não através de mim, porque não através de quem queira os meus óvulos?


 


Este pequeno esboço é uma reflexão aberta e em progresso... Veremos onde me leva.


 


Outras considerações em:


http://www1.ionline.pt/conteudo/79242-ovulos-valem-850-euros-ate-onde-vai-ilegalidade


http://www.unorp.br/downloads_blogs/A_Lei_de_Doacao_de_Ovulos.pdf


http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=658328

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