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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Ele não sabe que ela às vezes tem pena dele. Ela tem pena que ninguém lhe dê um beijo de boa noite e que ele deixe metade da cama vazia, à espera. Tem pena que ele não saiba dizer as coisas que lhe diz a ela a mais ninguém, e que mais ninguém as saiba escutar.

 

Ele trata-a nas palmas das mãos como se ela se partisse com um sopro. Ela é forte, feita de rebuçado, densa e ele admira-a. Mas ela derrete quando não deve. Ela é a força dele quando ele fraqueja e esquece que precisa ser mais forte por isso. Ele colocou-a num pedestal fechado para que o ar não a danifique e não se julga merecedor. Mas ele almeja um pedestal etéreo onde ninguém está ou quer estar. Ela detesta pedestais, mas gosta dele.

 

Ele é um Sol que a aquece em noites frias, que a ilumina a cada dia. Ele não suporta tê-la longe, mas acha que é só pela companhia.

 

Ela acha que nunca ninguém soube amá-lo por inteiro, com ternura. Ela pensa que ama mais do que alguém alguma vez amou. Ela queria que ele se deixasse amar e que isso lhes bastasse. Mas sabe que nunca bastaria.

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