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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Fiquei a ver-te. Descansado. Perdido nas horas que passam sempre depressa. Afaguei-te o cabelo. Perdi-me nas sombras que te marcavam o rosto a cada vez que mudavas de posição. Descobri-te uma pequena cicatriz no sobrolho. Apaixonei-me outra vez. Fiquei, vagarosamente, a olhar para ela. Depois descobri-te um pequeno sinal,quase imperceptível, debaixo do olho esquerdo. Como é que nunca o tinha visto antes? Voltei a apaixonar-me. Perdi-me uma imensidão de tempo, que são sempre minutos apressados, na pequena cova que tens no queixo. Decorei-te o desenho dos lábios. São perfeitos,foram, por certo, desenhados à mão. Toquei-te a barba que começou a aparecer no avançar da noite. Farta. Forte. Semeada com exactidão. Apaixonei-me. Enquanto tinha a mão aberta sobre o teu peito, e te sentia o pulsar do coração na palma da mão, reparei, acho que pela primeira vez, na tua maçã de Adão. Fiquei outros tantos minutos vagarosos, dos que passam a correr, a olhar para ela. Para ti. E ali estavas tu. Sem roupas. Sem máscaras. Sem nada que disfarçasse o que és ou do que és feito. Tu. Simplesmente tu. Desprotegido mas sem um rasgo de fragilidade. A nu com a luz que se agitava no quarto, a cada vez que mudavas de posição. E voltei a apaixonar-me.


 




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