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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

O Wild Falcon perguntou ao amor "o que queres de mim?"


Tentou dissecar nas memórias o que sabe e acredita e conclui que não o entende, ao amor, mas está certo de já o ter sentido de forma extraordinária e lamenta não ter sabido amar melhor. O tema é-me caro, já reflecti muito sobre ele, de vários ângulos. E por pensar, tenho de dizê-lo, como o disse:







Conversemos então sobre tempos verbais. Conheço bem várias histórias de homens presos a um sentimento. Eu também concordo que os sentimentos não morrem, mas tenho a certeza que mudam. E o amor que se teve no passado, bonito, guarda-se e acarinha-se como uma boa colectânea de momentos extraordinários. Mas guarda-se no passado. Não se traz para o presente e para outra pessoa o fardo de ser comparada à primeira, porque quando procurares a primeira nas seguintes nunca a vais encontrar, e estarás pouco atento a tudo o que as seguintes são. Ninguém é melhor que ninguém. Todos somos diferentes e insubstituíveis. Nem tudo o que acaba tem de ser negativo. Mas lembra-te que se acabou, foi por ter motivos fortes. As relações que se sustentam em amor e paixão não acabam só porque um dia corre mal e uma frase saiu torta, ninguém desiste de ser feliz, apesar de muitos não terem a coragem de dar o primeiro passo e procurar a felicidade noutros sítios. Quando acaba, não é por acaso. Acaba porque tem de acabar, porque o tempo já se passou, porque a vida impele-nos a ousar ir mais longe. E às vezes a solidão temperada de memórias felizes (porque é um mecanismo de sobrevivência, guardar só as boas recordações) leva-nos para uma realidade que nunca existiu como a recordamos, e engana-nos, dizendo que aquele amor é que era, aquele amor tão completo e fascinante nunca acabou e suplanta todos os que possamos procurar no futuro. E depois vem a culpa, que estragámos o que tínhamos de melhor, que não soubemos amar como a outra pessoa merecia ser amada. E a vida vai passando e nós a afugentar as pessoas que podem, genuinamente, amar-nos como nunca ninguém amou, com um amor doseado, com um interesse hesitante. Porque esta pessoa não é loira ou alta ou morena como a outra, porque esta toca-nos na mão de maneira diferente e as palavras que sussurra ao ouvido são diferentes. E imersos no nosso engano, a tomar como paradigma de amor um amor que nunca existiu conforme o lembramos, achamos que o que sentimos é algo difícil de definir, e por isso separamos tudo em gavetas. Uma para a ternura, outra para a cumplicidade, outra para o desejo. E não queremos acreditar que está tudo ali, porque nos penitenciamos, acreditamos lá no fundo que viveremos a vida toda aquém do sublime amor que um dia conseguimos destruir.



 



 




Não quero dar lições ou fazer das minhas palavras um guia da verdade aplicável a todas as situações (porque acho que a psicologia é redutora e tenta traduzir pessoas em equações, cheias de constantes conhecidas). Mas quero que penses, que pensem, nisto. Posso não saber muito de nada, muito menos do amor e de relações entre seres humanos, mas conheço bem este “género de triângulo”, porque já estive nas três posições, todas ingratas. A que é idolatrada a anos de distância sob filtros irreais, a que foi preterida a uma idealização holográfica fora do espaço e do tempo e, finalmente, a que teve um dia a fortuna de ter sentido um amor tão puro e magnífico que se recusa a abdicar dele, ainda que as circuntâncias não tornem a repetir-se.




Mantém os olhos abertos e o coração permeável. :)


 



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