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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Eu falava, tu encolhias os ombros, desconversavas por entre evasões. Eu queria arrancar-te uma verdade qualquer, e tu sem vontade das enfrentar. Sem tomar posição, sem decidir, porque o direito de mudar de ideias, várias vezes ao dia, nunca te foi questionado. Perito nas justificações, dando explicações lógicas a todos os actos que contradizem as palavras e dissecando as palavras que contradizem as outras. Não soube quando estavas a falar a sério; disseste para nunca te levar a sério. Nunca, mesmo? Nem quando dizes que me queres nem quando dizes que não? Nem quando falas nela nem quando é por mim que chamas? Não te levo a sério os convites para passar a noite nem as palavras duras de rejeição? Nem os erros, nem os pedidos de desculpa? Não levo a sério os beijos nem levo a sério a sua negação?


Quem és tu afinal?... Porque te escondes com medo do afecto e do que é real? Porque te refugias numa ilusão ultrapassada e foges para os braços de quem não te lê o olhar? Dizes às outras o que pretendes como mo disseste a mim? Acordas as outras de madrugada, louco de paixão e para partilhar sustos e epifanias? Pedes-lhes conselhos sobre o modelo de carro, as prendas para a família e o rumo da vida? Desabafas com elas as preocupações que te roem o sono e as saudades de quem partiu? Também lhes foges aos verbos e aos tempos verbais? Limpas as lágrimas delas e ofereces-lhes canções? Quem és tu, afinal? Qual de ti me prendeu com um sorriso só, me fez renascer e acreditar?


Mais que isso, explica lá... Porque não estás aqui agora?


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