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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Num dia de Verão em que o frio existia lá dentro, no peito, escuro e húmido como uma gruta, ela impôs-se diante do espelho: não mais! Destino ou coincidência ou um acaso daqueles que ficam atrás da orelha, o retorno da vida não se fez esperar. Uma achega da Yoko Ono e sem ninguém perceber, foram lançados os dados. Começou assim, de mansinho, uma porta cerrada a destrancar-se. E depois bateu, empurrada pelo vento e pela Luz, e ela deixou-se inundar com a torrente que lhe levantou os pés do chão.

 

Ela sonhava com um primeiro olhar no silêncio sepulcral da Lua, sonhava com mãos que se reuniam depois das promessas, num encontro de velhos amigos. Sonhava com olhares lânguidos e sorrisos a brotar por detrás. Sonhava com ideais avessos e com realidades mais cruas. E todo ele foi surpresa, choque, demorou-lhe um pedaço a digerir a distância entre a imagem criada e a real, que ali se apresentava sem fraquejar. A digerir também alguma decepção, que o início não teve silêncios nem mãos entrelaçadas. Nenhum silêncio, aliás, que a conversa fluiu como cerejas maduras no pico do Verão, como aliás o tinha sido antes. Ela tremia, rodeada das mil e uma dúvidas que tanto acarinha e que parecem sempre estar presentes nos instantes decisivos. A cabeça a mil à hora, apesar de tornar sempre à mesma questão “o que é isto que me está a acontecer?”.

 

Ele, sempre a superar o nível de irrealidade.  Poesia, sempre a poesia tão azul.

 

 

 

 

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