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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

"Gosto de ti!" - disse ela enquanto lhe afagava o rosto e o cabelo.

"Mas não devias" - retorquiu ele, seco.

"Eu sei. Mas gosto de ti."

Ela ainda gosta dele e sabe que há duas ou três boas razões que tornam este 'gostar' contra-producente. Ela sou eu. Eu gosto dele. Muito. Demais. Ele gosta de me ter por perto. Talvez porque mais ninguém o goste desta maneira. Diz-me que sou tão melhor que todas as outras que não pode fazer-me sofrer. Mas faz. Pena que não tivesse pensado nisso antes...

Ele sabe. E eu já expliquei.

Sei que não devia, mas gosto de ti.

Gosto de ti porque me fazes rir, porque pensas do mesmo modo que eu, porque me tiras palavras da boca e porque me pões na boca palavras que mais ninguém põe.

Gosto de ti porque és profundo, inteligente, sensível, pragmático, liberto das coisas pequeninas e mesquinhas. Tens o maior e mais doce, o mais fantástico e aberto e maravilhoso sorriso do mundo.

Gosto de ti porque me dizes exactamente o que pensas e sentes, e porque não criticas que eu diga exactamente o que penso e sinto. És um miúdo, gostas dos teus brinquedos e de te entregar às tuas guloseimas.

Gosto de ti porque gostamos ambos das mesmas coisas, porque contigo não me sinto uma aberração solitária da natureza.

Adoro o som daquelas tuas gargalhadas que começam em soluços contidos, quase tímidos.

Gosto da tua casmurrice, personalidade forte, mau feitio. És independente e fazes aquilo que te apetece sem dar explicações, respeitas quem o faz do mesmo modo.

Gosto do formato do teu umbigo e dos teus lábios, dos teus dedos e das tuas veias.

Gosto que partilhes das minhas opiniões, gosto da tua acidez e da tua loucura.

Gosto do teu cheiro, das tuas piadas sarcásticas, da teimosia do teu cabelo.

Gostei quando me chamaste linda, quando me disseste a verdade nua e crua.

Gosto do teu corpo, da tua temperatura perfeita, dos teus mamilos delicados. Adoro a pele macia do teu pescoço, os teus ombros brancos, o carinho nas tuas pernas enroladas nas minhas.

Gosto do teu hálito pela manhã e de acordar nos teus beijos.

Gosto dos teus olhos de amêndoas tristes, quando estão abertos e permitem que espreite para dentro de ti, quando estão adormecidos e são dois traços muito escuros e decididos, quando se riem e te envelhecem feliz.

Gosto que detestes tabaco e que não digas palavrões, que o futebol te passe ao lado.

Gosto que sintas falta dos nossos dias, que tenhas saudades.

Gosto que os beijos cavernosos se tenham tornado perfeitos.

Gosto das tuas ambições irmãs das minhas, que sejas aventureiro e destemido.

Gosto do modo como tratas os teus, da admiração e respeito, do carinho que sabes mostrar.

Gosto que não tenhas medo de usar as palavras todas.

Gosto de ti porque és tão igual a mim, gosto de ti porque me completas nas diferenças que temos.

Porra, gosto de ti. Só não gosto que não gostes de mim.

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