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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Não baptizei o alter-ego assim, há mais de 5 anos, por puro acaso. Podia ter sido brisa, ou pássaro, ou pena, ou borboleta. Alguns, e apenas alguns (os próximos do coração), recordarão como andei arredada de mim e da minha natureza devastadora (sem megalomanias, só com certeza das tempestades de mim), numa doce e picante alternativa. Sem ser uma nem deixar de ser outra. Talvez o maior erro de sempre, e bem caro o paguei (só eu sei em que profundidades que nem a mim me confesso). Mas há males que vêm por bem e, a pulso, lá fui erguendo cada pedacinho de mim, as sombras também. Até um ponto mais alto, de onde desafio as vertigens. A alimentar sonhos com ventos rarefeitos, que os balões de oxigénio são para os moribundos. E sim, são os sonhos que me levam (que me comandam a vida, Gedeão). Sem rédeas nem espartilhos, que só conheço os limites que tendem para infinito. Com as asas bem abertas no ar e os pés assentes na terra, que ser sonhadora nem de longe significa que seja irresponsável. Mas corro os riscos, troco a segurança e a certeza pela dúvida das possibilidades máximas. Porque é a minha natureza, é quem eu sou, isto de querer sempre mais, voar mais alto, conhecer novos mundos, nunca conformada, atirar-me de cabeça sem saber sinónimos de medo. Isto é o que me define. Com os pés, e pontas do coração, as ‘pedras grandes’, assentes no chão. E é bom que assim seja, que alguém me chame à razão e me faça olhar para onde coloco os pés; não houvesse amarras sentimentais e estaria por estas horas enlouquecida e rasgada e a falar com a mochila num fim-de-mundo qualquer. Mas o ousado e rebelde sonho, esse ganha-me sempre à razão, de cada vez. Chego a ter pena dela, coitada, que entra no ringue sabendo desde logo que a luta está perdida.


 


Ventania, numa destas madrugadas dentro, a falar com um monitor enquanto olha de soslaio para a mochila no canto e sorri-lhe, cúmplice.


 





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