Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

São quase três meses sem ti. São quase dois anos contigo, com a certeza de que tu existes. Desde o primeiro fortuito encontro numa teia qualquer, as primeiras farejadelas disseram-nos que havia ali alguém interessante, com quem se pode conversar a um ritmo intelectual e emocional que poucos apanham, ou apreendem. Deve ter sido bom, repetimo-lo amiúde. Daí até aos almoços e programas improváveis foram dois passos, distâncias à parte. As distâncias para nós têm outro significado, não pesam, não afastam. Não arrastam nada no tempo, porque o tempo se molda a cada quilómetro ao ritmo a que o impusermos. Pode girar o mundo na palma das mãos mil vezes, não há ninguém igual. Nada foi comum nesta estória, na nossa estória, que já vai passando à história. Nem o começo, nem o meio, nem os interregnos, muito menos os recomeços. Sobressaltos e solavancos, nenhum dia terminava da mesma forma que começava. Repara que não falo em fim. Porque a qualquer momento espero um novo solavanco que vire tudo do avesso. Nada é definitivo, o nunca e o sempre são demasiado tempo. Tu disseste nunca, eu disse nunca. Mas tudo pode sempre mudar. Personagens que entram e saem, alguns, que devem estranhar estes estranhos universos onde as regras parecem não se aplicar. O tempo vai passando ao contrário e o espaço encolhe em vez de expandir. Pequenino, este casulo de mim onde não chega só a memória de ti. Os acasos, provocadores, ironias talvez.


Não me peças para esquecer-te.


Nunca deixarás de fazer parte de mim. Nunca.


 


Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.