Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Mais que memórias, porque a história tende, tragicamente, a repetir os seus erros. O que é passado tem de ser presente, explica-o (não o justificando) e pode bem tornar a ser presente num futuro mais ou menos próximo.


Este ano, nas minhas férias, tive uma vez mais o privilégio de ser atordoada. Parece que é algo que procuro repetidamente, choques de realidade fora da zona de conforto, mas isso são outros quinhentos. Dizia, fui atordoada. Nós na garganta, incontáveis. Olhos marejados, silêncios sufocantes, socos no estômago. Passei por locais devastados por uma guerra relativamente recente e que já tiveram tempo de se recompor em grande parte. E, ainda assim, é devastador. Arranca-nos pedaços da alma ver capitais com marcas de bombardeamentos e rajadas de metralhadora por todos os lados. Edifícios magníficos destruídos, prédios residenciais com enormes buracos ou marca deles. E aldeias pequenas com destruição presente como se tivessem sido atingidas há duas semanas. E, observando com atenção, muitas pessoas a quem faltam membros, com cicatrizes, com queimaduras. Marcas visíveis duma guerra, que como todas, foi incompreensível, foi brutal, foi o expoente da vertente mais cruel e abominável da espécie humana. E eu saúdo o povo que não se resigna ao esquecimento, e traz vivas as memórias, por um lado, das suas desgraças, e por outro, da sua admirável capacidade de regeneração, reconstrução, tolerância. Vi fotografias, e vi com os meus olhos, as marcas, a imensa sensação de perda e impotência. Começamos a pensar nas estórias por detrás da história; a tentar imaginar uma mãe que está na cozinha a preparar uma refeição quando o quarto onde brincam os filhos desaparece num estrondo; Nos soldados mutilados, nas valas comuns, na fome, nas famílias separadas.


 


Noutro canto do mundo, há 65 anos, uma catástrofe atroz, sob a capa da II GG, foi lançada na vida de pessoas. Não foram soldados, não foram números. Nem inocentes nem culpados, nem anjos nem demónios. Pessoas, como todas, com vidas, com problemas, com amores, com famílias, com crimes. Com tudo, e tudo se transformou numa tragédia, num sofrimento prolongado, propagado por gerações. Há fotografias inéditas, que todos devemos ver, ver como nunca vimos, para que saibamos sem dúvida que não queremos voltar a ver. Hiroshima e Nagasaki, 1945, by Bernard Hoffman.


 




Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.