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Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

Ventania

Na margem certa da vida, a esquerda.

origem

Os silêncios têm sempre razão de ser. Nenhum prado fresco e verdejante se transforma instantaneamente em dunas áridas e escaldantes sem razão. Algum ácido se derramou e consumiu cada broto, cada semente; algum sal inquinou para sempre o potencial da terra; alguma sede sorveu até à última gota de orvalho. Adormeceu fértil e viçoso para acordar seco, quebradiço e defunto.
Lamento. Não vou tornar a queimar as solas dos pés, sem rumo nem bússola, para esgravatar motivos à unha. Não tenho tempo nem motivação para peneirar toda a areia deste deserto, grão por grão, enquanto ela se move em ventanias e tempestades, fugindo e regressando em ciclos sem rumo. O sol estala e estorrica a minha pele fina, o calor ferve-me as intenções. A gretar os lábios que seja por beijar noites frescas e trocar palavras de língua, não mais por falar para te ecoar em paredes vazias, sem retorno.

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